Combustíveis

País precisa garantir oferta futura de álcool

Valor Econômico
03/12/2004 00:00
Visualizações: 737

Para o Brasil, não basta ser o maior produtor mundial de álcool e açúcar, ter a maior lavoura de cana do mundo, nem deter a melhor tecnologia para produção e utilização de álcool combustível. O mercado internacional, cuja demanda por combustíveis renováveis aumenta a cada dia, vai exigir do Brasil e de outros países produtores garantia de continuidade de suprimento. Ter álcool disponível para atender à demanda mundial será um dos maiores desafios do governo e do setor sucroalcooleiro. Essa foi uma das principais conclusões do seminário "O Brasil e a Energia do Século 21: Açúcar e Etanol", promovido pelo Valor, Ministério das Relações Exteriores e União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), ontem em Brasília.
Os países que começam a misturar álcool à gasolina para reduzir a emissão de poluentes vão cobrar do Brasil a continuidade do fornecimento para que estas políticas sejam duradouras. "O nosso grande desafio será mostrar ao mundo que nós somos fornecedores confiáveis", disse o deputado José Thomaz Nonô (PFL/AL). Os produtores brasileiros aceitam o desafio, mas também exigem compromissos por parte dos compradores. "Se houver contratos de fornecimento de longo prazo, nós estamos prontos para fornecer o combustível de forma duradoura e confiável. Só não vamos vender álcool no mercado `spot` para alguém guardar na prateleira e vender depois", afirmou o presidente da Única, Eduardo de Carvalho.
Carvalho informou que a abertura de novos mercados para o álcool vai representar, até 2010, uma demanda adicional de 10 bilhões de litros, o que significa quase quintuplicar o volume que será exportado este ano, de 2,2 bilhões.
O representante das usinas cobrou do governo a definição de um plano estratégico para o setor, envolvendo o mercado interno e as exportações. Também cobrou uma definição clara da matriz energética e a criação de estoques reguladores, já previstos em lei, lembrando que a cana-de-açúcar é uma cultura sujeita às variações climáticas que afetam a produção e os preços. "A volatilidade do preço do álcool é indesejável", afirmou.
A estrutura tributária que pesa sobre o álcool também foi citada como um dos empecilhos para o pleno desenvolvimento do setor. O deputado Virgílio Guimarães (PT/MG), relator do projeto de Reforma Tributária que está parado na Câmara aguardando votação, afirmou que o sistema tributário atual é "anti-etanol". Segundo ele, uma das maiores distorções está na cobrança do ICMS na origem, quando todos os derivados de petróleo são cobrados no destino.
As alíquotas mais altas em relação aos combustíveis fósseis também discriminam o álcool. "Nenhum combustível bioderivado pode ter uma alíquota maior que a menor alíquota cobrada dos derivados de petróleo. Para ter um mercado interno de álcool forte, os Estados vão ter que se adaptar", afirmou Guimarães, informando que a Reforma Tributária tem condições de corrigir essas distorções.
Os números apresentados no seminário mostram que vale a pena investir na abertura dos mercados mundiais para o biocombustível brasileiro. Pressionados pela opinião pública e pela necessidade de adaptação ao Protocolo de Kyoto, que entra em vigor em fevereiro do ano que vem, vários países já estão adequando suas legislações para estimular o uso de combustíveis renováveis. Como os principais mercados (União Européia, EUA e Japão) ainda impõem barreiras às importações de etanol, o setor privado espera que a diplomacia brasileira seja mais eficiente nas negociações com esses países.
Segundo Plínio Nastari, diretor-presidente da Datagro Publicações, só o Japão demandará quase 12 bilhões de litros por ano quando entrar em vigor a exigência de mistura de biocombustíveis à gasolina e ao diesel. A Coréia do Sul deverá seguir o exemplo japonês e exigir a adição de até 10% de etanol na gasolina, o que vai representar uma demanda adicional de quase 2 bilhões de litros/ano. Na China, o objetivo é reduzir as emissões de poluentes até os Jogos Olímpicos de 2010, abrindo um mercado potencial de 2,8 bilhões de litros/ano.
Com capacidade de transporte e armazenagem de 3,6 bilhões de litros por ano e novos investimentos em curso, Nastari não vê grandes riscos para os exportadores. "Não se antecipa um apagão logístico".

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Royalties
Valores referentes à produção de agosto foram distribuíd...
28/10/26
RenovaBio
Instituto Totum certifica produção de etanol da Diana Bi...
27/10/26
GNL
Edge e Compagas avançam em projeto de GNL para ampliar o...
27/10/26
Energia Elétrica
Abraceel inaugura autorregulação para reforçar segurança...
27/10/26
Mato Grosso
Além do agro, Sinop amplia espaço para serviços e novos ...
26/10/26
Pré-Sal
PPSA realiza 10º Leilão Spot na próxima quarta-feira
26/10/26
Etanol
IA ajuda Raízen a antecipar riscos e combater incêndios ...
23/10/26
Descomissionamento
Painel dinâmico traz novas funcionalidades sobre ativida...
23/10/26
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25