Empresas

Odebrecht ganha força na área de construção

Valor Econômico
11/06/2012 10:45
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Ao direcionar a atuação para América Latina e África nos últimos anos, a Construtora Norberto Odebrecht aproveitou o boom de projetos de infraestrutura nas regiões e acumulou uma carteira de pedidos que superou a marca de US$ 30 bilhões ao fim do primeiro trimestre. Paralelamente à expansão dos negócios de obras pesadas, a maturação dos outros ramos de atuação do grupo - e a consequente menor necessidade de aportes por parte da construtora nas outras empresas - está fazendo com que haja cada vez maior disponibilidade de caixa, o que garante a presença em obras de maior complexidade e prazo de conclusão.

A empresa, que originou o conglomerado Odebrecht ainda é a principal geradora de receitas depois do setor petroquímico, serviu por muitos anos como instrumento de alavancagem para as outras companhias do grupo.

Com a maturidade atingida pela atuação em outros segmentos de negócio - como óleo e gás, petroquímica, saneamento e etanol -, a construtora tem cada vez menos necessidade de repassar seu caixa para a alavancagem de outros setores. Segundo o diretor financeiro da Norberto Odebrecht, Jayme Fonseca, a empresa tem agora a oportunidade de ficar com a totalidade do caixa gerado e aumentar ainda mais sua liquidez.

Além do caixa de R$ 6,7 bilhões ao fim de 2011, a construtora já registra carteira de pedidos firmes (o chamado "backlog") de US$ 33,7 bilhões ao fim de março, o que é receita certa para os próximos anos. Segundo a agência de classificação de risco Standard & Poor's, esse número já seria suficiente para a empresa sustentar seu perfil de crédito por "diversos anos". O endividamento medido pela relação dívida total sobre Ebitda está em 2,4 vezes, conforme relatório da agência.

Com essa liquidez, diz Fonseca, a empresa garante mais conforto para estar presente em projetos complexos e de maior prazo de finalização. Alguns exemplos desse tipo de empreendimento são a Usina Hidrelétrica de Santo Antônio (projeto com investimentos totais em torno de R$ 16 bilhões), a nova ferrovia Transnordestina (cujos aportes podem chegar a R$ 6,8 bilhões) e a construção de submarinos para a marinha brasileira.

Mesmo com o conforto financeiro, Fonseca vê com cautela a entrada em determinados projetos, como o trem de alta velocidade, cujo edital de licitação está sendo elaborado pelo governo e deve ser publicado até o fim do ano. Para o diretor, a obra ainda tem obstáculos. "É um projeto caro", resume.

Enquanto ainda restam dúvidas sobre a participação da companhia no projeto, Fonseca elenca outros tipos de empreendimentos considerados de grande rentabilidade pela companhia. Segundo ele, os que devem trazer maior retorno nos próximos anos são os de portos e ferrovias.

O diretor ainda cita as rodovias como tipos de projetos que proporcionam as melhores margens, mesmo com a competição acirrada já verificada nos últimos leilões do governo federal. O segmento tem cada vez mais interessados e os preços de tarifa (ofertados pelas companhias nas disputas) são frequentemente baixos, o que força uma economia com custos - principalmente o de construção. No último leilão federal, por exemplo, a vencedora EcoRodovias arrematou a concessão da BR-101 ao oferecer uma tarifa com deságio de 45% em relação ao preço inicial.

Em meio à competição, Fonseca defende a presença do grupo e, consequentemente, da construtora, em projetos de rodovias mais complexos e de maior prazo de maturação. Ele cita o caso da Rota das Bandeiras, empresa do grupo responsável pela administração do Corredor Dom Pedro I, que passa por cidades como Jundiaí, Campinas e Paulínia.

A construtora respondeu anualmente por cerca de um terço do faturamento do grupo Odebrecht nos últimos 10 anos. A exceção ocorreu em anos de crise, como 2009, quando a participação da área foi de 46%.
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