Negócios

Fornecedor de Santos quer mais espaço no pré-sal

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Valor Econômico
19/10/2011 09:59
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Apenas 5% das compras da Petrobras para a Bacia de Santos e para a refinaria Presidente Bernardes (em Cubatão), avaliadas em R$ 200 milhões anuais, são fornecidas pelas empresas da Baixada Santista, disse ontem o gerente-geral da unidade de operações de exploração e produção da Bacia de Santos, José Luiz Marcusso. A cidade de Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, responde por metade das compras da Bacia de Campos - atualmente a maior produtora de óleo do país.

Segundo Marcusso, a capacitação da mão de obra e a inovação tecnológica constituem hoje a principal fronteira da Petrobras na Bacia de Santos, uma vez que os primeiros sistemas do pré-sal já estão em operação. Hoje, a Bacia de Santos produz 110 mil barris de óleo por dia com sete sistemas, número que crescerá exponencialmente nos próximos anos. Até 2017 serão 17 novos sistemas, com expectativa de fechar o exercício em 1,2 milhão de barris por dia. Para termos de comparação, o volume será o equivalente a mais da metade do petróleo que a companhia produziu no país em 2010.

"Eu acho que a região pode se beneficiar melhor", afirmou o executivo durante a 5ª edição da feira Santos Offshore Oil & Gas Expo, que segue até sexta-feira em Santos (SP). Para Marcusso, o baixo percentual de fornecedores decorre menos da "não adaptação" das empresas às condições da petrolífera do que do próprio perfil da Baixada Santista. "A região se desenvolveu ao longo dos anos mais com o turismo e o comércio. Mas o que está sendo demonstrado é que existe um potencial muito grande e um trabalho a ser feito".

A estimativa é que a Bacia de Santos necessite de pelo menos metade dos 212 mil profissionais que o Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo (Prominp) formará até 2017, disse Marcusso.

O diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Julio Diaz, diz que o problema não se restringe à região. "O que está acontecendo na Baixada Santista não é diferente do que está acontecendo em todo o estado de São Paulo. O estado está devendo para o setor de petróleo e gás. São Paulo é a grande locomotiva da indústria brasileira, representa mais de 40% da indústria nacional. Mas no setor de petróleo e gás está muito abaixo, agora atingindo algo perto de 20%", afirma. Há dois anos o Ciesp vem trabalhando na divulgação do setor de petróleo e gás e motivando as empresas a participarem desse nicho, inclusive orientando sobre as linhas de financiamento específicas existentes no mercado.

De acordo com Diaz, a principal dificuldade das empresas é a falta de informação. Muitas acham que não podem fornecer por não construírem plataformas offshore, navios ou oleodutos. "Não é isso, o setor de óleo e gás consome todos os produtos. Uma plataforma usa tudo, cama, bota, capacete, luminária", enumera Diaz. "O grande investimento não é só na construção de navios, mas em tudo o que vai dentro do navio". Ontem, o Ciesp promoveu uma rodada de negócios para fomentar a cadeia. Vinte e cinco empresas-âncora de grande porte, que já fornecem para petrolíferas exploradoras de jazidas na Bacia de Santos, buscavam sub-fornecedores. Até o fechamento desta edição, 180 empresas haviam se cadastrado para participar da rodada.

A Tecnotextil, fabricante de cintas de poliéster que amarram e levantam cargas pesadas, conseguiu as certificações para vender à Petrobras há dois anos. Levou outros três se adaptando para conseguir o Certificado de Registro e Classificação Cadastral (CRCC) da companhia. O selo era motivo de orgulho e constava da foto do amplo painel no estande da empresa na feira, ontem. "É tipo uma certificação ISO. Vale muito. Qualquer empresa que sabe que você tem um CRCC da Petrobras já te coloca num degrau acima", afirma o diretor Ronaldo Kauschus Leal. Depois de conseguir o cadastro, a Tecnotextil montou uma equipe de "manutenção da documentação".

Já a DMV, que distribui ferramentas profissionais utilizadas na indústria, tenta há três anos ser fornecedora da Petrobras. A empresa foi criada em 2008, em Santos, com foco no mercado de petróleo e gás. Da carteira de 200 clientes, 30 são do setor offshore, basicamente grandes empresas que trabalham para a Petrobras. "Nosso foco é conseguir atender a Petrobras. Fizemos o cadastro no site, mas até agora não obtivemos resposta", afirma o diretor Diogo Vasques. A empresa vem crescendo a taxas de 40% ao ano, e deve fechar o ano com R$ 2,5 milhões em faturamento.

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