Petrobras
O Estado de S.Paulo
O peso da Petrobrás nos investimentos estatais será ainda maior nos próximos anos. Os R$ 112 bilhões que a empresa planeja investir até 2011 (já incluídos os recursos de 2007) serão revistos para cima, por causa das recentes descobertas na chamada “camada de pré-sal”.
As jazidas gigantes em regiões marítimas ultraprofundas exigem operações mais onerosas no processo de produção. Nem mesmo o retorno dos grandes projetos hidrelétricos, que terão a participação da Eletrobrás, serão capazes de alterar o nível dessa escala.
Em entrevista ao Estado no fim de 2007, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, revelou que a empresa está tocando 454 projetos com orçamentos acima de US$ 25 milhões. Ele também confirmou que as descobertas no pré-sal já estavam fazendo com que o planejamento estratégico fosse recalculado e voltou a defender a retirada da estatal do superávit do governo. Por causa das restrições impostas pelo Tesouro, a Petrobrás teve de manter em caixa no ano passado, intocados, cerca de R$ 12 bilhões.
“Isso não é a melhor maneira de rentabilizar os recursos da Petrobrás, que tem projetos que dão retorno maior do que a manutenção em caixa. Do ponto de vista de geração de receita futura, até para o governo, liberar para projetos que são rentáveis aumenta o retorno para o governo. Portanto, melhora as condições de o governo pagar a dívida. A desobrigação com o superávit é importante porque libera a empresa para projetos mais rentáveis”, diz Gabrielli.
A União é acionista controladora da Petrobrás, com 32,2% do capital. Além disso, o governo também está representado na fatia de 7,6% detida pela empresa de participações do BNDES, a BNDESPar. A Petrobrás tem ainda, cada vez mais forte, a presença estrangeira: os títulos negociados no exterior (American Depositary Receipts) já representam 31,1% do capital total, ou seja, encostam na parcela detida pela União.
Somente na recém-descoberta jazida de Tupi o mercado estima que a Petrobrás e seus parceiros invistam mais de US$ 10 bilhões. No início do ano, a estatal anunciou descoberta similar, também na Bacia de Santos, com potencial ainda não revelado.
Independentemente das megadescobertas, a estatal já planejava seguir em escalada crescente de investimentos, acompanhando o aquecimento internacional do setor. Esse quadro vem, até, trazendo obstáculos à empresa. Por causa dos custos inflacionados dos equipamentos no mercado externo, ela já teve de adiar projetos gigantes de produção, como os dos campos de Roncador e Marlim Sul, por causa das dificuldades de contratar plataformas.
Na próxima sexta-feira, a estatal deve divulgar o balanço financeiro de 2007 e revelar quanto em dividendos distribuirá aos acionistas. Ao governo, como controlador, caberá a maior parcela.
Fonte: O Estado de S.Paulo
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