Negócios

Iraque abre campos a petroleiras estrangeiras

Valor Econômico
29/06/2009 03:48
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O Iraque está prestes a voltar a dar boas-vindas às empresas estrangeiras de petróleo para explorarem as suas reservas, as terceiras maiores do mundo, três décadas após tê-las expulsado.

 


Oito das dez principais empresas não estatais de produção de petróleo do mundo, entre elas a Exxon Mobil e a Royal Dutch Shell, estão competindo pelo direito de ajudar o Iraque, país devastado pela guerra, a explorar seis campos de petróleo e dois depósitos de gás natural. Mais de 30 empresas estão competindo por contratos de serviços técnicos no valor de US$ 16 bilhões para os campos de produção, em licitação a ser concluída em Bagdá entre amanhã e quarta. O processo começaria hoje, mas tempestades de areia forçaram o adiamento para amanhã.

 

“O Iraque é o grande prêmio da região”, disse Raja Kiwan, analista da consultoria PFC Energy, em Dubai . “É uma das únicas áreas restantes que fornecem o nível de perspectiva positiva para as empresas que querem acessar as reservas.”

 

O Iraque, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), enfrenta ainda dificuldades para aumentar a produção e a receita com petróleo, depois que a economia e a infra-estrutura do país foram destruídas por seis anos de guerra e, antes disso, pelas sanções internacionais. O governo, que também está realizando uma segunda licitação por contratos de exploração em 11 campos de petróleo e de gás natural, tem como objetivo aumentar a produção de petróleo para cerca de 6 milhões de barris por dia até 2015. Em maio, a produção iraquiana foi de 2,4 milhões de barris/dia. A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, produz 8 milhões de barris/dia.

 

As empresas que investem no Iraque esperam obter uma participação no potencial de longo prazo das reservas de petróleo do país, de 115 bilhões de barris, depois de estabelecerem uma cabeça-de-ponte, através de contratos de serviços para os campos operacionais. O Iraque poderá oferecer às empresas estrangeiras participações diretas nos depósitos e permitir que elas assinem acordos de participação na produção de campos futuros, segundo o ministro do Petróleo, Hussain al-Shahristani.

 

O Iraque vai ganhar 100 vezes mais que as empresas estrangeiras que contratar para explorar os depósitos, disse o ministro no Parlamento iraquiano. Os depósitos que estão sendo oferecidos na primeira rodada de concessões poderão render US$ 1,7 trilhão em lucros ao país, segundo cálculo baseado no preço de US$ 50 o barril. As empresas de petróleo que se candidatam aos contratos ganharão US$ 16 bilhões nos 20 anos de vigência dos contratos, disse ele.

 


A americana Exxon ainda estava decidindo se vai concorrer, disse o seu principal executivo, Rex Tillerson, em 16 de junho. A Shell, sediada em Haia, na Holanda, estava negociando com empresas chinesas uma proposta conjunta pelos contratos, disse o principal executivo da empresa, Jeroen van der Veer, em 14 de abril.

 

A Petrobras não demonstrou interesse em voltar a atuar no Iraque. Segundo disse várias vezes nos últimos meses o presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, a Petrobras não tem interesse em disputar contratos de prestações de serviços, como os que serão licitados agora no Iraque. A petroleira brasileira busca concentrar esforços e recursos na exploração do petróleo na camada pré-sal no Brasil.

 

Conseguir os contratos de exploração de petróleo pode ser mais fácil para as empresas estrangeiras do que enfrentar as ameaças de segurança no Iraque e as objeções à licitação por parte de alguns parlamentares.

 

Os soldados americanos deixam de patrulhar cidades do Iraque até 30 de junho e deixarão o país até o fim de 2011. Autoridades iraquianas disseram que suas forças de segurança terão condição de enfrentar a situação sozinhas. O Iraque e o Reino Unido assinaram no dia 3 minuta de acordo para que uma parte dos soldados britânicos permaneça no país para ajudar as forças navais iraquianas a proteger as plataformas de petróleo.

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