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Petrobras enfrenta dificuldades para venda de ativos

Meta do atual plano de negócios é atingir US$ 14,8 bilhões.

Valor Econômico
22/02/2013 11:15
Visualizações: 972

 

A Petrobras encontra dificuldades para definir uma estratégia de venda de ativos no exterior. O processo foi lançado há dois anos e pouco avançou nesse tempo. Tanto que a estatal só conseguiu viabilizar US$ 305 milhões com alienação de uma fatia no bloco BS-4 para a OGX e da Edesur, distribuidora de energia da Argentina. Mas a meta que traçou, dentro das novas diretrizes de seu plano de negócios, é atingir US$ 14,8 bilhões, valor que inclui desbloqueio de recursos dados como garantia.
Agora, além dos ativos no exterior, estão sendo oferecidas também participações em áreas exploratórias no Brasil e ativos industriais, como a petroquímica Innova, no polo de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Entre as interessadas nas áreas de exploração e produção são apontadas duas petrolíferas: a norueguesa Statoil e a chinesa Sinochem.
Apesar de abrir espaço para vendas no Brasil, a maior aposta da Petrobras continua sendo se desfazer de ativos no exterior. A empresa tem negócios na Ásia, África, Europa, Estados Unidos e América Latina, que estão sob coordenação da esvaziada diretoria internacional, sem ocupante há sete meses. A presidente Graça Foster está acumulando essa diretoria com seu cargo na estatal desde julho do ano passado, quando Jorge Zelada deixou a estatal. Graça também concentrou a venda nas mãos do novo gerente executivo de Novos Negócios, Ubiratan Clair, ligado diretamente à presidência.
No atual plano estratégico a área internacional tem investimentos de US$ 10,7 bilhões em projetos já em fase de implantação ou ainda em avaliação.
Uma das razões da dificuldade para se desfazer de parte de seus negócios internacionais pode ser o modelo escolhido para a venda nos Estados Unidos. Contratado pela Petrobras, o banco Morgan Stanley avaliou os ativos americanos em US$ 10 bilhões. Eles envolvem desde blocos em fase de exploração, campos em produção como Cotton Wood e Cascade-Chinook, este em águas profundas do Golfo do México, como também a refinaria de Pasadena, da qual a estatal já não tem pressa de se desfazer.
Segundo fontes ouvidas pelo 'Valor', o processo foi prejudicado pela decisão inicial da Petrobras de reunir todas as participações acionárias em uma empresa da qual seria oferecida uma participação relevante, com o controle ainda em mãos brasileiras. Os potenciais compradores estranharam o modelo, que não é comum no setor. Foi adotado no Brasil pela espanhola Repsol e a portuguesa Galp quando abriram espaço em seus negócios para a chinesa Sinopec.
Nos Estados Unidos, algumas companhias convidadas pela Petrobras acharam o modelo "maluco", como revelou uma fonte. Várias empresas informaram que tinham interesse em comprar participações em áreas específicas (fazendo "farm-ins") e não uma participação em tudo. Nessa altura a Petrobras tinha resolvido encerrar a disputa judicial com a Astra Oil Trading NV em torno da refinaria de Pasadena, no Texas, pela qual pagou mais de US$ 1 bilhão para destravar o processo, já que via risco de a Astra bloquear o dinheiro obtido com a venda. Agora, a perda de valor da refinaria, cujos preços de aquisição estão sendo investigados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), deve tirá-la do pacote. A própria presidente da Petrobras admitiu isso em fevereiro, quando apresentou os resultados do balanço de 2012.
De acordo com Graça Foster, a refinaria de Pasadena está incluída no plano de desinvestimentos "assim como qualquer bloco da área de exploração e produção do Brasil e no exterior, assim como qualquer ativo do refino". Mas a executiva explicou que nenhuma transação será realizada, inclusive a da refinaria americana, se a Petrobras não tiver a certeza de que é a melhor opção.
"Temos um plano de recuperação [da refinaria] de Pasadena para valorizar o ativo. Temos alguns projetos que estão sendo feitos ao longo deste ano", disse Graça este mês, durante a apresentação dos resultados de 2012.
A interpretação é de que a companhia vai tentar adiar a venda para não ter que "realizar" o prejuízo trazido pelo negócio. Já para os ativos na África o modelo de venda em bloco continua. Segundo fontes a par da estratégia, a Petrobras quer reunir suas participações blocos e campos já em produção em países como Nigéria, Angola, Namíbia, Tanzânia, Líbia e Gabão em uma companhia na qual abrirá espaço para terceiros. A francesa Total seria uma das que mostrou interesse em uma associação. Também haveria interesse do banco BTG Pactual.
Os ativos na América do Sul podem não ser vendidos facilmente. Por questões políticas, a Petrobras não deverá sair totalmente da Argentina, Bolívia e Venezuela. Na Bolívia, que sofre com a queda das reservas, a estatal brasileira vai precisar encontrar o gás necessário para ao menos garantir a existência do insumo em volumes que permitam renovar, em 2019, o contrato que garante a compra de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia enviados pelo Gasbol. Na Argentina a Petrobras vem tentando reduzir sua presença desde 2008, mas deve continuar na exploração e produção de petróleo, com menor exposição à política energética baseada no controle de preços. Na Venezuela, a avaliação é de que dificilmente haverá comprador para as participações acionárias nas empresas mistas controladas pela PDVSA.

