COP27

"País precisa adotar plano consistente de descarbonização da economia", diz presidente da CNI

"País precisa adotar plano consistente de descarbonização da economia", diz presidente da CNI
16/11/2022 06:21
"País precisa adotar plano consistente de descarbonização da economia", diz presidente da CNI Imagem: Divulgação Visualizações: 1828

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade (foto), defendeu a adoção de um plano consistente para que o país reduza as emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, promova o crescimento sustentável do Brasil. Em discurso realizado nesta terça-feira (15) para representações empresariais brasileiras e estrangeiras, parlamentares e autoridades, no Egito, o dirigente destacou que a CNI tem incentivado iniciativas empreendedoras e atuado junto ao governo para avançar na transição para uma economia de baixo carbono. Para isso, estabeleceu uma estratégia nacional que se baseia em quatro pilares - transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação florestal.

"A indústria brasileira, que sempre desempenhou um papel relevante no desenvolvimento do país, é essencial para ampliar os investimentos em tecnologias limpas, criar soluções voltadas à consolidação de uma economia de baixo carbono e criar empregos de qualidade", disse. "Nossas propostas para essas áreas vêm sendo amplamente discutidas com o setor produtivo, com os governantes e com representantes de outros segmentos da sociedade. A expectativa da indústria é que as sugestões sejam consideradas nos projetos do governo eleito, ajudando o país a superar as adversidades e a avançar nos próximos quatro anos", destacou.

O encontro Diálogo Empresarial para uma Economia de Baixo Carbono acontece em paralelo à programação da 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, a COP27. O objetivo do evento, promovido em parceria com a Câmara de Comércio Internacional (ICC, na sigla em inglês), é discutir as oportunidades de negócios e de investimentos voltados à descarbonização da economia brasileira. Participaram da abertura o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, o ministro do Tribunal de Contas da União, Benjamin Zymler, e o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Osmar Chohfi.

Retomada do crescimento econômico e combate à mudança climática
O presidente alertou que, diante dos riscos de uma nova recessão global, as ações de combate às mudanças do clima devem ser combinadas com medidas que estimulem a retomada do crescimento econômico sustentado em todo o mundo. E medidas unilaterais que visam à imposição de barreiras ambientais ao comércio internacional podem causar prejuízos às exportações brasileiras.

"Recuperar a economia e, ao mesmo tempo, cuidar do meio ambiente são imprescindíveis para a redução das desigualdades sociais e para garantir o bem-estar da população. As medidas necessárias devem atingir, principalmente, os setores produtivos menos organizados e os fabricantes de produtos com baixa intensidade tecnológica, que são os mais vulneráveis às adversidades econômicas e climáticas. As restrições também podem afetar os preços de matérias-primas e insumos, elevando os custos dos segmentos que dependem de importações", apontou.

Energia limpa e produção de alimentos destacam país no cenário global
Dar respostas adequadas e eficazes aos desafios climáticos é especialmente importante nesse momento em que os problemas trazidos pela pandemia da Covid-19 e pela guerra na Ucrânia exigem ações efetivas e urgentes para garantir a segurança alimentar e afastar o risco de desabastecimento de energia. Segundo o presidente da CNI, o Brasil reúne as condições necessárias para ser um dos líderes do esforço global que busca a superação desses obstáculos e a transição para a economia de baixo carbono.

Entre as principais vantagens do país estão o potencial para ampliar a capacidade de geração de energia limpa e a competitividade brasileira em temos de produção de alimentos. Além disso, o Brasil vem desempenhando um papel relevante nas negociações do Acordo de Paris, o pacto multilateral que visa controlar o aumento da temperatura do planeta. Essa posição de destaque, pontuou o dirigente, é resultado de iniciativas e de políticas que, há muitos anos, vêm sendo adotadas pelo setor governamental brasileiro e pelas empresas.

Para que consiga elevar ainda mais o percentual de participação de fontes renováveis na matriz energética (que atualmente está em cerca de 45% e é uma das mais limpas do mundo), o país conta com a promissora produção de hidrogênio verde, o desenvolvimento de parques eólicos em alto-mar para produção de energia a partir da força do vento e o fortalecimento do programa de biocombustíveis.

"O Brasil foi pioneiro no desenvolvimento e no uso de biocombustíveis, provando que é possível combinar a produção de combustíveis renováveis e de alimentos com o respeito ao meio ambiente. O programa RenovaBio, que é modelo para o mundo, estabelece metas de descarbonização do setor e tem contribuído para o aumento da oferta de energia sustentável no país", disse Andrade.

