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PDVSA questiona preço de refinaria da Petrobrás

Agência Estado
12/07/2011 17:38
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A estatal venezuelana Petróleos de Venezuela (PDVSA), que negocia parceria com a Petrobrás na refinaria Abreu e Lima (Pernambuco), questiona internamente a petroleira brasileira sobre o valor da obra, segundo fontes ligadas ao processo. Extraoficialmente, o custo da refinaria já atinge US$ 14,4 bilhões; oficialmente a última revisão orçamentária, de 2009, apontou US$ 13,36 bilhões.

Por meio de documentos que circulam entre dirigentes das duas empresas, a PDVSA, que ainda aguarda decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre o pedido de financiamento dos 40% que pretende assumir na obra, sugere que o custo da refinaria está mais alto do que deveria.

Segundo informações, a PDVSA propôs à Petrobrás a contratação de uma consultoria internacional independente para auditar o custo da refinaria, fixado em US$ 4,5 bilhões em 2006, quando começaram os entendimentos para a parceria inédita na área de refino.

Os questionamentos da PDVSA começaram em 2008, quando a obra foi reavaliada e o custo subiu para US$ 10 bilhões. No ano seguinte, três revisões consecutivas elevaram o orçamento para US$ 11,9 bilhões, US$ 12,6 bilhões e US$ 13,36 bilhões. Recentemente, a venezuelana - que não participa do planejamento orçamentário da obra - foi informada sobre a nova previsão, de US$ 14,4 bilhões.

A estatal brasileira, que vem investindo sozinha no projeto, para o qual já destinou R$ 7 bi, estipulara prazo até agosto deste ano para que a venezuelana aporte recursos na construção. Em entrevistas, o diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, tem reiterado que a obra ainda não recebeu qualquer quantia da Venezuela.

Processos distintos. De acordo com declarações de Costa, após agosto será praticamente inviável seguir com o projeto inicial, que prevê processos distintos para o refino dos óleos brasileiro e venezuelano, por causa do teor diferenciado de enxofre dos dois produtos.

A PDVSA questiona até mesmo o valor do equipamento necessário ao processamento do óleo com mais enxofre, estimado em US$ 400 milhões pela Petrobrás. Essa adequação da refinaria, pela avaliação de técnicos venezuelanos, ficaria entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.

Pelo combinado, o Brasil assumiria 60% dos gastos e a Venezuela, o restante. A sociedade seria confirmada quando a PDVSA ingressasse com os recursos, o que ainda não ocorreu. Ela tem de apresentar garantias reais para que o BNDES faça o empréstimo de R$ 10 bilhões.

O banco já recusou duas propostas de garantia. Primeiro os ativos da empresa no Brasil (um escritório e uma rede pequena de distribuição). Na segunda, a companhia apresentou o aval do banco estatal venezuelano de fomento. Agora, o BNDES examina garantias avalizadas pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco.

Segundo a Petrobrás, 35% da obra já está concluída. Ela começou no Complexo Industrial Portuário de Suape só com dinheiro da Petrobrás, que já investiu R$ 7 bilhões. Pelo acordo, a refinaria processará 230 mil barris por dia. Metade deles produzido na Bacia de Campos (RJ) e metade na Venezuela.
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