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Funcef compra 5% da Camargo em Jirau

Valor Econômico
07/05/2010 15:53
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A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, comprou 5% de participação no consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESDB), da fatia que pertencia ao grupo Camargo Corrêa. O consórcio controla a hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia. A alienação de parte da participação de 9,9% da Camargo no empreendimento já era esperada, conforme acordo de governança firmado com os demais sócios.

 

A Funcef pagará até R$ 228 milhões por essa participação, dos quais R$ 130 milhões serão investidos de agora até a obra ficar pronta e entre R$ 64 milhões e R$ 98 milhões serão pagos no curto prazo à Camargo, como reembolso pelo investimento feito mais um ágio, que pode variar.

O consórcio é liderado pela companhia franco-belga GDF Suez, que tem participação de 50,1% e é a controladora e operadora do empreendimento. Entre os sócios, estão também Eletrosul, com 20%, e Chesf, com outros 20% - controladas da Eletrobrás -, além da própria Camargo Corrêa, que ainda permanece com 4,9%.

 

Segundo Guilherme Lacerda, presidente da Funcef, o fundo encara o empreendimento com "muito entusiasmo, porque a usina já está em plena construção". Para a Funcef, com os processos de licenciamento de instalação, levantamento geológico, e estrutura financeira e societária já resolvidos, trata-se de um negócio de risco bastante baixo.

 

O projeto da hidrelétrica de Jirau foi leiloado em meados de 2008 e faz parte do complexo rio Madeira, que conta também com a usina de Santo Antônio.

O consórcio ESDB já anunciou que antecipará o prazo de conclusão do empreendimento em três anos, para começar a gerar em 2012, e agora solicita à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a permissão para ampliar a capacidade de geração de energia da usina em cerca de 10%, elevando sua potência máxima a 3.750 megawatts, em investimento que seria antecipado em R$ 400 milhões. "Estamos adquirindo uma série de vantagens", diz Lacerda.

A Funcef assumirá o assento da Camargo Corrêa no conselho administrativo do ESDB, mas representará também a construtora.

 

O investimento da Funcef em Jirau será feito diretamente, mas, no futuro, poderá ser negociada a incorporação da Cevix, empresa do setor energético que tem a Funcef e a Desenvix (subsidiária da Engevix) como sócias, explica Fabio Maimoni Gonçalves, gerente de novos negócios da Funcef. O ingresso da Cevix na ESDB, no entanto, dependeria de aprovação dos sócios do consórcio.

 

Para Maimoni, "os negócios energéticos são as novas NTN-B, para os fundos de pensão". Ele se refere às Notas do Tesouro Nacional que remuneram segundo a variação do IPCA mais uma taxa de juros. Atualmente, as NTN-B têm apresentado remuneração cada vez menor. Essa rentabilidade, de IPCA mais 6% ao ano, é a meta atuarial que os gestores do fundo de pensão têm a cumprir. "A rentabilidade em Jirau será maior do que isso para a Funcef e o risco é governamental, porque é o governo que compra a energia gerada", diz.

Na visão da Funcef, há também uma boa possibilidade de o investimento na usina apresentar rentabilidade maior do que a projetada inicialmente, por conta da antecipação da data de conclusão da obra e do possível aumento da geração, se aprovado.

 

Na Cevix, empresa com patrimônio de R$ 1 bilhão, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa têm participação de 26%. Essa sociedade já tem patrimônio e financiamento garantidos para uma série de investimentos no setor energético, diz Maimoni. Segundo ele, já foram construídas pela Cevix três Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e a usina hidrelétrica de Monjolinho, no rio Passo Fundo (RS). Estão em construção, ainda, três parques eólicos, duas PCHs e uma usina termelétrica a bagaço de cana. A Cevix ganhou também neste ano concessões para construir duas linhas de transmissão.

 

Segundo o presidente da Funcef, não há qualquer negociação, no momento, para o fundo investir na outra grande usina do rio Madeira, Santo Antônio. Mas o fundo ainda discute com o consórcio Norte Energia, que venceu o leilão de Belo Monte, uma possível participação.

 

Procurada, a Camargo Corrêa não quis falar sobre o negócio.
 

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