Combustíveis

Petrobras investe na exportação de álcool

A Petrobras, por meio de sua subsidiária Transpetro, está colocando em prática um plano ambicioso para exportar álcool combustível. O projeto, recém-saído do forno, prevê investimentos de US$ 200 milhões em infra-estrutura logística para escoamento do álcool, com a construção de novos d

Valor Econômico
03/06/2004 00:00
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A Petrobras, por meio de sua subsidiária Transpetro, está colocando em prática um plano ambicioso para exportar álcool combustível. O projeto, recém-saído do forno, prevê investimentos de US$ 200 milhões em infra-estrutura logística para escoamento do álcool, com a construção de novos dutos para o transporte do combustível a partir da Replan (Refinaria de Paulínia), em São Paulo, até o terminal de Ilha D`Água, no Rio, e aumento da capacidade de tancagem dos atuais terminais da companhia.
Em entrevista exclusiva ao Valor, o executivo Marcelino Guedes Gomes, gerente-geral de novos negócios da Transpetro, diz que a Petrobras será o gestor desses investimentos com o apoio da iniciativa privada. "Nós temos competência na área de álcool porque fomos responsáveis pela estrutura logística durante o Proálcool (programa criado na década de 70)", afirma o executivo.
Guedes não está exagerando. As atuais estruturas de terminais da Petrobras e duto para o álcool remontam o início dos anos 80, auge do Proálcool, lembra Júlio Maria Martins Borges, da Job Economia e Planejamento. Hoje, com sua atual estrutura, a Petrobras tem condições de escoar 1,5 bilhão de litros por ano de Paulínia até a Baía de Guanabara, no Rio. E esse é o volume exato projetado pelo mercado para as exportações brasileiras na safra 2004/05.
O programa de investimentos da Petrobras está em estágio preliminar, ou na chamada "fase zero". Neste primeiro momento, a companhia fará pequenos investimentos para adequação e condicionamento do atual sistema de seu duto em Paulínia (SP) para evitar a contaminação do álcool durante o trajeto até o Rio.
"Com o sistema adequado, podemos escoar até 1,5 bilhão de litros por ano", diz. Esses investimentos estão estimados entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões e esses valores não fazem parte dos US$ 200 milhões.
A primeira fase efetiva do projeto deve começar em breve, depois que a Petrobras discutir o programa com o setor privado. "Deveremos fazer uma reunião com os empresários no final deste semestre", diz.
Nesta primeira fase, os planos são construir um novo duto só para transportar álcool, de aproximadamente 500 quilômetros, ligando Paulínia a Taubaté. De Taubaté, o álcool segue até o Rio. Hoje o Rio é a alternativa mais viável, uma vez que a companhia tem estrutura para escoar granéis líquidos. O porto de Santos (SP) fará parte da rota futura.
"Com um sistema de duto só para o álcool, não teremos preocupação de contaminação e de tráfego congestionado, com a movimentação de petróleo e derivados pelo mesmo sistema", explica. Essa primeira etapa está orçada em US$ 80 milhões.
Na segunda etapa do programa, a Petrobras deverá construir outro duto, de aproximadamente 200 quilômetros, ligando Ribeirão Preto, principal pólo produtor, a Paulínia. "Hoje não há duto nessa região. O transporte é feito via rodovia", lembra o executivo. Serão investidos mais US$ 80 milhões. Em um terceiro momento, a estrutura logística de transporte poderá contar com a hidrovia Tietê-Paraná. "Baratearia os custos do transporte", diz Guedes. Para isso, serão aportados US$ 40 milhões, na construção de um duto de 90 quilômetros de Paulínia até a região de Conchas (SP). "Estamos conversando com o governo do Estado para viabilizar esse sistema", acrescenta. Segundo ele, a hidrovia facilitaria o acesso às regiões do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
A decisão da Petrobras de investir pesado no álcool pode facilitar as negociações entre as usinas sucroalcooleiras do país e os potenciais importadores do combustível, como o Japão e China, além dos países europeus. "Com a Petrobras nos negócios, as exportações ganham maior respaldo, uma vez que os importadores se preocupam com a garantia de entrega do produto por conta da nossa atual estrutura logística", afirma Roberto Gianetti da Fonseca, coordenador da Ethanol Trading, pool que está sendo criado pelas usinas para exportação de álcool. "O setor privado está disposto a colaborar, inclusive financeiramente, para melhorar a logística do setor."
Martins Borges vê na iniciativa da Petrobras um ponto positivo para o setor. "A empresa está enxergando o álcool como um produto de viabilidade econômica. No passado, a Petrobras era um instrumento do governo para controle da oferta e demanda do álcool no país."

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