Investimento

Parceria entre russos e Petrobras vai investir US$ 1 bilhão no Brasil

Valor Econômico
17/11/2004 00:00
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Um acordo de mais de US$ 1 bilhão será assinado entre um consórcio de empresas russas de energia e a Petrobras, na segunda-feira (22/11), pelos presidentes Vladimir Putin e Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília. O acordo é abrangente e prevê, entre outras operações, a construção de uma refinaria de petróleo no Brasil, com equipamentos e tecnológica da Rússia.
"As orientações gerais já estão bem definidas", disse ao Valor Ara Abramyan, presidente da Tessa, que participa do consórcio com a Zarubejneft, e presidente do Conselho Empresarial Brasil-Rússia. "O acordo é de longo prazo e inicialmente terá investimento das empresas que compõem o consórcio."
O empresário, que está em São Paulo para as atividades de preparação da visita do presidente Putin, também confirmou que existe uma negociação entre os dois países para solução da licitação de US$ 700 milhões para a aquisição de 12 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). A decisão deve ser tomada na sexta-feira, quando autoridades russas visitarem a Embraer, em São José dos Campos (SP).
A fabricante russa de aviões militares Sukhoi está na disputa com a Embraer para a licitação dos caças. Se a Sukhoi vencer a disputa, o governo russo ofereceria ao Brasil um pacote de benefícios, como a possibilidade de construção de uma fábrica da Embraer na Rússia e a de uma fábrica da Sukhoi no Brasil. "É bom destacar que de um lado seria avião militar e de outro avião civil", afirmou.
O interesse da Rússia em aviões civis pequenos com até 50 lugares é grande. "A Rússia não tem este modelo de avião. Nosso país está interessado e não se trata de concorrência", prossegue. O Valor apurou que a Rússia pretende que a Embraer produza cerca de 30 e 40 aviões de passageiros por ano.
A proposta de montar uma fábrica da Sukhoi no Brasil também é bastante viável. Fontes do setor avaliam que uma fábrica deste porte envolveria investimento de cerca de US$ 800 mil. "Podemos trabalhar na área de montagem, manutenção, e de muitas tecnologias. Também há discussões para o fornecimento de peças para a Embraer", comentou Abramyan.
Ara Abramyan é um dos empresários mais influentes e ricos da Rússia. Seu patrimônio começou a formar-se a partir de 1994, quando fundou a Concord, que logo se transformou num conglomerado de empresas com diversos interesses - diamantes, construção civil, química, editorial, energia e transporte aéreo. Antes havia sido diretor-geral da Neyron, uma estatal da ex-URSS.
De acordo com Abramyan, empresas de seu conglomerado têm interesse em investir no Brasil e na América Latina. A Tesa não deve se deter apenas ao acordo com a Petrobras. "Estamos participando de muitas conversações. Tenho uma empresa que exporta fertilizantes para o Brasil e temos a proposta de realizar uma joint-venture entre brasileiros e russos na Rússia", adianta.
O empresário avalia que a questão do embargo à carne deverá ser solucionada pelos técnicos russos que estão no país. No entanto, admite que a proposta do presidente José Alencar de substituir o atual sistema de cotas de importação de carnes por tarifas, encaminhada ao governo russo em sua visita ao país, no mês passado, é uma possibilidade que está em estudo.
"Temos de dar maior liberdade para o comércio internacional. O Estado vai controlar tanto as cotas como as tarifas. Mas certamente as tarifas dão maior liberdade para as negociações. A cota é uma cota. É algo fechado", observou.
Abramyan, um dos empresários mais próximos do presidente Valdimir Putin, defende todas as ações da Rússia e do Brasil para sua integração ao mercado global. "Acho que o Protocolo de Kyoto é positivo, apesar de seus lados negativos, visto por alguns setores produtivos. Mas não podemos nos afastar das questões internacionais", afirmou.
A entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC), prevista pelo governo para ocorrer no próximo ano, será um salto importante. "Temos de mostrar que nossos produtos são de alta qualidade. O isolamento e o subsídio do Estado não são boas alternativas. Nós defendemos sempre iniciativas internacionais."
Como empresário, Abramyan se diz contra a interferência do Estado no mundo empresarial. Analistas e agências de classificação de risco avaliam que as ações do governo russo no escândalo da Yukos - gigante do petróleo que tem dívida de mais de US$ 7,5 bilhões com os cofres públicos - é um atentado à livre-iniciativa.
"Para os investidores estrangeiros essa história é muito importante. Hoje é a Yukos, amanhã pode ser outra", disse. "Houve erros na privatização e alguém tem de responder por estes erros. Mas tem de ser feita uma avaliação da Yukos o mais rápido possível", concluiu.

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