Negócio

Petrobras pode comprar a Esso da Argentina

A Petrobras é vista pelo mercado como a principal interessada em comprar os ativos da Esso na Argentina. Apesar de a estatal se negar a comentar o assunto, são fortes os rumores de que estaria negociando com a companhia norte-americana, transação que pode ser anunciada até a próxima segunda-fe

Jornal do Commercio
20/09/2007 00:00
Visualizações: 1763
A Petrobras é vista pelo mercado como a principal interessada em comprar os ativos da Esso na Argentina. Apesar de a estatal se negar a comentar o assunto, são fortes os rumores de que estaria negociando com a companhia norte-americana, transação que pode ser anunciada até a próxima segunda-feira, quando expira o prazo estipulado pela Esso para avançar em seu plano de deixar a Argentina até o fim do ano. A companhia americana estipulou o valor de seus ativos em US$ 200 milhões.

"A Petrobras tem 80% de chances de ficar com a Esso", diz o analista Alejandro Ovando, diretor da consultoria argentina Investigações Econômicas Setoriais. De acordo com a fonte do mercado, executivos da companhia petrolífera brasileira estão analisando os números da Esso desde a semana passada, com o objetivo de apresentar a oferta na próxima semana.

Especialistas do setor de petróleo avaliam como positiva essa perspectiva. Para Marco Aurélio Tavares, hoje consultor na Gas Energy e ex-diretor para da Repsol para a América do Sul, a estatal teria vantagens sobre a Esso na operação de uma refinaria na Argentina, porque hoje possui um volume de produção excedente no país. "No caso da Esso, que não tem produção de petróleo própria na Argentina, há a necessidade de importar o petróleo a ser processado. Com o preço do barril nas alturas e os custos controlados internamente pelo governo, as margens ficavam apertadas demais", disse.

A Petrobras possui hoje uma produção total de 107 mil barris de óleo equivalente por dia na Argentina, dos quais processa apenas 30 mil em suas unidades de refino. A refinaria da Esso tem capacidade para algo em torno de 100 mil barris por dia. "Mesmo que tenha que importar, pode importar de sua produção brasileira", disse outro analista de instituição financeira, lembrando que seria uma maneira de a estatal agregar maior valor ao seu óleo pesado hoje exportado por um preço menor do que o mercado internacional por sua qualidade inferior.

Com relação à aquisição de postos de serviço da Esso, os analistas estimam que haveria certamente um bom ganho de market share, mas não consideram que este poderia representar algum impacto expressivo nos negócios da empresa. "Muitos dos postos teriam que ser vendidos por estarem no mesmo raio de atuação da própria Petrobras", avaliou o consultor de um banco no Rio.

Segundo levantamento realizado pela Consultoria Investigações Econômicas Setoriais, no primeiro semestre de 2007, a Petrobras obteve 14% do mercado de vendas de óleo diesel, seguido pela Shell com 13%, e Esso com 12,6%. Se a Petrobras adquirir a Esso, passaria a ter 27% desse mercado, metade da fatia pertencente à líder Repsol YPF.

No mercado portenho comenta-se que a estatal energética local, a Enarsa, também apresentaria uma oferta junto com a venezuelana PDVSA, para tentar cumprir o sonho do presidente Néstor Kirchner de entrar no mercado local de refino e comercialização de petróleo. Mas também se comenta que a Esso "jamais venderia seus ativos à PDVSA por causa de Hugo Chávez, que a expulsou da Venezuela".

"A única petrolífera que poderia apresentar uma proposta para disputar com a Petrobras é a Shell", opinou Ovando. No entanto, devido aos problemas que a anglo-holandesa passou nos últimos anos com o governo Kirchner, não se sentiria muito motivada a expandir os seus negócios no país. Além da convocação à um boicote por parte de Kirchner aos seus postos, a Shell sofreu o fechamento de sua refinaria durante quase uma semana.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Internacional
Petrobras fica com 42,5% de bloco exploratório offshore ...
06/02/26
Sergipe Oil & Gas 2026
Ampliação de espaço no Sergipe Oil & Gas vai garantir ma...
05/02/26
Resultado
Produção dos associados da ABPIP cresce 22,8% em 2025 e ...
05/02/26
Descomissionamento
ONIP apresenta ao Governo Federal propostas para transfo...
04/02/26
Pessoas
Daniela Lopes Coutinho é a nova vice-presidente executiv...
04/02/26
Resultado
Com 4,897 milhões boe/d, produção de petróleo e gás em 2...
03/02/26
Pré-Sal
Três FPSOs operados pela MODEC fecharam 2025 entre os 10...
03/02/26
Pré-Sal
Shell dá boas-vindas à KUFPEC como parceira no Projeto O...
03/02/26
Gás Natural
GNLink recebe autorização da ANP e inicia operação da pr...
02/02/26
Gás Natural
Firjan percebe cenário positivo com redução nos preços d...
02/02/26
Etanol
Anidro e hidratado fecham mistos na última semana de jan...
02/02/26
GNV
Sindirepa: preço do GNV terá redução de até 12,5% no Rio...
30/01/26
Descomissionamento
SLB inaugura Centro de Excelência em Descomissionamento
30/01/26
Apoio Offshore
Wilson Sons lança rebocador da nova série para atender d...
30/01/26
Gás Natural
Firjan lança publicação e promove debate sobre futuro do...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 terá programação diversa e foco na pro...
28/01/26
Internacional
Petrobras amplia venda de petróleo para a Índia
28/01/26
Offshore
Projeto Sergipe Águas Profundas tem plano de desenvolvim...
28/01/26
Royalties
Valores referentes à produção de novembro para contratos...
28/01/26
Gás Natural
Petrobras reduz preços do gás natural para distribuidoras
28/01/26
Gás Natural
Renovação das concessões de gás no Rio exige transparênc...
28/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.