Negócios

Grupo X acumula dívidas de R$ 22,5 bi

Dívida atingiu R$ 7 bilhões no segundo trimestre.

Valor Econômico
16/08/2013 10:00
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A safra de balanços do grupo de empresas controladas pelo empresário Eike Batista mostra uma piora ainda maior dos números, com aumento da dívida líquida, que cresceu de R$ 19 bilhões para R$ 22,5 bilhões entre março e junho, e a queima de caixa das empresas. A dívida de curto prazo de cinco companhias abertas do Grupo X atingiu R$ 7 bilhões no segundo trimestre, enquanto o caixa somado se reduziu para R$ 2,43 bilhões.
Para sair desse aperto financeiro, Batista está conduzindo um processo de redução de sua participação nos negócios. Foi o que ocorreu com a entrada da alemã E.ON no controle da MPX, empresa de geração de energia termelétrica. Na LLX o grupo EIG vai assumir o controle com aporte de até R$ 1,3 bilhão, enquanto a MMX tem vários interessados.
Mas nem todas as empresas estão com problema resolvido. A OGX teve prejuízo de R$ 4,7 bilhões e tem agora apenas R$ 722 milhões em caixa para uma dívida de R$ 8,7 bilhões. Por isso negocia a venda de ativos. Como publicado no Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, a certificadora de reservas Gaffney, Cline & Associates está avaliando ativos da OGX na bacia do Parnaíba (MA) para um potencial comprador interessado nas áreas de exploração e produção de gás. Não foi possível descobrir o cliente que contratou a Gaffney, que é concorrente da DeGolyer & MacNaughton, certificadora da OGX.
Um grande complicador para a petroleira é que ela ainda não recebeu a primeira parcela de US$ 250 milhões da venda de 40% do campo de Tubarão Martelo para a malaia Petronas porque o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda não aprovou a compra, pela OGX, de 40% do bloco BS-4 na Bacia de Santos adquirida da Petrobras por US$ 270 milhões. O problema é que OGX ofereceu para a Petronas 20% dessa participação como fiança na negociação do Tubarão Martelo e sem o aval do Cade não há recebimento.
Para tratar da dívida, considerada quase "impagável" por conhecedores dos seus números, a OGX contratou a Blackstone para negociar com credores uma reestruturação. Uma das possibilidades é a conversão dos "bonds" da OGX em ações. Mas isso será demorado e difícil de ser concretizado.
Já a OSX contratou um segundo assessor financeiro para vender as plataformas. A operadora de plataformas calcula que sobrariam US$ 442 milhões após a venda da plataforma OSX-2, que está sendo finalizada na Ásia. A empresa ainda não decidiu o destino da OSX-1, que está no campo de Tubarão Azul, que será desativado. E para a OSX-3, que vai operar no campo Tubarão Martelo, o plano é refinanciar a dívida de US$ 500 milhões para liberar US$ 350 milhões. Também estão à venda os cascos da OSX-4 e OSX-5, das quais a OGX desistiu, junto com WHP-1.
Aqui vale lembrar uma frase de Eike Batista em junho do ano passado, durante teleconferência com analistas. "Gostaria de ressaltar que ao longo de toda minha carreira fui um empresário que tomou muito risco, desenvolvendo muitos projetos. O único risco que nunca tomei foi o risco financeiro de não conseguir executar meus projetos. O grupo EBX tem hoje mais de US$ 9 bilhões em caixa para cumprir o programa de produção".
Naquela época, o saldo de caixa somado de LLX, MMX, MPX, OGX e OSX somava R$ 9,74 bilhões (a cifra citada por Eike incluía valores da holding e de outras empresas fechadas do grupo) e superava em R$ 5,5 bilhões as dívidas com vencimento em 12 meses das empresas, que era de R$ 4,2 bilhões.
Pouco mais de um ano depois, o quadro se inverteu. Faltariam R$ 4,6 bilhões se as cinco empresas tivessem que pagar os compromissos financeiros de curto prazo com o caixa de que dispõem hoje.
Mas além da possível rolagem de dívidas - que tem ocorrido, ainda que parcialmente -, a situação tem melhorado com a venda de ativos.
Ao se tirar a MPX da conta, já que ela deixa de ser consolidada pelo grupo EBX após o aumento da participação da E.ON, a dívida de curto prazo das quatro empresas que restam atinge R$ 4,4 bilhões, para um saldo de caixa de R$ 2,3 bilhões, com um "déficit" de R$ 2 bilhões. Já é uma diferença significativa.
Se a entrada do fundo EIG no controle da LLX se confirmar, Eike consegue resolver dois problemas. De um lado entram R$ 1,3 bilhão no caixa da empresa. De outro, a LLX também deixa de ser controlada pela EBX. A dívida de curto prazo das três empresas que restariam no portfólio, MMX, OSX e OGX, somaria então R$ 3,5 bilhões, para uma posição de caixa de R$ 2 bilhões. O buraco ficaria, assim, em "apenas" R$ 1,5 bilhão.
Mas é público que a MMX ou ao menos parte de seus ativos também estão à venda. Se a empresa de mineração for passada adiante com sucesso, a "falta de caixa" diminui para R$ 800 milhões. A dívida de curto prazo somada de OSX e OGX ficaria em R$ 2,3 bilhões, para um saldo de R$ 1,5 bilhão. Esse esforço, contudo, resolveria apenas os problemas de curto prazo.
O grosso dos vencimentos das dívidas da OGX, de R$ 8 bilhões, ocorre em 2018 e 2022. Mas com expectativa de produção de óleo reduzida no horizonte previsível, a situação da petroleira é crítica.

