Energia eólica

Fabricantes de turbinas eólicas dão descontos para fechar contratos em meio à crise

Reuters, 15/03/2017
15/03/2017 15:52
Visualizações: 1457

Fabricantes de equipamentos para energia eólica têm concedido generosos descontos para conseguir fechar contratos de fornecimento no Brasil após dois anos de queda no consumo de energia e baixo volume de contratação de novas usinas da fonte, afirmaram à Reuters executivos de grandes companhias.

Em meio à maior recessão em décadas, o país ainda não tem perspectivas de contratar mais parques eólicos, o que gera pressão sobre diversos fabricantes, incluindo grandes players globais, que nos últimos anos investiram em fábricas no Brasil para atender um mercado que parecia fortemente promissor.

O Brasil contratou 13 gigawatts em usinas eólicas entre 2009 e 2014, mas em 2015 apenas 1 gigawatt foi contratado e em 2016 não houve nenhuma licitação voltada ao setor. Assim, como a maior parte dos projetos fecha pré-acordos com fabricantes, existem atualmente poucos negócios para vendas de turbinas a serem disputados pela indústria.

Para conseguir baixar preços, as fabricantes de turbinas eólicas têm renegociado contratos com subfornecedores, como produtores de componentes que fazem parte das máquinas.

"Minha cadeia de fornecedores está desesperada, e eles estão praticando descontos muito fortes. Essa agressividade da indústria, aliada à queda do dólar e à evolução da tecnologia, levou a reduções de 15 a 20 por cento no capex (investimento) comparado a alguns anos atrás", disse à Reuters o diretor de vendas de renováveis para América Latina da norte-americana GE, Sérgio de Souza.

Ele afirmou que o cenário possibilita a construção de eólicas a um custo de menos de 5 milhões de reais por megawatt, próximo do praticado no país em 2009.

Um movimento semelhante acontece na catarinense WEG, que entrou no setor eólico em 2010 e também reduziu significativamente os preços em seu último negócio, uma licitação da estatal Furnas, da Eletrobras, na qual a empresa foi a única qualificada, embora o processo ainda não tenha sido encerrado.

"Com o mercado apertado, a WEG optou por participar com margens um pouco mais apertadas, mas ainda satisfatórias... contamos com ganhos de produtividade e renegociações com fornecedores. Como estamos no topo da cadeia e fomos achatados, vamos ter que participar desse esforço junto com nossa cadeia de fornecedores", disse o diretor da empresa para o segmento eólico, João Paulo Gualberto.

Ele disse que o negócio envolve 132 turbinas de 2,2 megawatts cada, mas não citou valores.

Outras fabricantes procuradas pela Reuters não responderam pedidos de comentários sobre a situação do mercado eólico brasileiro.

Além de WEG e GE, atuam no Brasil as espanholas Gamesa e Acciona, a dinamarquesa Vestas e a alemã Wobben Enercon.

Poucos projetos

O diretor da consultoria Aezea Energias Renováveis, Marcio Elizeu Machado, avalia que os fabricantes possuem capacidade produtiva bem maior que a atual demanda, uma vez que existem hoje poucos empreendimentos ainda em busca por equipamentos no Brasil.

"Desconto é um sinal de que a indústria não está vendo possibilidade de ter demanda suficiente para fechar a capacidade fabril deles nos próximos anos", afirmou.

"O mercado de energia eólica a partir de 2014, com a crise, e mais acentuadamente a partir do início de 2016, praticamente parou... a perdurar uma situação dessa, só os mais fortes vão ficar", complementou o consultor.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil tem 7,7 gigawatts em eólicas contratadas a serem construídas até 2021, mas os especialistas avaliam que há poucos empreendimentos que ainda não fecharam a compra de máquinas com fornecedores.

Para Gualberto, da WEG, outro problema é que boa parte das poucas usinas que ainda não fecharam contratos de fornecimento possivelmente nunca o farão devido a problemas como atrasos ou falta de viabilidade econômica dos empreendimentos.

"Tem alguns projetos 'na rua' com aerogeradores não contratados que estamos buscando (negociar). Alguns projetos são relativamente interessantes, e outros possivelmente nunca sairão do papel", disse.

A situação, inclusive, levou o governo brasileiro a avaliar a realização de uma licitação inédita, que possibilitaria aos investidores desistir de projetos de usinas que enfrentam problemas de viabilidade.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, tem dito que essa eventual descontratação e um estudo sobre a oferta e a demanda de energia deverão possibilitar uma avaliação ainda no primeiro semestre sobre a necessidade de se contratar mais usinas no país.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ROG.e 2026
Abertura da ROG.e 2026 destaca transição energética just...
22/09/26
ROG.e 2026
Lideranças globais apontam Brasil como polo de estabilid...
22/09/26
ROG.e 2026
Firjan marca presença na abertura da ROG.e 2026 e firma ...
22/09/26
ROG.e 2026
ABB apresenta na ROG.e 2026 portfólio integrado para ope...
22/09/26
ROG.e 2026
Vallourec apresenta novas tecnologias que respondem aos ...
22/09/26
ROG.e 2026
Grupo Forship consolida liderança nacional em O&M (opera...
21/09/26
Brandend Content
Integridade de ativos offshore: como a integração entre ...
21/09/26
BOGE 2027
Bahia Oil & Gas Energy 2027 conecta negócios, inovação e...
21/09/26
Brandend Content
Descoberta e confiança: os dois tempos da venda industrial
21/09/26
ROG.e 2026
Confira a programação do estande do Espírito Santo na RO...
21/09/26
ROG.e 2026
Na ROG.e, Firjan SENAI promove a 30ª edição do programa ...
20/09/26
ROG.e 2026
Primeira edição da Energy Run reúne mais de 1 mil partic...
20/09/26
BRANDED CONTENT
ROG.e 2026 começa na próxima segunda-feira (21) com a pr...
19/09/26
ROG.e 2026
Camorim investe R$ 250 milhões em 2026 para ampliar frot...
18/09/26
ROG.e 2026
Firjan SENAI SESI apresenta na ROG.e novas tecnologias d...
18/09/26
ROG.e 2026
Repsol Sinopec Brasil participa da ROG.e 2026 com agenda...
18/09/26
ROG.e 2026
PPSA inicia série de palestras na ROG.e com temas sobre ...
18/09/26
ROG.e 2026
ABESPetro promove fórum sobre cadeia de suprimentos de ó...
18/09/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 começa na próxima segunda-feira (21) com a pr...
18/09/26
ROG.e 2026
Constellation leva à ROG.e 2026 liderança operacional, i...
18/09/26
ROG.e 2026
Avanços em Wahoo e eficiência operacional integram agend...
18/09/26
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25