Offshore

Petrobras já reinjetou em reservatórios 35 milhões de toneladas de CO2

Meta é reinjetar 45 milhões de toneladas até 2025

Agência Brasil
14/03/2022 15:44
Petrobras já reinjetou em reservatórios 35 milhões de toneladas de CO2 Imagem: Agência Petrobras Visualizações: 3410

Líder mundial de captura e armazenamento de carbono em alto mar (offshore), a Petrobras já reinjetou 35 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) no reservatório, e até 2025 vão ser mais 10 milhões de toneladas, totalizando 45 milhões de toneladas reinjetadas. A informação foi dada hoje (14) pelo diretor de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade da Petrobras, Rafael Chaves Santos, durante apresentação do Caderno de Mudança do Clima, com o posicionamento e iniciativas da companhia “sustentável e comprometida” com a transição para um mundo em descarbonização.

Na área do refino, a meta é chegar a 30 quilos de CO2 equivalente por carga processada em 2030, contra 39,7 quilos em 2021. Em relação à meta de metano, que era de 0,39% para 2021, a Petrobras conseguiu atingir média de intensidade de metano na produção de 0,33% no ano passado, metade do que era produzido em 2015. Para 2023, a meta se acha em revisão.

O diretor informou que a companhia estabeleceu incentivos de remuneração para que todos os executivos estejam conectados às metas de menor emissão de gases de efeito estufa (GEEs). A métrica de carbono equivale entre 5% a 15% da remuneração variável. “Se tem mais emissão, tem menor remuneração”, explicou.

Rafael Chaves Santos afirmou que a Petrobras apoia e ajuda na construção do caminho de sustentabilidade no mundo e no atingimento das metas do Acordo de Paris, que visa limitar o aumento de temperatura do planeta em longo prazo. A empresa ambiciona alcançar emissões líquidas zero nas suas operações. O acordo do clima, conhecido como COP21, foi aprovado em dezembro de 2015, em Paris, e entrou em vigor em 2016. Seu principal objetivo é reduzir as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aumento médio de temperatura global a 1,5ºC.

Pontos

A Petrobras resume em cinco pontos como contribui para um mundo em transição energética, isto é, um mundo em descarbonização. O primeiro ponto é que a companhia contribui extraindo petróleo de baixo carbono na costa brasileira, em águas profundas e ultraprofundas, na área do pré-sal. O diretor lembrou que a exploração de petróleo é importante para o Brasil porque gera renda, impostos e valor para a empresa e para a sociedade nacional. “A gente tem que transformar os nossos recursos em riqueza. Esses recursos ajudam a financiar a transição energética”, disse.

Rafael Chaves Santos informou que a Petrobras entrega menos de 3% do consumo global de petróleo. “A transição energética vai ser gradual, o mundo vai continuar precisando de petróleo nas próximas décadas, e a Petrobras vai entregar o barril de petróleo mais resiliente, com baixo custo de produção e com baixa emissão, afirmou.

Os ativos do pré-sal que a Petrobras trabalha têm pouco menos de 10 quilos de gás carbônico equivalente por barril produzido, contra a média mundial, que é próxima de 20 quilos, o que aumenta em cerca de 70% a intensidade de emissão de carbono.

Para a Petrobras e o Brasil, é importante que o petróleo do pré-sal seja produzido porque é um barril resiliente, do ponto de vista de clima, com pouca emissão de CO2. Rafael Chaves Santos salientou que o petróleo do pré-sal brasileiro é duplamente resiliente por seu “baixo custo e baixa emissão de carbono”.

Em relação ao fornecimento de gás para energia, o diretor disse que o Brasil e a França são os dois países com matriz energética de menor intensidade de carbono. Para não comprometer a geração de eletricidade, lembrou que no ano passado, quando os reservatórios estavam baixos, a Petrobras produziu gás natural e levou esse gás para as termelétricas. “Isso faz com que a nossa matriz, com alto percentual de renováveis, seja uma matriz sustentável, que tenha confiabilidade”.

Novos produtos

O Caderno de Mudança de Clima assegura que a Petrobras busca sempre novos produtos de baixa intensidade de carbono. Na matriz de transporte, por exemplo, quase um quarto da queima é de biocombustível, como etanol e biodiesel. “A Petrobras apoia essa matriz limpa. E a gente entende que é a forma adequada de fazer a transição energética, misturando combustível fóssil com combustível renovável para ter um transporte com menor emissão de gases de efeito estufa”, disse o diretor.

O diretor Rafael Chaves Santos lembrou também o papel da pesquisa e desenvolvimento , que traz soluções para baixo carbono, como a tecnologia Hisep, desenvolvida pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), que separa o gás e reinjeta o CO2 em reservatórios no fundo do mar ou embaixo da terra, em vez de ir para a atmosfera.

“A tecnologia também possibilita a gente ter óleo aliado à baixa emissão. Melhora em torno de 4% a intensidade de carbono na operação”. Essa foi uma das soluções desenvolvidas pela Petrobras que, em 2021, registrou 118 patentes de tecnologias próprias.

Na área de projetos socioambientais, o diretor informou que a empresa apoia direta e indiretamente uma série de iniciativas de reflorestamento e preservação de florestas que abrange um terço do território nacional.

Caminhos

Energia nuclear, hidrogênio, mineração submarina, iniciativas geotérmicas, fazenda solar no mar, eólicas offshore são alguns caminhos alternativos que estão em avaliação pelos executivos da companhia para geração de valor para a Petrobras. O próximo plano estratégico já deve conter a resposta sobre as oportunidades de diversificação de negócios.

Uma governança multidisciplinar está avaliando as múltiplas opções sob o olhar financeiro, de tecnologia, de pesquisa e inovação, industrial, de geologia, de refino. “Tem que ter dois pré-requisitos para ser um segundo motor de valor na Petrobras”, disse o diretor, acrescentando que “o primeiro é ser um bom negócio e o segundo é a Petrobras ser a melhor operadora daquele negócio”.

Segundo Rafael Chaves Santos, a Petrobras é boa em projetos de larga escala, com grande desafio tecnológico e de engenharia, com boa gestão de risco que precise processar a informação rapidamente. Além disso, o projeto tem que ser rentável, obedecendo a uma disciplina de capital bem desenhada, e com bom retorno para a sociedade. Segundo Chaves, de cada centavo de dólar ou de real, 70% retornam para a sociedade.

Demanda global

O presidente da Petrobras, Joaquim Lula e Silva, disse que mitigar o problema do clima é uma demanda global, necessária e urgente. “A Petrobras se alia aos governos, organismos multilaterais, instituições não governamentais e corporações responsáveis na construção das soluções para um planeta convergente às ambições de Paris”.

Luna e Silva informou que o mundo consome hoje o equivalente, em energia, a 100 bilhões de barris de petróleo por ano, sendo a maioria oriunda de petróleo (31%), gás natural (23%) e carvão (26%). Elelembrou que o tema é complexo porque existem muitas rotas de descarbonização que reduzem as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) de forma equivalente, mas apresentam implicações econômicas e sociais distintas.

Segundo Luna e Silva, a Petrobras acredita ser possível promover o desenvolvimento econômico, social e ambiental de forma concomitante. Para isso, a companhia investe recursos e tecnologia na produção de petróleo de baixo carbono no Brasil, visando uma transição energética responsável, com a ampliação de fontes renováveis na matriz elétrica nacional e em produtos e negócios de menor intensidade de carbono, afirmou. O presidente da estatal disse, ainda, que a empresa é comprometida com um mundo em descarbonização.

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