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GB e Pangea planejam cais no rio Irajá

Sócias em um terminal logístico localizado na margem esquerda da foz, as empresas pretendem investir cerca de R$ 50 milhões na construção de um cais para barcaças para movimentação de contêineres e também de suprimentos p

Valor Econômico
19/12/2012 09:54
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A foz do rio Irajá, uma das áreas mais poluídas e assoreadas da baía de Guanabara, poderá ganhar o mais novo terminal portuário privativo do Rio de Janeiro. As empresas GB Armazéns Gerais, do Rio, e Pangea, de Minas Gerais, sócias em um terminal logístico localizado na margem esquerda da foz, pretendem investir cerca de R$ 50 milhões na construção de um cais para barcaças para movimentação de contêineres e também de suprimentos para plataformas de exploração e produção de petróleo no mar (offshore). O presidente da GB, Gilberto Buffara, disse que pretende iniciar as operações do terminal ainda no segundo semestre de 2013 e já negocia com clientes potenciais, incluindo a Petrobras.

A sociedade da empresa carioca e a mineira construiu no local um condomínio logístico formado por seis armazéns, no total de 140 mil metros quadrados, com investimento total de R$ 200 milhões. O projeto original previa investimento de R$ 400 milhões e dez armazéns, mas uma parte da área foi alugada à Petrobras que construiu no local um parque de tubos.

Buffara disse que já entrou com pedido de licença no órgão ambiental do estado para a construção do porto. Ele afirmou também que a nova legislação portuária, que exige uma chamada pública para a construção de terminais portuários privativos não vai atrapalhar o projeto porque, segundo ele, não se trata de um porto, mas de um "cais de atracação". A nova legislação portuária, estabelecida por meio da Medida Provisória (MP) nº 595, ainda deverá passar por um processo de detalhamento, preveem os especialistas.

A ideia dos empresários é que o cais do Irajá possa servir para desafogar as operações no Porto do Rio utilizando barcaças, por exemplo, para que seja feita a descarga de quantidades pequenas de contêineres sem que o navio precise esperar por espaço de atracação. O navio fundeará no meio da baia e a descarga será feita para barcaças que conduzirão os contêineres até o cais fluvial.

Outro objetivo é que o cais possa servir para abastecer, pelo mesmo sistema de barcaças, os navios de apoio às plataformas offshore com suprimentos a serem levados para essas plataformas que estarão operando longe do litoral. Segundo o empresário Sérgio Menezes, presidente da BSM Engenharia, empresa que opera o parque de tubos do porto de Macaé (RJ), há uma grande carência de novas áreas para a construção de terminais de apoio ao offshore, já prevendo o aumento crescente da movimentação desses barcos com o desenrolar da exploração de petróleo e gás na camada pré-sal.

Menezes fez parte de um grupo de empresários levados por Buffara, na tarde de quarta-feira (12), por mar, para ver de perto o local do projeto e conhecer a área que deverá ser o futuro canal de acesso das barcaças ao cais. Ele, que já operou o cais de Macaé, disse que gostou do que viu.

Hoje, o local tem menos de dois metros de profundidade e não pode ser alcançado nem por uma embarcação com apenas 1,37 metro de calado (a parte da embarcação que fica submersa) na maré alta. O projeto prevê que seja feita uma dragagem que deixará o canal de navegação e o cais com calado de 4,5 metros, um limite que, ainda assim, não permite o acesso dos barcos de apoio.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam), Ronaldo Lima, operam hoje no Brasil 450 embarcações de apoio ao offshore. Causa espanto a quem navega pela baía de Guanabara a enorme quantidade desses barcos fundeada nas suas águas. De acordo com Lima, a maior parte dessas embarcações está esperando vagas para entrarem em instalações de reparos ou buscando novos contratos após a conclusão de um determinado serviço.

Este ano, segundo Lima, houve uma queda de 7% a 10% na demanda por serviços de apoio. Embora nessa conjuntura ele diga não acreditar que esteja havendo congestionamento nas áreas de atracação disponíveis, ele considera bom que surjam novos terminais, até pelas perspectivas de demanda futura.
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