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Redação TN Petróleo/Assessoria FEPE
A despeito de o Brasil ter uma posição relevante em produção científica, isso não se traduz proporcionalmente em inovação. depois de quatro anos de melhora no desempenho no Índice Global de Inovação (IGI), o Brasil caiu, por dois anos consecutivos, ficando na 52ª posição entre 139 economias, perdendo a liderança para o Chile entre as 21 economias da América Latina e Caribe.
“O Brasil tem uma posição relevante em produção científica, mas isso não se traduz proporcionalmente em inovação”, observa Orlando Ribeiro, CEO da Neo Okeanos e integrante da comissão organizadora do FEPE – Fórum de Educação, Pesquisa e Empreendedorismo, que tem como uma de suas propostas criar uma agenda que mobilize a sociedade em geral para que o país continue inovando.
Na primeira edição desse evento inédito, que será realizado no Cenpes/Petrobras, entre 10 e 13 de março, Orlando Ribeiro vai conduzir a sessão Fab Lab: Construção de DeepTechs, na agenda de Empreendedorismo, com o objetivo de aprofundar a discussão sobre o porquê de o Brasil formar excelentes engenheiros e mestres, mas falhar em transformar teses em CNPJs escaláveis que atraiam venture capital.
“Inovação só acontece quando existe nota fiscal — quando alguém compra um produto ou serviço. E é justamente essa ponte entre ciência e mercado que ainda precisamos fortalecer”, ressalta Orlando Ribeiro, que vem impulsionando a formação de deeptechs. “Porque elas transformam conhecimento em produtos e serviços que atendem demandas atuais e futuras — inclusive aquelas que a sociedade ainda nem sabe que tem”, pontua.
O FEPE conta com o apoio institucional da Petrobras, da ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, do IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, do CEPETRO – Centro de Estudos de Energia e Petróleo, do ALFA Research Group, da Universidade Estadual de Campinas e tem a TN Petróleo como mídia institucional.
As deeptechs têm demonstrado alta capacidade de inovação. Qual é a relevância delas hoje para a indústria de energia?
Orlando Ribeiro – As deeptechs são fundamentais para o progresso de qualquer sociedade. Basta observar que, entre as dez maiores empresas do mundo, seis são ou foram deep techs: Apple, Microsoft, NVIDIA, Google, Amazon e Meta. É praticamente impossível imaginar o mundo atual sem os produtos e serviços que elas criaram.
E esse movimento não para: a SpaceX, por exemplo, revolucionou a indústria espacial com a reutilização de foguetes e deve abrir capital com valuation de US$ 1,5 trilhão, o que a colocaria entre as maiores empresas do planeta. Isso significa que sete das dez maiores empresas do mundo serão deeptechs.
Na energia, esse impacto é direto: tecnologias disruptivas reduzem custos, ampliam eficiência e abrem portas para soluções antes consideradas ficção científica — como data centers em órbita, alimentados por energia solar captada com maior eficiência e refrigerados pelo frio do espaço.
Como essas empresas estão transformando setores inteiros?
A SpaceX é um ótimo exemplo. Com a nova nave Starship, o custo para colocar um quilo em órbita deve cair para o equivalente ao frete aéreo. Isso destrava ideias que antes eram inviáveis economicamente.
Outro caso é a AlphaFold, da DeepMind, que está encurtando o ciclo de desenvolvimento de medicamentos de anos para meses usando inteligência artificial. São transformações profundas, que redefinem indústrias inteiras.
Por que as deeptechs são tão importantes para a sociedade?
Porque elas transformam conhecimento em produtos e serviços que atendem demandas atuais e futuras — inclusive aquelas que a sociedade ainda nem sabe que tem. É como dizia Henry Ford: se perguntassem às pessoas o que queriam, pediriam um cavalo que comesse menos capim, não um carro. Além disso, deeptechs geram empregos altamente qualificados, bem remunerados, e criam ecossistemas de fornecedores ao redor delas.
O que é necessário para que deeptechs floresçam?
É preciso um ecossistema com cinco atores essenciais:
• Universidades, que geram conhecimento;
• Empresas, que trazem demandas tecnológicas;
• Governo, criando ambiente regulatório e incentivos;
• Investidores, que aportam capital;
• Empreendedores, que têm a visão e a coragem de transformar ideias em negócios escaláveis.
Nosso objetivo com o FEPE é justamente fortalecer esse ecossistema: incentivar STEM, maximizar o valor das pesquisas, apoiar empreendedores e estimular a criação de deeptechs no Brasil.
O Brasil produz muito conhecimento, mas inova pouco. Por quê?
O Brasil tem uma posição relevante em produção científica, mas isso não se traduz proporcionalmente em inovação. Em 2023, por exemplo, houve queda de 7,2% na produção científica nacional, embora universidades como USP, Unesp e Unicamp continuem entre as mais produtivas do mundo .
No entanto, tivemos lima pequeno retrocesso: depois de quatro anos de melhora no desempenho, o Brasil caiu, pelo segundo ano consecutivo, no Índice Global de Inovação (IGI), ficando na 52ª posição entre 139 economias. O país perdeu a liderança entre as 21 economias da América Latina e Caribe, sendo ultrapassado pelo Chile, e é o 5º entre os 36 países de renda média-alta, atrás de China, Malásia, Turquia e Tailândia. A melhor colocação do Brasil no IGI foi em 2011, quando ficou em 47º.
Isso mostra que geramos conhecimento, mas não o transformamos em valor econômico na mesma proporção. Inovação só acontece quando existe nota fiscal — quando alguém compra um produto ou serviço. E é justamente essa ponte entre ciência e mercado que ainda precisamos fortalecer.
Obs.: Esse ranking da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), divulgado anualmente em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), analisa 80 indicadores, entre insumos de inovação (inputs) e resultados de inovação (outputs).
O que explica essa distância entre ciência e inovação no Brasil?
Alguns fatores pesam, como a baixa estabilidade regulatória, poucos graduados em ciência e engenharia, investimentos insuficientes em P&D, gargalos estruturais em educação e infraestrutura. Apesar disso, o Brasil tem pontos fortes: é o 7º maior mercado consumidor do mundo, está entre os líderes em marcas registradas e avança em áreas como biocombustíveis e 5G .
Como o FEPE pretende ajudar a mudar esse cenário?
Queremos criar uma coalizão de forças entre universidades, empresas, governo, investidores e empreendedores. Nosso foco é mobilizar esses agentes para transformar conhecimento em riqueza, incentivar deeptechs e aproximar o Brasil do seu verdadeiro potencial inovador.
O Brasil tem potencial para subir nos rankings de inovação?
Sem dúvida. O país já demonstrou capacidade de avançar — subiu 20 posições entre 2015 e 2024 no Índice Global de Inovação . Temos massa crítica científica, mercado robusto e talentos excepcionais. O que falta é integrar melhor o ecossistema e criar condições para que deeptechs prosperem. Se fizermos isso, podemos não só subir nos rankings, mas também gerar riqueza, empregos qualificados e soluções tecnológicas de impacto global.
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