Dia Internacional da Mulher

O mar é delas: a luta feminina por protagonismo no setor naval

Histórias reais que revelam os desafios e as conquistas de mulheres que decidiram ocupar novos espaços.

Redação TN Petróleo/Assessoria Camorim
05/03/2026 12:34
O mar é delas: a luta feminina  por protagonismo no setor naval Imagem: Divulgação Visualizações: 1689

Durante décadas, o setor naval foi associado a uma presença majoritariamente masculina. Do convés à casa de máquinas, dos estaleiros ao alto-mar, esses espaços foram ocupados quase exclusivamente por homens. Hoje, esse cenário começa a mudar e essa transformação tem nome, rosto e história.

A presença feminina no setor marítimo ainda enfrenta desafios estruturais, culturais e históricos. No entanto, cada vez mais mulheres vêm assumindo funções estratégicas e operacionais, provando que competência e capacidade técnica não têm gênero. A luta por protagonismo vai além da simples ocupação de espaços: trata-se da consolidação de uma atuação reconhecida, valorizada e respeitada.

Considerada um hub 360° de navegação, a Camorim Serviços Marítimos acompanha esse movimento de transformação em diferentes áreas de suas operações. Em um setor em constante evolução, a empresa amplia a presença feminina tanto em funções operacionais quanto administrativas, fortalecendo um ambiente mais diverso.

É nesse contexto que surgem histórias reais de profissionais que decidiram redefinir o futuro do setor naval. 

Mulheres que navegam

Algumas histórias começam longe do mar, mas encontram nele um novo rumo. Esse é o caso de Luciene da Costa Doria (foto), Marinheira de Máquinas da Camorim que, desde 2012, abraçou essa profissão. Atualmente, a marinheira presta apoio ao segmento de offshore em Santos (SP). A cada 28 dias embarcada, retorna para Aracaju (SE), onde divide a vida com sua mãe e seu filho. Mas nem sempre sua realidade foi assim. 

"Comecei como recepcionista de hotel e depois fui gerente do restaurante do hotel. Nessa época, conheci marinheiros que me falaram da possibilidade de fazer o concurso para a Marinha Mercante, onde mulheres oficiais são mais comuns. Mas mulheres na parte mais operacional, como eu trabalho, ainda são poucas", explicou. 

A decisão trouxe ganhos financeiros, crescimento pessoal e novos sonhos. Agora, Luciene mira mais alto: quer se tornar condutora de máquinas e, futuramente, oficial.

"Quero chegar a oficial. Quando escolhi essa profissão, nem sabia nadar. Minha mãe disse que essa história tinha tudo para dar errado, mas deu certo. Hoje, sou muito feliz no que faço. Todos que me conhecem sabem da minha capacidade", acrescenta Luciene. 

Se Luciene encontrou na navegação uma virada de chave, Cristiane Souza também está construindo sua própria travessia. Eletricista na Camorim, ela é a única mulher na atual turma do curso de Moço de Máquinas oferecido pela empresa aos colaboradores diretos e indiretos.

Desbravar ambientes predominantemente masculinos, para Cristiane, não é novidade. Ainda jovem, ajudava o avô marceneiro. Mais tarde, iniciou o curso de eletrotécnica e encontrou na Camorim a oportunidade de ingressar como estagiária. O empenho abriu portas: veio a efetivação e, em seguida, a vaga no curso realizado em parceria com o IMAPOR.

"Ingressei na Camorim em maio do ano passado e fiquei muito feliz quando conquistei a vaga no curso de moço de máquinas. Essa é a oportunidade que tenho de realizar o sonho de trabalhar na carreira do mar. Trabalho das 7h às 16h40. E faço o curso das 17h às 22h. Mas saio de casa muito contente, com a certeza de que estou no caminho certo", revela Cristiane. 

Para outras mulheres que sonham com profissões de forte presença masculina, ela recomenda que acreditem em sua capacidade. "Muitas pessoas se espantam de ver como carrego um motor, troco correias, atividades consideradas exclusivas de homens por causa da força. Mas temos capacidade para fazer o que quisermos. Basta acreditar, estudar e ter muita dedicação", completa a eletricista.  

Quando o desafio chega ao escritório

Fora das manobras, nos escritórios o cenário também exige firmeza e estratégia. O setor financeiro, especialmente em seus altos escalões, ainda é predominantemente masculino. Mas isso não intimidou Candice Frankel, Diretora Financeira da Camorim Serviços Marítimos.

Nomeada CFO da empresa, Candice construiu uma trajetória marcada por reinvenção e preparo constante. Embora tenha iniciado sua formação em Direito, sempre se identificou com a objetividade dos números. Após atuar na área tributária, decidiu ampliar seus conhecimentos: se formou em Contabilidade e, posteriormente, concluiu um MBA em Finanças. Ao longo da carreira, acumulou experiência em empresas ligadas à infraestrutura e logística, incluindo o setor de óleo e gás — segmentos historicamente masculinos.

"Sempre trabalhei em ambientes com pouca presença feminina na parte operacional e na parte financeira. Quando comecei, não tínhamos muitas referências em quem nos espelhar. Hoje, tenho consciência do meu papel diante da nova geração", ressaltou a diretora financeira Camorim. 

Para ela, o desafio não se resume à ocupação do cargo, mas à consolidação de uma voz ativa nos espaços de decisão. Nesse contexto, Candice Frankel lembra que, até hoje, quando lida com representantes de instituições do setor financeiro, a maioria dos cargos decisivos são ocupados por homens. Em muitas reuniões, a mulher precisa adotar estratégias diferenciadas para ser ouvida. 

"Muitas vezes, os homens tentam diminuir nossa opinião e passar por cima da gente. Mas, quando uma mulher participa do processo decisório surge espaço para um ponto de vista diferente que muitas vezes será crucial para encontrar a solução de problemas. Por isso, cada vez mais é relevante a presença de lideranças femininas, especialmente em áreas predominantemente masculinas", observa a CFO da empresa. 

No mar ou na mesa de negociações, essas trajetórias reforçam que o protagonismo feminino no setor naval está em constante movimentação.

Sobre a Camorim - A Camorim Serviços Marítimos é uma empresa 100% brasileira com 30 anos de atuação no setor marítimo nacional. Considerada um hub 360° na oferta de soluções completas em logística e navegação, a corporação emprega mais de 1.300 colaboradores. Com mais de 150 embarcações, possui um estaleiro em Niterói, onde opera um Terminal de Uso Privado (TUP). Além disso, atua nos portos do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará e Maranhão.  

Outras informações: https://camorim.com.br/ 
 

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