A Petrobras encontra dificuldades para definir uma estratégia de venda de ativos no exterior. O processo foi lançado há dois anos e pouco avançou nesse tempo. Tanto que a estatal só conseguiu viabilizar US$ 305 milhões com alienação de uma fatia no bloco BS-4 para a OGX e da Edesur, distribuidora de energia da Argentina. Mas a meta que traçou, dentro das novas diretrizes de seu plano de negócios, é atingir US$ 14,8 bilhões, valor que inclui desbloqueio de recursos dados como garantia.


Agora, além dos ativos no exterior, estão sendo oferecidas também participações em áreas exploratórias no Brasil e ativos industriais, como a petroquímica Innova, no polo de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Entre as interessadas nas áreas de exploração e produção são apontadas duas petrolíferas: a norueguesa Statoil e a chinesa Sinochem.


Apesar de abrir espaço para vendas no Brasil, a maior aposta da Petrobras continua sendo se desfazer de ativos no exterior. A empresa tem negócios na Ásia, África, Europa, Estados Unidos e América Latina, que estão sob coordenação da esvaziada diretoria internacional, sem ocupante há sete meses. A presidente Graça Foster está acumulando essa diretoria com seu cargo na estatal desde julho do ano passado, quando Jorge Zelada deixou a estatal. Graça também concentrou a venda nas mãos do novo gerente executivo de Novos Negócios, Ubiratan Clair, ligado diretamente à presidência.


No atual plano estratégico a área internacional tem investimentos de US$ 10,7 bilhões em projetos já em fase de implantação ou ainda em avaliação.


Uma das razões da dificuldade para se desfazer de parte de seus negócios internacionais pode ser o modelo escolhido para a venda nos Estados Unidos. Contratado pela Petrobras, o banco Morgan Stanley avaliou os ativos americanos em US$ 10 bilhões. Eles envolvem desde blocos em fase de exploração, campos em produção como Cotton Wood e Cascade-Chinook, este em águas profundas do Golfo do México, como também a refinaria de Pasadena, da qual a estatal já não tem pressa de se desfazer.


Segundo fontes ouvidas pelo 'Valor', o processo foi prejudicado pela decisão inicial da Petrobras de reunir todas as participações acionárias em uma empresa da qual seria oferecida uma participação relevante, com o controle ainda em mãos brasileiras. Os potenciais compradores estranharam o modelo, que não é comum no setor. Foi adotado no Brasil pela espanhola Repsol e a portuguesa Galp quando abriram espaço em seus negócios para a chinesa Sinopec.


Nos Estados Unidos, algumas companhias convidadas pela Petrobras acharam o modelo "maluco", como revelou uma fonte. Várias empresas informaram que tinham interesse em comprar participações em áreas específicas (fazendo "farm-ins") e não uma participação em tudo. Nessa altura a Petrobras tinha resolvido encerrar a disputa judicial com a Astra Oil Trading NV em torno da refinaria de Pasadena, no Texas, pela qual pagou mais de US$ 1 bilhão para destravar o processo, já que via risco de a Astra bloquear o dinheiro obtido com a venda. Agora, a perda de valor da refinaria, cujos preços de aquisição estão sendo investigados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), deve tirá-la do pacote. A própria presidente da Petrobras admitiu isso em fevereiro, quando apresentou os resultados do balanço de 2012.


De acordo com Graça Foster, a refinaria de Pasadena está incluída no plano de desinvestimentos "assim como qualquer bloco da área de exploração e produção do Brasil e no exterior, assim como qualquer ativo do refino". Mas a executiva explicou que nenhuma transação será realizada, inclusive a da refinaria americana, se a Petrobras não tiver a certeza de que é a melhor opção.


"Temos um plano de recuperação [da refinaria] de Pasadena para valorizar o ativo. Temos alguns projetos que estão sendo feitos ao longo deste ano", disse Graça este mês, durante a apresentação dos resultados de 2012.


A interpretação é de que a companhia vai tentar adiar a venda para não ter que "realizar" o prejuízo trazido pelo negócio. Já para os ativos na África o modelo de venda em bloco continua. Segundo fontes a par da estratégia, a Petrobras quer reunir suas participações blocos e campos já em produção em países como Nigéria, Angola, Namíbia, Tanzânia, Líbia e Gabão em uma companhia na qual abrirá espaço para terceiros. A francesa Total seria uma das que mostrou interesse em uma associação. Também haveria interesse do banco BTG Pactual.


Os ativos na América do Sul podem não ser vendidos facilmente. Por questões políticas, a Petrobras não deverá sair totalmente da Argentina, Bolívia e Venezuela. Na Bolívia, que sofre com a queda das reservas, a estatal brasileira vai precisar encontrar o gás necessário para ao menos garantir a existência do insumo em volumes que permitam renovar, em 2019, o contrato que garante a compra de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia enviados pelo Gasbol. Na Argentina a Petrobras vem tentando reduzir sua presença desde 2008, mas deve continuar na exploração e produção de petróleo, com menor exposição à política energética baseada no controle de preços. Na Venezuela, a avaliação é de que dificilmente haverá comprador para as participações acionárias nas empresas mistas controladas pela PDVSA.

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