Internacional

FMI vê fortalecimento da economia global

Entretanto, perspectiva é de recuperação frágil.

Valor Econômico
08/04/2014 11:26
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A economia global vai se fortalecer em 2014 e 2015, impulsionada especialmente pelo desempenho mais forte dos países desenvolvidos, mas a recuperação mundial ainda é frágil e persistem riscos de piora, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No relatório Panorama da Economia Global (WEO, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira, o FMI estima que o mundo crescerá 3,6% neste ano e 3,9% no ano que vem, uma aceleração razoável em relação aos 3% registrados no ano passado. As novas projeções são apenas um pouco inferiores às anunciadas em janeiro, quando o Fundo atualizou as previsões do documento. No começo do ano, a instituição esperava crescimento de 3,7% em 2014 e de 4% em 2015. 
“Estamos em modo recuperação nos países desenvolvidos”, resumiu o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, em entrevista ao portal da instituição. Depois de crescerem 1,3% no ano passado, o Fundo espera uma expansão de 2,2% neste ano e de 2,3% no ano que vem para as economias avançadas. 
“O principal motivo é que os freios que seguravam a retomada estão sendo soltos”, afirmou Blanchard. No relatório, o FMI diz que a melhora se deve à redução do aperto fiscal, exceto no Japão, e a uma política monetária ainda muito expansionista. Os EUA estão na melhor situação entre as economias avançadas, devendo crescer 2,8% em 2014 e 3% em 2015. 
Nos emergentes, o ritmo de crescimento continuará elevado, devendo atingir 4,9% em 2014 e 5,3% em 2015, um pouco abaixo dos 5,1% e 5,4% projetados em janeiro. Entre os maiores países em desenvolvimento, o FMI reduziu as estimativas de expansão de Brasil, Rússia e África do Sul. 
Apesar das perspectivas mais favoráveis para a economia global, o FMI ainda vê fragilidade na retomada, destacando que permanecem riscos significativos de piora, tanto velhos quanto novos. No caso dos emergentes, as mudanças recentes no cenário externo trazem maiores desafios.
“Uma normalização rápida inesperada da política monetária nos EUA ou renovados episódios de maior av ersão ao risco por parte dos investidores podem levar a ajustes em alguns países emergentes”, diz o FMI, alertando para o risco de contágio e estresse financeiro mais amplo, provocando menor avanço da atividade econômica.  
Segundo Blanchard, os mercados emergentes ainda têm altas taxas de crescimento e respondem por uma fatia expressiva da expansão global. A questão, disse ele, é que a recuperação das economias avançadas têm complicado a vida dos emergentes, “não necessariamente piorando, mas tornando a situação diferente”. 
De um lado, o crescimento mais forte dos países desenvolvidos aumenta as exportações do mundo em desenvolvimento. Mas, de outro, a normalização da política monetária nos EUA implica juros mais altos em algum momento “e talvez menos fluxos de capitais e até a saída de capitais”. Em resumo, os emergentes enfrentarão condições monetárias mais apertadas. De acordo com Blanchard, a maioria dos emergentes está indo bem e deve continuar a ir bem, mas o cenário mudou.  
Nas economias avançadas, os riscos maiores estão relacionados à inflação muito baixa, especialmente na zona do euro, onde a grande ociosidade na economia contribuiu para os índices de preços no chão. Com a perspectiva de a inflação continuar baixa por algum tempo, as expectativas de longo prazo para os índices de preços podem recuar mais, levando a uma inflação ainda menor do que a esperada ou até mesmo à deflação. 
Blanchard disse que ainda não se chegou ao terreno deflacionário, mas é fundamental evitá-lo. A deflação, lembra ele, eleva o custo de empréstimos ajustado pela inflação e piora a dinâmica da dívida. Pode deprimir a demanda, o que pode por sua vez levar à mais deflação, e a menos demanda, numa espiral deflacionária. 
O relatório nota ainda que os recentes acontecimentos na Ucrânia aumentaram os riscos geopolíticos. No cenário básico do FMI, foram incorporadas projeções de crescimento mais baixo tanto para a Ucrânia quanto para a Rússia, assim como impactos negativos sobre os países da Comunidade dos Estados Independentes. Efeitos mais amplos podem ocorrer se a turbulência elevar a aversão ao risco nos mercados globais, ou se houver perturbações no comércio e nas finanças devido a eventuais sanções e retaliações. Para este ano, o FMI estima que a Rússia crescerá 1,3%, abaixo do 1,9% projetado em janeiro.

