Investimento

JBIC planeja novos aportes no Brasil

Valor Econômico
17/11/2004 00:00
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Com a recente investida da China, o Japão planeja deflagrar "uma nova onda de investimentos" no Brasil, disse ao Valor Taketoshi Aikawa, representante-chefe do escritório de representação do Japan Bank for International Cooperation (JBIC). Os setores alvos dessa investida serão os de recursos naturais envolvendo as atividades de petróleo, gás natural, mineração e infra-estrutura voltada para a logística. Aikawa destacou que a nova estratégia nipônica não se volta apenas para projetos de empresas japonesas no país, mas também para associações com empresas brasileiras e de apoio a projetos nacionais de infra-estrutura e de caráter ambiental.
Para 2005 o JBIC já acertou apoio financeiro a projetos de expansão da Usiminas e da Cenibra, empresas de aço e celulose com participação de companhias japonesas. O projeto de transposição do Rio São Francisco é um forte candidato a revitalizar a cooperação governamental entre os Brasil e Japão no ano que vem. "Estamos só esperando maiores detalhes para saber como poderá ser nossa participação", destacou Aikawa ao Valor.
Nas estatísticas recentes do banco de fomento japonês, o Brasil está classificado em segundo lugar entre os 10 países com maior saldo de empréstimos e investimentos do JBIC - na modalidade de linha de apoio financeiro a projetos de investimento - com um estoque de financiamentos de US$ 7,2 bilhões, logo depois da Indonésia, com US$ 11,7 milhões.
Para o ano fiscal 2004/2005, que começou em março, o banco japonês trabalha com um orçamento de US$ 17 bilhões, sendo US$ 10 bilhões para a linha de apoio financeiro a projetos de investimento externo e de comércio internacional e US$ 7 bilhões para as operações de empréstimos governamentais a projetos de desenvolvimento sustentável, como por exemplo o financiamento de despoluição da Baía de Guanabara e do Rio Tietê. Desse total, Taketoshi estima que mais de US$ 1 bilhão serão destinados ao Brasil no período. Esta vem sendo a média do desembolso do JBIC para investimentos no país desde o início do governo Lula.
Nos últimos cinco anos, o banco de desenvolvimento japonês contratou US$ 3,9 bilhões para financiar obras no país. O destaque desses créditos são as linhas para a Petrobras, que somaram US$ 2,8 bilhões do total financiado. Os maiores empréstimos foram para exploração de petróleo em campos da Bacia de Campos e modernização de refinaria, entre outros.
Aikawa destacou a importância da parceria do JBIC com a Petrobras. "Nossa relação com a Petrobras é muito importante para o Japão", disse. Os japoneses trabalham com a expectativa de que dentro de dois anos o Brasil se tornará um exportador de petróleo. Razão pela qual o Japão já é importante sócio da estatal em campos de exploração como o de Barracuda/Caratinga, de Espadarte/Voador e Marimbá (EVM).
As operações para estes campos de petróleo foram feitas na modalidade de leasing de equipamentos à Petrobras, por meio de grupos de empresas compostos principalmente de tradings companies japonesas, aos quais o JBIC deu suporte financeiro. Também foram feitos empréstimos de US$ 300 milhões para modernização da refinaria Replan e de US$ 106 milhões para a Refap.
A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), com quem o JBIC acaba de assinar um acordo de cooperação para apoio a empreendimentos de logística e produção de minério de ferro, recebeu no período empréstimos de US$ 790 milhões do banco de desenvolvimento japonês.
O JBIC trabalha com juros entre 1,5% a pouco mais de 2% ao ano, revistos mensalmente, e prazos de pagamento que vão de três a cinco anos.
O executivo do JBIC no Rio está criando um Japan Coal Fund a ser constituído em parceria com empresas privadas japonesas para dar apoio a projetos de desenvolvimento limpo nos países em desenvolvimento, através de trocas de cotas de emissão de carbono, conforme prevê o protocolo de Kioto.

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