Combustíveis
Tribuna de Santos
O Governo de São Paulo pretende construir um duto entre as cidades de Conchas e Paulínia, ambas no Interior do Estado,para agilizar o escoamento de álcool do Interior do Estado e de Mato Grosso até o Porto de Santos e, de forma complementar, no futuro, para o Porto de Sebastião, no Litoral Norte. Atualmente, o combustível vai de rodovia da região produtora até Paulínia e, de lá, é bombeado para o Rio de Janeiro, por onde é exportado.
Anunciada na manhã de ontem pelo secretário estadual dos Transportes, Dario Rais Lopes, durante o seminário III exportação, realizado pelo Governo do Estado, na Capital, a obra não tem data para começar a ser implantada. Mas a intenção do governador Geraldo Alckmin, afirmou o secretário, é terminar a administração com pelo menos o traçado do projeto concluído.
O empreendimento foi recém-integrado à lista de principais obras de infra-estrutura que o Palácio dos Bandeirantes vê como essenciais, ao lado do Rodoanel e do Ferroanel, respectivamente os anéis viário e ferroviário que irão circundar a Região Metropolitana de São Paulo. Os dois empreendimentos têm o objetivo de transpor o tráfego de caminhões e trens do centro da Capital para seu entorno.
O duto, que deverá ter uma extensão de aproximadamente 80 quilômetros, custará cerca de R$ 160 milhões, estimou Lopes. Serão R$ 2 milhões por quilômetro construído. O orçamento é baseado em estimativas internacionais, salientou.Segundo o secretário, a ação decorre da necessidade de viabilizar os dois portos do Estado para embarcar o produto. E foi possível graças a uma recente vitória do governo paulista, que conseguiu a aprovação do uso das atuais embarcações utilizadas na hidrovia Tietê-Paraná para levar o álcool produzido.
De acordo com as autoridades, para transportar mercadorias inflamáveis, a embarcação deve ter casco duplo. Mas, por meio de um sistema de conteinerização aprovado pela Marinha, foi possível obter a aprovação para a movimentação da carga na idrovia, explicou Lopes.
Negociações
Atualmente o Governo do Estado vem discutindo o assunto com a Transpetro, a subsidiária da Petrobras responsável pela logística de transporte do grupo. A empresa mantém um terminal de granéis líquidos no porto santista. Mas a obra é uma resposta a um pleito feito por exportadores do setor sucroalcooleiro.
Principal produtor de álcool do mundo, o Brasil pretende aumentar as exportações do combustível para abastecer, sobretudo, mercados asiáticos, como o Japão. Estamos trabalhando em duas frentes. Uma é com a Transpetro e a outra, com o segmento do setor sucroalcooleiro, que tem demandas específicas, adiantou Lopes.
Uma das solicitações da iniciativa privada, explicou o secretário, é levar o alcooduto para Santos. Ele sai de Conchas e vai para São Caetano. Deste ponto, usando alguma coisa do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) e principalmente algumas linhas públicas remanescentes de retransmissão, chegará a Santos, disse.
A discussão está apenas começando, destacou o secretário. Principalmente porque o transporte de álcool por dutos exige um sofisticado e caro processo de envelopamento do material (o preparo da tubulação para o escoamento da carga).
São Sebastião
Depois de chegar ao porto santista, afirmou Lopes, o próximo objetivo será escoar o álcool também por São Sebastião, onde inexiste hoje a exportação do combustível. Mas isso só será possível com a construção do oleoduto planejado para ser implantado entre o Rio de Janeiro e São Paulo.
É que tal obra, quando pronta, irá liberar uma linha de bombeamento, possibilitando o início dos embarques de álcool por São Sebastião. Hoje, essa linha sai da cidade levando o óleo da Bacia de Santos às refinarias Revap (em São José dos Campos) e Replan (Paulínia), ambas no Interior do Estado.
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