Combustíveis

Petrobras cria tecnologia verde para produzir diesel

O novo processo de produção de óleo diesel consiste em misturar óleo vegetal ao óleo mineral nas refinarias e resulta em um produto mais barato e de melhor qualidade do que o diesel tradicional.


19/05/2006 03:00
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O novo processo de produção de óleo diesel desenvolvido pela Petrobras consiste em misturar óleo vegetal ao óleo mineral nas refinarias, na unidade de hidrotratamento (HDT). Durante a apresentação da tecnologia, o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que o processo vai resultar em um derivado de melhor qualidade e mais barato do que o diesel tradicional.

Costa também destacou as diferenças entre o h-biodiesel (resultante da nova tecnologia) e o biodiesel. Na composição, a diferença é que a análise química do biodiesel revela a participação dos diferentes óleos de sua composição e o h-biodiesel resulta em um derivado com características exclusivas de óleo mineral, o diesel.

Em termos de processo, o diretor explica que biodiesel e h-biodiesel percorrem rotas tecnológicas diferentes: o h-biodiesel, utiliza o óleo de oleaginosas diretamente no HDT da refinarias e resulta no produto que Costa chama de "diesel verde". A fabricação do biodiesel inicia-se a com a utilização do óleo ou do próprio grão de sementes oleaginosas, que passam por um processamente na planta de transterificação e são enviados às distribuidoras de combustíveis. As distribuidoras é que fazem a mistura com o diesel e vendem para os postos.

Em função das diferenças de rota tecnológica, os combustíveis diferem em termos logísitcos e é, também em função deste quesito, que o diretor garante que continuará havendo mercado para ambos os biocombustíveis. O h-biodiesel sofre a limitação logística de só poder ser processado nas 11 refinarias da Petrobras, enquanto o biodiesel tradicional pode ser distribuído pela 80 centros de distribuição da BR em todo o país, além de centros de distribuição de outras distribuidoras. O processamento na própria refinaria exige que a planta industrial esteja próxima aos centros de produção de oleaginosas, segundo a avaliação de Costa.

O h-biodiesel está sendo desenvolvido pela Petrobras há 18 meses e passou por uma série de testes na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Os testes foram feitos com óleo de soja e chegaram a misturar até 18% do óleo vegetal ao diesel. No entanto, as perspectivas de aplicação comercial no curto prazo - até 2008 - prevêem a mistura de 10% de óleo soja ao diesel em duas refinarias da Petrobras: a Regap e a Repar. Para o médio e lonto prazo, a companhia espera aplicar a tecnologia em cinco refinarias do país, com a mistura de 5% de óleo vegetal.

Para misturar de 10% de óleo de soja duas refinarias, os cálculos da Petrobras demonstram que o país estaria consumindo 9,4% da soja que seria exportada. Referente a 2005, quando o país exportou 2.7 milhões de m³ de óleo de soja, a Petrobras teria que adquirir 256 mil m³ de do produto por ano no mercado brasileiro. Com esta mistura, o Brasil também deixaria de importar 10% de diesel. Em 2005, a importação do derivado foi de 2,5 milhões de m³ a um valor de US$ 90 o barril. Para a aplicação em cinco refinarias com 5%, a Petrobras teria que adquirir 15,5% da produção nacional de óleo de vegetal.

Como principais benefícios resultantes do h-biodiesel, o diretor Costa destaca o impacto social em função do grande incentivo ao aumento de produção de oleaginosas e a redução da importação do diesel.

Questionado sobre a preocupação em relação à instabilidade da agroindústria no que se refera a safras e climas, Costa observa que este ambiente é menos instável do que o mercado petrolífero internacional de onde vem parte do diesel nacional.

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