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Marubeni planeja ampliar terminal em porto catarinense

Um porto ainda distante dos holofotes no Brasil, mas que ocupa o quarto lugar no ranking de escoamento de grãos, está no centro das atenções da gigante japonesa Marubeni. A companhia, que desde 2011 controla o Terlogs, um terminal marítimo de grãos em S&atil

Valor Online
21/01/2014 11:15
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Um porto ainda distante dos holofotes no Brasil, mas que ocupa o quarto lugar no ranking de escoamento de grãos, está no centro das atenções da gigante japonesa Marubeni. A companhia, que desde 2011 controla o Terlogs, um terminal marítimo de grãos em São Francisco do Sul, em Santa Catarina, traçou um plano de expansão que deve absorver investimentos da ordem de R$ 200 milhões, conforme antecipou o 'Valor'.

A obra, entretanto, ainda depende do sinal verde do governo federal. "Já temos a licença ambiental, mas ainda não recebemos do governo uma proposta a respeito de que modelo poderá ser utilizado para que o berço seja feito", afirma José Kfuri, presidente e CEO da operação de grãos e logística da Marubeni no Brasil.

O projeto envolve a construção de um novo berço (local de atracação de navios), o "401", que deve demandar de R$ 100 milhões a R$ 130 milhões. Atualmente, o porto conta com apenas um berço (o "101") para operar cargas a granel, que serve a três terminais graneleiros, entre eles o da Terlogs.

Conforme Kfuri, a obra dobraria o volume de grãos movimentado pela empresa no porto catarinense. Em 2013, a Marubeni embarcou 3,95 milhões de toneladas de grãos a partir de São Francisco do Sul - desse total, 3,5 milhões de toneladas pelo próprio Terlogs, e o restante por outro terminal.

O benefício da companhia japonesa com o investimento seria a preferência de atracação - o único berço hoje disponível está perto do limite. Uma vez que o modelo para a construção do berço seja definido, a previsão é que a obra seja concluída em 12 a 14 meses. "É uma obra que já está no fluxo do porto atual, próxima dos terminais já existentes. E com o volume que a Marubeni tem, pode ser rapidamente usufruído", observa Kfuri.

A empresa investirá também de R$ 85 milhões a R$ 95 milhões para erguer um novo conjunto de estruturas de estocagem no porto, que contará com três silos e uma capacidade estática de armazenagem de 182 mil toneladas - hoje, são 107 mil toneladas. Outros R$ 5 milhões devem ser aplicados na modernização dos trilhos da linha ferroviária que serve o porto (operada pela ALL), com o objetivo de permitir a descarga de mais vagões no Terlogs.

A progressiva ampliação no movimento de grãos em São Francisco do Sul é notória. Em 2011, o porto operava 4,78 milhões de toneladas, número que avançou para 7,8 milhões de toneladas no ano passado - e a Marubeni contribuiu com boa parte desse salto.

Em 2006, a múlti adquiriu 25,5% de participação no Terlogs. Cinco anos depois, comprou os 74,5% restantes e assumiu o controle do terminal, negócio que marcou a estreia da companhia no ramo de logística no país.

Até 2011, o terminal movimentava de 1,5 milhão a 1,8 milhão de toneladas por ano, com cinco a seis produtos diferentes. Mas naquele ano, a empresa optou por focar em um produto por vez durante a safra: inicialmente soja e milho a partir de agosto, quando os embarques da oleaginosa começam a cair. A decisão de reduzir a variedade de commodities recepcionadas no Terlogs abriu caminho para uma maior eficiência na operação, diz o executivo.

Segundo Kfuri, o salto na movimentação anual do Terlogs para a casa das 3,5 milhões de toneladas foi favorecido pela boa integração entre a logística interna e a externa - a Marubeni é a maior trading de grãos do Japão. "Casar bem isso, para uma operação portuária, é vital. Este ano, a meta é chegar a 4 milhões de toneladas", diz.

Os grãos movimentados pela Marubeni em São Francisco do Sul são provenientes de Santa Catarina, do Paraná, do norte do Rio Grande do Sul, de parte de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e até de Goiás. Apesar da estrutura mais enxuta, o menor tempo de espera para o carregamento do navio (em média de 5 a 6 dias) tem aumentado a atratividade do porto. "Em Paranaguá, já se chegou a 70 dias de espera, e em Santos, a 45 dias. E pagam-se valores elevados pela estadia do navio, entre R$ 25 mil e R$ 35 mil por dia", afirma.

Há quase 60 anos no país, a Marubeni atua em áreas tão diversas como energia, maquinários, fertilizantes e café. No segmento agrícola, ainda que o interesse pela área logística seja crescente, a negociação de grãos continua a ser o coração da empresa.

No ano passado, o braço de trading da Marubeni comprou no Brasil 10,3 milhões de toneladas de soja (equivalente a 24% do exportado em 2013) - o que, nas contas da companhia, a coloca como líder na importação da oleaginosa do país. De milho, o volume foi mais tímido, de 1,7 milhão de toneladas. Para 2014, a expectativa é movimentar de 11 milhões a 12 milhões de toneladas de soja e cerca de 2 milhões de toneladas de milho, quase tudo destinado à Ásia.

Apesar da elevada quantidade originada no país, não está no radar da empresa o investimento na produção agrícola. Atualmente, 30% do faturamento da Marubeni com grãos vêm do Brasil.
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