Combustíveis

Petrobras observa principalmente concorrentes ao definir preço no momento

Reuters, 19/06/2017
19/06/2017 17:56
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A política de preços de gasolina e diesel da Petrobras, implantada em outubro do ano passado, que resultou em mais reduções do que altas nas cotações nas refinarias, tem sido norteada no momento fundamentalmente pela concorrência com produtos importados, disse nesta segunda-feira o diretor da estatal Nelson Silva.

Segundo o executivo chefe da Diretoria de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da Petrobras, a crescente importação de diesel e gasolina é o que mais tem afetado as vendas da estatal no mercado interno, onde a petroleira tem enfrentado a competição por fatia de mercado de outros agentes.

"Estamos olhando principalmente para a concorrência do produto importado. O importado é o que afeta diretamente o nosso negócio, que é petróleo e gás", afirmou ele à Reuters após o Fórum Empresarial de Administração Pública, no Rio de Janeiro.

"O mercado é livre e qualquer um pode importar. Nós estamos atentos a esses movimentos", adicionou ele.

O executivo lembrou que outras variáveis que fazem parte da política de preços da companhia, como cotação do barril de petróleo e câmbio, também são acompanhadas de perto pela estatal para a formação dos preços internos dos derivados.

Desde que implantou a nova política para dar mais transparência à definição dos preços as refinarias, a Petrobras já reduziu o preços da gasolina e do diesel em seis ocasiões, em um total de dez avaliações para reajustes.

No caso da gasolina, a estatal elevou os preços em duas oportunidades e os manteve em outras duas. No diesel, houve alta em três avaliações e uma manutenção.

"O importante não é quantas vezes caiu, mas sim a margem. O petróleo também caiu e o custo para produzir também diminuiu. Se você está vendendo por menos, você também está pagando menos pela matéria-prima. Esse aspecto tem que ser olhado e não apenas o preço de vendas", ressaltou Silva.

"Não dá para dizer que tivemos perda com a política de preços. Não é um análise linear porque tem ainda câmbio nessa conta", completou.

Na semana passada, a estatal anunciou uma nova redução dos preços de diesel e gasolina em suas refinarias, de 5,8 e 2,3 por cento, respectivamente.

A redução ocorre em um momento de pico de colheita da safra de cana no centro-sul do Brasil, que resulta no aumento da oferta de etanol.

Desde o início da safra, na última semana de março até meados deste mês, os preços do etanol caíram 9 por cento em média nas usinas do Estado de São Paulo, maior produtor nacional, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Ainda sim, disse Silva, a política de preços da Petrobras não foca o mercado do etanol.

"O etanol é um mercado do qual não participamos. Olhamos para câmbio, preço e market share", frisou ele.

Um preço mais baixo do etanol na bomba poderia incentivar consumidores em alguns Estados a migrar para o biocombustível em detrimento da gasolina.

 

 

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