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Hamburg Süd reduz velocidade dos navios para acomodar a crise

A Hamburg Süd literalmente colocou o pé no freio nos seus negócios este ano. Amargando junto com o resto do setor de transporte de contêineres uma retração estimada em 9,1% no volume movimentado em 2009 em relação ao ano passado, a companhia decid

Valor Econômico
16/10/2009 06:50
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A Hamburg Süd literalmente colocou o pé no freio nos seus negócios este ano. Amargando junto com o resto do setor de transporte de contêineres uma retração estimada em 9,1% no volume movimentado em 2009 em relação ao ano passado, a companhia decidiu reduzir a velocidade de cruzeiro dos seus navios. Inédita, a medida consegue economizar combustível e reduzir a ociosidade da frota. A velocidade média, de 21 nós (cerca de 40 quilômetros/hora), caiu para entre 15 e 17 nós, aumentando em alguns dias as linhas de longo curso. A linha semanal para os EUA foi de 42 dias para 49 dias, mas passou a ocupar todos os sete navios usados rota - antes, um deles ficava parado.

Segundo o diretor-superintentente da Aliança Navegação, Julian Thomas, subsidiária da Hamburg Süd no Brasil , a crise é sem precedentes nos 40 anos de história do setor de contêineres. Depois de taxas de crescimento de até dois dígitos nos últimos anos, pela primeira vez há uma retração de grandes proporções no volume transportado - e no valor do frete, que caiu cerca de 35% na Hamburg Süd. Dados do setor indicam que há hoje 500 cargueiros de contêineres ociosos no mundo - 10% da frota -, totalizando uma capacidade de quase 1,5 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). O cancelamento de novos pedidos a armadores deve reduzir a projeção de crescimento da frota mundial de 13,4% para 7,3% este ano, chegando a pouco mais de 13 milhões de TEUs.

No Brasil, a empresa também procura saídas para reativar o ritmo das suas operações de cabotagem. A Hamburg Süd apostou no segmento no fim dos anos 90, adquirindo a Aliança, e hoje a cabotagem corresponde a 15% da receita da companhia alemã no Brasil. Segundo José Antônio Balau, diretor de operações da Aliança, o movimento total de contêineres na cabotagem no país deve cair 20% em 2009, passando de pouco mais de 450 mil TEUs em 2008 para até 370 TEUs, em 2009. De acordo com o executivo, a cabotagem deve começar a se recuperar em 2010, mas só deve atingir o mesmo volume transportado no ano passado em 2011.

A movimentação saiu de praticamente zero em 1999, quando a Aliança iniciou sua atividade no ramo, e cresceu num ritmo forte até estabilizar-se na faixa dos 450 mil TEUs em 2006. O crescimento foi limitado, diz Balau, por uma combinação de motivos, mas um deles foi a saturação do setor portuário em 2007, com a formação das filas nas entradas nos portos e o aumento do tempo de espera para carga e descarga dos navios, o que acabou comprometendo a competitividade do modal marítimo em comparação com o rodoviário. Em 2009, com a retração no movimento de contêineres, a situação melhorou, e pode haver espaço para crescimento no futuro. A Aliança carregou 250 mil TEUs em 2008 e deve movimentar 220 mil em 2009, uma queda de 13% - contra 20% do setor como um todo.

Pela estimativa da empresa, a cabotagem de contêineres ocupa só 15% do seu mercado potencial no Brasil - de cargas transportadas por mais de mil km por mar e até 200 km por terra. A empresa procura captar clientes mais próximos dos terminais marítimos, e pensa em começar a fracionar cargas nos contêineres para atender clientes menores, com remessas de até três ou quatro toneladas.

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