Internacional

Letônia quer ser "porta de entrada"

Transformar-se numa plataforma exportadora grande o suficiente para ligar a América à Europa. Esta é a proposta da Letônia, situada bem no centro da Europa. O desafio é grande, mas o primeiro passo já foi dado. Apesar de pequeno, o país consegue mo

Tribuna do Norte
15/07/2011 06:50
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Transformar-se numa plataforma exportadora grande o suficiente para ligar a América à Europa. Esta é a proposta da Letônia, situada bem no centro da Europa. O desafio é grande, mas o primeiro passo já foi dado. Apesar de pequeno, o país consegue movimentar 60 milhões de toneladas por ano através de seus dois principais portos. Além dos portos, cuja movimentação fica bem acima do porto de Santos - que movimenta 90 mil toneladas por ano e é o maior do Brasil - a Letônia conta com um moderno e ágil sistema ferroviário. É este país que o embaixador da Letônia no Brasil, Artis Bertulis, veio apresentar aos empresários e governantes em visita oficial no Rio Grande do Norte. Esta é a primeira vez que ele visita o estado, desde que assumiu a embaixada no Brasil, em 2008.   
 
 
 
Junto ao presidente da Federação das Indústrias do RN, Flávio Azevedo, Bertulis discutiu a possibilidade de transformar a Letônia na porta de entrada de bens e serviços potiguares e brasileiros para a Rússia e o Leste Europeu.
 
 
Segundo Bertulis, o país tem toda a infra-estrutura necessária para se tornar uma plataforma exportadora dos produtos brasileiros. A malha ferroviária da Letônia liga o oceano Atlântico ao Pacífico, permitindo o transporte de mercadorias duas vezes mais rápido e reduzindo, assim, os custos de logística. "Trabalhamos duro para assegurar que esta via ferroviária ligasse o porto de Riga, na capital da Letônia, à Rússia, Cazaquistão, Uzbequistão e Paquistão", afirma Artis Bertulis.
 
 
De olho na parceria com o Brasil, principal exportador de carne bovina e um dos principais exportadores de frutas, Bertulis coloca à disposição um porto capaz de transportar até 400 mil toneladas de bife por ano e um moderno terminal de sucos, sub-aproveitado devido a crise que afetou a Europa. A parceria entre Brasil e Letônia, entretanto, pode ir muito além da exportação de produtos brasileiros a taxas menores. Na última visita do primeiro-ministro letão, Valdis Dombrovski, uma empresa letã e uma sueca, com atuação no Brasil, acertaram a transferência de tecnologia letã para o Brasil. O país, segundo Artis Bertulis, investe pesado em inovação tecnológica. Na Riga Technical University, principal universidade do país, as áreas de maior destaque são energias renováveis, entre elas energia eólica - área onde o Rio Grande do Norte vem se destacando; tecnologia da informação e das comunicações e engenharia de materiais.
 
 
 
Para aproximar os dois países, o vice-reitor da Universidade de Tecnologia de Riga, Modris Ozolins, que também participa da visita oficial ao Rio Grande do Norte, propôs um intercâmbio entre estudantes e professores brasileiros e letões. Segundo ele, os dois países podem manter uma cooperação na área tecnológica, visando, principalmente, a formação de tecnólogos e a transferência de tecnologia. A Letônia também conta com um sistema de ensino artístico voltado, principalmente, para crianças. A explicação é simples: "a Cultura pode gerar negócios", afirma Bertulis.
 
 
Para Flávio Azevedo, presidente da Fiern, a parceria pode amenizar o descompasso entre crescimento do Brasil e formação de tecnólogos. O país, segundo ele, tem crescido mais do que a capacidade de formar profissionais. "Nós empresários entendemos que inovação tecnológica é um fator de competitividade. No entanto, no futuro, será um fator de sobrevivência. Quem não inovar, morre. O Brasil errou ao não investir em pesquisa no passado. Nós estamos, através do Sistema S, tentando corrigir este erro. Mas não é suficiente. Só temos uma alternativa, fechar parcerias com quem já tem tecnologia. É aí que a Letônia se encaixa".
 
 
 
Antes do embaixador da Letônia no Brasil visitar o estado, passaram pelo Rio Grande do Norte embaixadores e embaixatrizes da Noruega, Suécia, Alemanha e Bélgica. "Todos demonstraram um claro interesse na economia do Nordeste", relembra Flávio Azevedo. "As distâncias são enormes, mas o potencial é emergente", conclui Artis Bertulis, embaixador da Letônia.
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