Diálogo entre setor público e privado em prol dos compromissos climáticos
O presidente da CNI defendeu ainda o diálogo permanente entre os setores público e privado sobre as políticas de meio ambiente e os compromissos climáticos que devem ser assumidos pelos países na COP27.

Os relatórios da Organização das Nações Unidas e do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas destacam que o mundo precisa enfrentar com urgência dois importantes desafios. O primeiro é a transformação dos modelos de produção e dos hábitos de consumo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e conter o aquecimento global. O outro é a adoção de medidas voltadas à adaptação e ao aumento da resiliência dos países aos devastadores impactos de tempestades, enchentes, secas e outros eventos extremos causados pelas mudanças climáticas.

Também destacou a importância de uma legislação abrangente de instrumentos de controle e monitoramento avançados para garantir a conservação das florestas e da biodiversidade. São medidas essenciais para que que o país possa garantir a proteção necessária ao capital natural, em que se destacam a rica biodiversidade e a Amazônia.

"Estou certo de que o setor industrial, que vem fazendo investimentos expressivos em ações sustentáveis, continuará contribuindo para o cumprimento dos compromissos assumidos pelo país no Acordo de Paris e para a construção de um futuro melhor para todos os brasileiros", disse.

Participação da CNI na COP27
A CNI está na COP27 para apresentar a estratégia de sustentabilidade do setor industrial, compartilhar iniciativas do setor produtivo que buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa e contribuir com as discussões para que o Brasil e o mundo avancem em direção a uma economia de baixo carbono. Nesta quarta-feira (16), a realizará no pavilhão da COP o Brazilian Industry Day, para aprofundar o debate acerca dos quatro pilares de sustentabilidade da indústria e apresentação de experiências bem-sucedidas das empresas brasileiras.

O evento contará com a participação de representantes de indústrias e entidades do setor, que apresentarão experiências bem-sucedidas de ações na agenda climática. Acompanhe ao vivo, diretamente da COP27, pelo YouTube da CNI, a partir das 9h.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gen z + Cultura
Geração Z muda a dinâmica da liderança e desafia empresa...
13/10/26
Saúde e Bem-estar
Dia Mundial da Saúde Mental: por que falar sobre o tema ...
12/10/26
Saúde e Bem-estar
Dia Mundial da Saúde Mental: quase 73% das menções a "an...
09/10/26
Saúde e Bem-estar
Outubro Rosa amplia debate sobre prevenção e saúde emoci...
09/10/26
Comunicação + RH
Binatural está entre as 70 melhores empresas para se tra...
08/10/26
Comunicação + RH
Fim da métrica do "curso concluído": Coursera e Udemy an...
08/10/26
Saúde e Bem-estar
Cientistas de Estados Unidos e da Alemanha levam Nobel d...
06/10/26
Biometano
Corredor Verde com 100 caminhões a biometano e pontos de...
02/10/26
Saúde e Bem - Estar
Redução da atividade física cotidiana se transforma em n...
30/09/26
Sustentabilidade
Prêmio Firjan de Sustentabilidade: conheça as empresas e...
29/09/26
Etanol de milho
Produtores de etanol de cana investem em usinas híbridas...
29/09/26
ROG.e 2026
Vencedor do RSE Award e destaque na ROG.e, o Programa de...
28/09/26
Campanha
Campanha usa 730 balões para dar dimensão à fila de tran...
25/09/26
ROG.e 2026
IBP lança caderno de Projetos e Iniciativas de Responsab...
23/09/26
Inclusão Social
Jogos Regionais Nordeste das Olimpíadas Especiais Brasil...
22/09/26
IA + Segurança
FITec Labs desenvolve Inteligência Artificial que não ex...
19/09/26
Saúde e Bem-estar
Fim da suspensão de multas da NR-1 aumenta pressão sobre...
18/09/26
Saúde e Bem - Estar
Tecnologia a serviço da saúde: 361º apresenta nova famíl...
17/09/26
Saúde e Bem - Estar
Empresas ampliam atenção à saúde mental e reforçam deman...
17/09/26
Arte e Cultura
DISRUPTalks lança três novos volumes de Empreendedores d...
17/09/26
Saúde e Bem-estar
Dia Mundial da Segurança do Paciente
17/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25