A safra de balanços do grupo de empresas controladas pelo empresário Eike Batista mostra uma piora ainda maior dos números, com aumento da dívida líquida, que cresceu de R$ 19 bilhões para R$ 22,5 bilhões entre março e junho, e a queima de caixa das empresas. A dívida de curto prazo de cinco companhias abertas do Grupo X atingiu R$ 7 bilhões no segundo trimestre, enquanto o caixa somado se reduziu para R$ 2,43 bilhões.


Para sair desse aperto financeiro, Batista está conduzindo um processo de redução de sua participação nos negócios. Foi o que ocorreu com a entrada da alemã E.ON no controle da MPX, empresa de geração de energia termelétrica. Na LLX o grupo EIG vai assumir o controle com aporte de até R$ 1,3 bilhão, enquanto a MMX tem vários interessados.



Mas nem todas as empresas estão com problema resolvido. A OGX teve prejuízo de R$ 4,7 bilhões e tem agora apenas R$ 722 milhões em caixa para uma dívida de R$ 8,7 bilhões. Por isso negocia a venda de ativos. Como publicado no Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, a certificadora de reservas Gaffney, Cline & Associates está avaliando ativos da OGX na bacia do Parnaíba (MA) para um potencial comprador interessado nas áreas de exploração e produção de gás. Não foi possível descobrir o cliente que contratou a Gaffney, que é concorrente da DeGolyer & MacNaughton, certificadora da OGX.

 


Um grande complicador para a petroleira é que ela ainda não recebeu a primeira parcela de US$ 250 milhões da venda de 40% do campo de Tubarão Martelo para a malaia Petronas porque o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda não aprovou a compra, pela OGX, de 40% do bloco BS-4 na Bacia de Santos adquirida da Petrobras por US$ 270 milhões. O problema é que OGX ofereceu para a Petronas 20% dessa participação como fiança na negociação do Tubarão Martelo e sem o aval do Cade não há recebimento.

 


Para tratar da dívida, considerada quase "impagável" por conhecedores dos seus números, a OGX contratou a Blackstone para negociar com credores uma reestruturação. Uma das possibilidades é a conversão dos "bonds" da OGX em ações. Mas isso será demorado e difícil de ser concretizado.

 


Já a OSX contratou um segundo assessor financeiro para vender as plataformas. A operadora de plataformas calcula que sobrariam US$ 442 milhões após a venda da plataforma OSX-2, que está sendo finalizada na Ásia. A empresa ainda não decidiu o destino da OSX-1, que está no campo de Tubarão Azul, que será desativado. E para a OSX-3, que vai operar no campo Tubarão Martelo, o plano é refinanciar a dívida de US$ 500 milhões para liberar US$ 350 milhões. Também estão à venda os cascos da OSX-4 e OSX-5, das quais a OGX desistiu, junto com WHP-1.

 


Aqui vale lembrar uma frase de Eike Batista em junho do ano passado, durante teleconferência com analistas. "Gostaria de ressaltar que ao longo de toda minha carreira fui um empresário que tomou muito risco, desenvolvendo muitos projetos. O único risco que nunca tomei foi o risco financeiro de não conseguir executar meus projetos. O grupo EBX tem hoje mais de US$ 9 bilhões em caixa para cumprir o programa de produção".

 


Naquela época, o saldo de caixa somado de LLX, MMX, MPX, OGX e OSX somava R$ 9,74 bilhões (a cifra citada por Eike incluía valores da holding e de outras empresas fechadas do grupo) e superava em R$ 5,5 bilhões as dívidas com vencimento em 12 meses das empresas, que era de R$ 4,2 bilhões.

 


Pouco mais de um ano depois, o quadro se inverteu. Faltariam R$ 4,6 bilhões se as cinco empresas tivessem que pagar os compromissos financeiros de curto prazo com o caixa de que dispõem hoje.

 


Mas além da possível rolagem de dívidas - que tem ocorrido, ainda que parcialmente -, a situação tem melhorado com a venda de ativos.

 


Ao se tirar a MPX da conta, já que ela deixa de ser consolidada pelo grupo EBX após o aumento da participação da E.ON, a dívida de curto prazo das quatro empresas que restam atinge R$ 4,4 bilhões, para um saldo de caixa de R$ 2,3 bilhões, com um "déficit" de R$ 2 bilhões. Já é uma diferença significativa.

 


Se a entrada do fundo EIG no controle da LLX se confirmar, Eike consegue resolver dois problemas. De um lado entram R$ 1,3 bilhão no caixa da empresa. De outro, a LLX também deixa de ser controlada pela EBX. A dívida de curto prazo das três empresas que restariam no portfólio, MMX, OSX e OGX, somaria então R$ 3,5 bilhões, para uma posição de caixa de R$ 2 bilhões. O buraco ficaria, assim, em "apenas" R$ 1,5 bilhão.

 


Mas é público que a MMX ou ao menos parte de seus ativos também estão à venda. Se a empresa de mineração for passada adiante com sucesso, a "falta de caixa" diminui para R$ 800 milhões. A dívida de curto prazo somada de OSX e OGX ficaria em R$ 2,3 bilhões, para um saldo de R$ 1,5 bilhão. Esse esforço, contudo, resolveria apenas os problemas de curto prazo.

 


O grosso dos vencimentos das dívidas da OGX, de R$ 8 bilhões, ocorre em 2018 e 2022. Mas com expectativa de produção de óleo reduzida no horizonte previsível, a situação da petroleira é crítica.

 

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