A economia global vai se fortalecer em 2014 e 2015, impulsionada especialmente pelo desempenho mais forte dos países desenvolvidos, mas a recuperação mundial ainda é frágil e persistem riscos de piora, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI).

No relatório Panorama da Economia Global (WEO, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira, o FMI estima que o mundo crescerá 3,6% neste ano e 3,9% no ano que vem, uma aceleração razoável em relação aos 3% registrados no ano passado. As novas projeções são apenas um pouco inferiores às anunciadas em janeiro, quando o Fundo atualizou as previsões do documento. No começo do ano, a instituição esperava crescimento de 3,7% em 2014 e de 4% em 2015. 

“Estamos em modo recuperação nos países desenvolvidos”, resumiu o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, em entrevista ao portal da instituição. Depois de crescerem 1,3% no ano passado, o Fundo espera uma expansão de 2,2% neste ano e de 2,3% no ano que vem para as economias avançadas. 

“O principal motivo é que os freios que seguravam a retomada estão sendo soltos”, afirmou Blanchard. No relatório, o FMI diz que a melhora se deve à redução do aperto fiscal, exceto no Japão, e a uma política monetária ainda muito expansionista. Os EUA estão na melhor situação entre as economias avançadas, devendo crescer 2,8% em 2014 e 3% em 2015. 

Nos emergentes, o ritmo de crescimento continuará elevado, devendo atingir 4,9% em 2014 e 5,3% em 2015, um pouco abaixo dos 5,1% e 5,4% projetados em janeiro. Entre os maiores países em desenvolvimento, o FMI reduziu as estimativas de expansão de Brasil, Rússia e África do Sul. 

Apesar das perspectivas mais favoráveis para a economia global, o FMI ainda vê fragilidade na retomada, destacando que permanecem riscos significativos de piora, tanto velhos quanto novos. No caso dos emergentes, as mudanças recentes no cenário externo trazem maiores desafios.

“Uma normalização rápida inesperada da política monetária nos EUA ou renovados episódios de maior av ersão ao risco por parte dos investidores podem levar a ajustes em alguns países emergentes”, diz o FMI, alertando para o risco de contágio e estresse financeiro mais amplo, provocando menor avanço da atividade econômica. 

Segundo Blanchard, os mercados emergentes ainda têm altas taxas de crescimento e respondem por uma fatia expressiva da expansão global. A questão, disse ele, é que a recuperação das economias avançadas têm complicado a vida dos emergentes, “não necessariamente piorando, mas tornando a situação diferente”. 

De um lado, o crescimento mais forte dos países desenvolvidos aumenta as exportações do mundo em desenvolvimento. Mas, de outro, a normalização da política monetária nos EUA implica juros mais altos em algum momento “e talvez menos fluxos de capitais e até a saída de capitais”. Em resumo, os emergentes enfrentarão condições monetárias mais apertadas. De acordo com Blanchard, a maioria dos emergentes está indo bem e deve continuar a ir bem, mas o cenário mudou.  

Nas economias avançadas, os riscos maiores estão relacionados à inflação muito baixa, especialmente na zona do euro, onde a grande ociosidade na economia contribuiu para os índices de preços no chão. Com a perspectiva de a inflação continuar baixa por algum tempo, as expectativas de longo prazo para os índices de preços podem recuar mais, levando a uma inflação ainda menor do que a esperada ou até mesmo à deflação. 

Blanchard disse que ainda não se chegou ao terreno deflacionário, mas é fundamental evitá-lo. A deflação, lembra ele, eleva o custo de empréstimos ajustado pela inflação e piora a dinâmica da dívida. Pode deprimir a demanda, o que pode por sua vez levar à mais deflação, e a menos demanda, numa espiral deflacionária. 

O relatório nota ainda que os recentes acontecimentos na Ucrânia aumentaram os riscos geopolíticos. No cenário básico do FMI, foram incorporadas projeções de crescimento mais baixo tanto para a Ucrânia quanto para a Rússia, assim como impactos negativos sobre os países da Comunidade dos Estados Independentes. Efeitos mais amplos podem ocorrer se a turbulência elevar a aversão ao risco nos mercados globais, ou se houver perturbações no comércio e nas finanças devido a eventuais sanções e retaliações. Para este ano, o FMI estima que a Rússia crescerá 1,3%, abaixo do 1,9% projetado em janeiro.

 

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