A Maersk Line, líder mundial no transporte de contêineres, em volume, planeja reduzir sua capacidade nas rotas entre a Ásia e a Europa - mais um sinal de que a crise da dívida europeia está afetando o comércio internacional.
"Quase todas as transportadoras estão perdendo dinheiro agora [...] e parece que 2012 vai ser igualmente desafiador", disse Tim Smith, diretor da empresa para o norte da Ásia, em uma conferência de empresas marítimas na sexta-feira em Hong Kong.
A transportadora rival Orient Overseas (International), de Hong Kong, informou no mesmo evento que pretende reduzir sua capacidade de transporte na rota Ásia-Europa em 20% neste trimestre, em um esforço para manter a lucratividade em meio à desaceleração mundial.
A indústria do transporte marítimo é um termômetro da saúde da economia mundial. E depois de se recuperarem em 2010 da crise financeira, quando os varejistas começaram a repor os estoques, as transportadoras enfrentam a incerteza econômica causada pelos problemas da dívida europeia e o impasse político nos Estados Unidos quanto ao déficit do governo.
Smith, que disse que a Maersk vai anunciar os cortes esta semana, apontou o excesso de capacidade como uma das principais preocupações da indústria mundial de transporte marítimo. "Creio que está bem claro agora que, coletivamente, encomendamos mais capacidade do que realmente precisamos no curto prazo", disse ele.
Os preço do frete caíram para níveis não lucrativos este ano, resultado do excesso de capacidade no mercado de transporte. A Maersk Line, divisão do dinamarquês A.P. Moller-Maersk de transportes e energia, informou que sua divisão de transporte de contêineres deve apresentar prejuízo em 2011, sobretudo devido ao baixo frete nas rotas da Ásia-Europa.
"Os preços de frete que temos agora não são sustentáveis", disse Smith, acrescentando que a empresa vai estudar deixar mais navios no porto depois do Ano Novo Lunar, que cai em 23 de janeiro, se a demanda enfraquecer após o pico do movimento de fim de ano.
Enquanto a crise da dívida europeia prejudica a demanda nas rotas europeias, segundo Smith as perspectivas para o transporte na região do Pacífico são mais animadoras, com os sinais de uma recuperação gradual da economia americana e melhor equilíbrio entre procura e oferta, depois que algumas transportadoras reduziram sua capacidade na região.