E&P

Petrobras rebate boato sobre Mexilhão

Valor Econômico
12/05/2005 00:00
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O gás descoberto em 2003 pela Petrobras na bacia de Santos - onde ela estimou reservas de 419 bilhões de metros cúbicos nos blocos BS-400 e BS-500, equivalentes a 14,8 trilhões de pés cúbicos (TCFs) - está no centro de muita controvérsia no setor de energia. Além de aguçar o apetite das companhias estrangeiras interessadas em parcerias com a Petrobras, há boatos no mercado sobre o efetivo potencial das reservas encontradas na área, que seriam menores que as avaliações feitas no início pela estatal.

Entre os rumores que circulam nas conversas de analistas, interessados e concorrentes consta que é baixa a permeabilidade do reservatório do campo de Mexilhão, encontrado no BS-400 (o que reduz a fluidez do gás pelas rochas, dificultando a produção). Comenta-se também a existência de enxofre e gás sulfídrico junto com o gás natural, que teriam sido encontrados em perfurações posteriores ao anúncio das reservas.

O Valor procurou técnicos e executivos tanto da estatal como de companhias privadas do setor e alguns confirmaram ter ouvido comentários negativos, sem ter confirmação deles, e outros negaram ter sequer ouvido rumores. A direção da Petrobras não só desmente que tenha superavaliado as reservas em Santos como acha graça da onda de boatos.

"Se não temos gás, porque será que todos querem se associar a nós", questiona o diretor de exploração e produção (E&P) da Petrobras, Guilherme Estrella, em tom de troça.

Ele acrescentou ainda que a Petrobras já notificou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre a descoberta de gás e de óleo leve (condensado) numa estrutura "satélite" de Mexilhão, que recebeu o nome de "Cedro" e não se mostra preocupado com a onda de boatos. Mas prefere não informar a estimativa de reservas de Cedro para evitar especulações do mesmo tipo no futuro.

A estatal preparou um plano de desenvolvimento de Mexilhão - onde a Repsol está tendo acesso aos números para uma possível parceria - que prevê a instalação de uma plataforma fixa em águas rasas, que iria exportar o gás para uma estação de tratamento onde o líquido será separado do gás. Se houver óleo mais pesado, ele será enviado para a refinaria de Cubatão (SP).

Na lista dos principais projetos nos próximos dois anos a estatal prevê o início da produção de gás em Mexilhão em 2008. Questionado sobre a real dimensão das reservas de gás na bacia de Santos, o gerente-executivo da área de exploração e produção corporativa da Petrobras, Francisco Nepomuceno Filho, disse que o volume no local é o mesmo anunciado pela companhia.

O diretor de E&P foi mais específico ao dar uma explicação técnica para uma possível confusão que pode ter alimentado a onda de boatos. "Existe uma diferença entre reservas e produtividade de um campo. As reservas que estimamos estão praticamente confirmadas e somente o volume de produção é que depende do fator de recuperação do campo", afirma Estrella.

Segundo o diretor da estatal, no momento a Petrobras está avaliando justamente a capacidade de produção de gás na área, já que foi constata uma variação da produtividade dos poços perfurados até agora na área. "O poço que fica no ápice da estrutura de gás é melhor do que o que perfuramos no canto. Em agosto teremos o resultado da perfuração de um poço horizontal e de outro em Mexilhão", explicou.

Já as reservas de gás, petróleo leve e petróleo pesado do também cobiçado BS-500 têm produção inicial prevista a partir de 2008. Nessa área, que é maior, mais complexa e mais próxima do Rio de Janeiro, a Petrobras perfurou 20 poços e fez 10 descobertas, sendo quatro de óleo leve, 4 de óleo pesado e duas de gás natural. Enquanto avalia suas reservas na bacia de Santos, a estatal vem sendo assediada não só pela Repsol, que saiu na dianteira para estudar uma parceria em Mexilhão, como também pela Shell, Esso, BG e Statoil. Além de tentar uma parceria com a Petrobras, a alta direção dessas empresas têm feito visitas periódicas a Brasília.

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