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PDVSA não recebeu por quase metade do petróleo produzido em 2011

Agência Reuters
29/05/2012 16:45
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A companhia estatal de petróleo da Venezuela PDVSA não foi paga diretamente por quase metade do óleo cru que produziu no ano passado devido a acordos preferenciais com países aliados, colocando mais pressão sobre suas finanças em meio ao declínio de preços e pesados subsídios locais.

A 'Reuters' analisou dados publicados no mês passado pela PDVSA, o motor fiscal da política socialista do presidente Hugo Chavez, que mostra que a empresa não recebeu diretamente pagamentos de 43% de seus barris de petróleo e derivados em 2011. Isto levou a atrasos de pagamentos de fornecedores e colocou parte dos planos de investimento em espera.

Isto provavelmente está adicionando pressão sobre grandes empresas estrangeiras como a norte-americana Chevron, a espanhola Repsol e a italiana Eni, que têm parceria com a PDVSA para desenvolver as enormes reservas de óleo extra-pesado, no Orinoco, Venezuela.

A dívida da PDVSA saltou 40%, para aproximadamente US$ 35 bilhões no ano passado - débitos com fornecedores atingiram o recorde de US$ 12,4 bilhões - no momento em que a empresa estava dobrando suas contribuições ao governo de Chavez para quase US$ 50 bilhões.

Tudo isso acontece em meio à queda dos preços do petróleo, que estão aumentando a pressão sobre o peculiar modelo de financiamento da PDVSA.

"O problema não é 2012. O que vai dificultar será 2013", disse Roger Tissot, especialista em energia do Instituto das Américas da Universidade da Califórnia. "Se os preços caírem abaixo de US$ 90, a situação fiscal da Venezuela se tornará muito complicada", completou ele.

No centro dos mais recentes problemas da PDVSA, cresce o número de acordos controversos de exportação a fim de fornecer petróleo em condições preferenciais, incluindo troca de combustível por alimentos e outros produtos, bem como as políticas governamentais sobre os preços domésticos.

A proporção de petróleo venezuelano e derivados que não foi paga em dinheiro subiu de 32% em 2009 para 36,5% em 2010, antes de atingir o nível recorde do ano passado.

Chávez, que é candidato à reeleição em outubro, apesar de sofrer de câncer, tem elevado sua influência no exterior, oferecendo petróleo em troca de crédito e outros bens e serviços para nações da Ásia, América Latina e do Caribe.
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