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Odebrecht mira setor de petróleo para crescer no exterior

Com novos contratos que somaram quase US$ 4 bilhões em sua carteira de pedidos nas últimas duas semanas, a empresa de engenharia e construção para indústrias do grupo brasileiro Odebrecht está colocando em prática uma política de expansã

Valor Econômico
10/10/2012 08:06
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Com novos contratos que somaram quase US$ 4 bilhões em sua carteira de pedidos nas últimas duas semanas, a empresa de engenharia e construção para indústrias do grupo brasileiro Odebrecht está colocando em prática uma política de expansão em território internacional. Só nos Estados Unidos, onde a companhia vai reforçar sua atuação em refinarias de petróleo, o plano é elevar o faturamento a US$ 1 bilhão até 2015.

Marcio Faria, presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, diz que já no começo do ano que vem a companhia começará a criar equipes para prospectar clientes do setor de óleo e gás em território americano, onde em 2011 faturou menos de US$ 200 milhões. O primeiro contrato do tipo nos EUA deve surgir ainda em 2013, prevê Faria. Hoje, o grupo executa obras na Refinaria de Pasadena, da Petrobras, no Estado do Texas - mas o contrato não fica no guarda-chuva da empresa liderada por Faria.

O alvo em território americano nesse setor é o estado do Texas, casa de inúmeras indústrias petrolíferas e onde o grupo Odebrecht estabeleceu unidades locais de sua empresa petroquímica, a Braskem. Empresas como Exxon Mobil são citadas por Faria como exemplos de potenciais clientes.

O crescimento da empresa nos Estados Unidos vai ser impulsionado também por um redesenho interno na organização do grupo neste ano, que colocou todas as operações da Odebrecht USA sob a empresa liderada por Faria. Por isso, contratos de infraestrutura para o poder público americano também passaram a ser vistos como prioridade pela empresa. Faria elege as rodovias como a principal fonte de contratos futuros.

Nas últimas semanas, a companhia já teve uma amostra desse potencial de negócios, ao conquistar o contrato de engenharia e construção de 60 quilômetros de rodovias nos arredores de Houston, no Estado do Texas. O contrato, assinado em parceria com a construtora americana Zachry, é considerado por Faria um "marco" na atuação do grupo naquele país. O valor é de US$ 1,03 bilhão, podendo chegar a US$ 1,1 bilhão caso o estado contrate serviços adicionais, como manutenção.

Além do Texas, a companhia deve concentrar sua atuação em dois outros estados. Em maior peso, na Flórida - que já reúne a maior parte dos contratos em execução naquele país. O empreendimento imobiliário Airport City, diz Faria, deve começar a ter obras em execução já no primeiro semestre de 2013. O projeto, que vai receber investimentos de US$ 500 milhões por parte do grupo brasileiro, conforme já publicado pelo Valor, ainda depende da permissão das autoridades locais.

A companhia também deve direcionar a atuação na Luisiana, onde atualmente executa obras de contenção de enchentes em Nova Orleans. "Estávamos muito concentrados na Flórida, e temos condições de expandir", diz Faria.

Apesar do plano já definido de expansão em território americano, a Odebrecht Engenharia Industrial está presente em outros países. No México, por exemplo, a companhia divulgou na última semana que firmou com a Braskem um contrato de US$ 2,7 bilhões em parceria com as construtoras ICA- Fluor e Technip para obras de um complexo petroquímico no Estado de Veracruz. A construção envolve três unidades de produção de polietileno e um "cracker" com capacidade para produzir mais de um milhão de toneladas ao ano.

No Brasil, a empresa foi responsável pela modernização do Terminal Aquaviário de Santos (SP) e pela Unidade de Propeno da Revap, em São José dos Campos (SP), para a Petrobras. Também construiu a unidade de polipropileno da Braskem em Paulínia (SP). Em Salvador, na Bahia, formou uma joint venture com OAS e UTC para a implantação do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP).

Faria calcula que, com novos contratos e a entrada da Odebrecht USA na consolidação das receitas, a empresa eleve o faturamento em 47% em 2012. Nos próximos anos, prevê, a expansão seria de 10% anuais. Segundo relatório de 2011, a Odebrecht Engenharia Industrial fatura R$ 3,18 bilhões.

Tendo como base o ranking elaborado pela revista "O Empreiteiro" com dados de 2011, a receita bruta registrada colocaria a Odebrecht Engenharia Industrial como a sexta maior construtora do país - em uma lista liderada pela Construtora Norberto Odebrecht, do mesmo conglomerado, com R$ 6,1 bilhões de faturamento em 2011 (segundo os dados coletados pela revista).

Faria calcula um faturamento ainda maior, incluindo participações em negócios liderados por companhias irmãs no grupo. Com esse critério, defende, o faturamento da Odebrecht Engenharia Industrial seria de R$ 6 bilhões e a tornaria a segunda maior do país.
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