Empresas

Marinha e Petrobras unidas para modernizar escolas

O Globo - 21/03/2010
22/03/2010 11:24
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Da mesma forma que faltam engenheiros e técnicos para atender à demanda da retomada da indústria naval no país, oficiais da Marinha Mercante - responsáveis pelo comando e funcionamento dos navios - também têm sido cada vez mais disputados por empresas do setor. Segundo o Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar), a expectativa é de que 1.800 postos de trabalho sejam gerados para esse tipo de profissional, em todo o país, até 2015.

 

Para amenizar a falta de pessoal qualificado no mercado, os centros de instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga), em Olaria, e Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), no Pará - únicas escolas de formação de oficiais no Brasil - estão passando por um amplo projeto de revitalização. Desta forma, vão ampliar o quadro de vagas.

 

As mudanças começaram em 2005, com recursos próprios da Marinha. Em fevereiro do ano passado, a Diretoria de Portos e Costas (DPC) da instituição assinou dois termos de cooperação com a Petrobras, no valor de R$ 78 milhões, para o desenvolvimento de 45 projetos nos dois centros de instrução, como obras de modernização de laboratórios e equipamentos instrucionais, aumento da capacidade de alojamento para alunos e ampliação do corpo docente. Só no Ciaga são 19 projetos, com investimentos de R$ 30 milhões. A previsão é que ocorra um aumento de 91% da capacidade de admissão de alunos em 2011 (quando as intervenções forem concluídas), em relação a 2008.

 

- A modernização é o primeiro passo para que possamos atingir as necessidades futuras do setor, como o pré-sal. No ano passado formamos 377 alunos. Este ano, a previsão é formar 520 - diz Jairo Fontenelle, responsável pela Comunicação Social da DPC, da Marinha.

 

A medida, no entanto, não é suficiente para resolver o problema da falta de profissionais capacitados no setor. Segundo Rui Botter, professor da Escola Politécnica da USP, a iniciativa deve ser adotada junto com uma ação que combata a evasão de oficiais que se transferem da atividade-fim (trabalho dentro dos navios) para expediente em terra.

 

Outras soluções para a escassez de pessoal passam pela contratação temporária de profissionais estrangeiros e oficiais reformados da Marinha. Segundo Roberto Galli, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), a demanda é maior por oficiais de máquinas e de náutica nos segmentos offshore e de cabotagem - navegação realizada entre portos interiores do país pelo litoral ou por vias fluviais.

 

Diante do cenário de escassez, quem se forma nos dois centros de instrução geralmente já sai empregado. A remuneração gira em torno de R$ 8 mil a R$ 9 mil para oficiais em início de carreira.

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