Posse

Ex-deputado federal pelo PV, Evandro Gussi é o novo presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica)

Redação/Boletim Siamig
13/02/2019 18:10
Ex-deputado federal pelo PV, Evandro Gussi é o novo presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) Imagem: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados - Evandro Gussi, da Unica Visualizações: 1761

Enquanto o novo governo diz que seguirá a lógica de "mais Brasil e menos Brasília", o segmento sucroalcooleiro se prepara para uma intensa interlocução com os novos atores políticos instalados na capital.

Para isso, as usinas filiadas à União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) escolheram o "padrinho" do programa RenovaBio no Congresso, o advogado e ex-deputado federal pelo PV Evandro Gussi, que assumiu o cargo ontem.

A apresentação do projeto de lei que criou o RenovaBio em 2017 se tornou um forte cartão de visitas de Gussi junto ao setor privado, mas suas credenciais ganharam musculatura pelo acompanhamento que fez da regulamentação do programa e pela publicidade que deu à política nas cinco viagens internacionais que realizou em 2018 - entre as quais a um seminário da Organização Internacional do Açúcar (OIA), em Londres, e à COP 24, em Katowice.

Institucional

Ao Valor, Gussi disse que o segmento deve apoiar as reformas econômicas em construção pelo governo Bolsonaro, que buscam "a equalização das contas públicas e a desestatização de áreas". "Tudo o que estamos vendo nessa área econômica tem nos agradado", afirmou.

Tais medidas, segundo empresários, deverão favorecer especificamente o segmento, já que a saúde financeira das usinas é sensível à inflação, que pressiona os custos em um mercado com pouca margem de repasse de preços, e à taxa de juros, dada a alta intensidade de capital empregado na atividade.

A defesa de um regime liberal na economia não deverá abrir espaço para pleitos de subsídios, acredita Gussi. "Já somos competitivos. Desde que não sejamos atrapalhados, como fomos no governo Dilma, não precisamos de ajuda", afirmou ele.

Mas algumas pautas setoriais deverão ser acompanhadas de perto e com urgência, como a conclusão da regulamentação do RenovaBio. Criado para estimular o consumo de biocombustíveis e reduzir as emissões de gases estufa, o programa precisa ser regulamentado até o fim do ano para começar a vigorar em 2020, o que é encarado pelo setor privado como um período crítico. Nesse sentido, as usinas contam com o trânsito de Gussi com outros parlamentares e com interlocutores do presidente Jair Bolsonaro.

Para o novo presidente da Unica, a regulamentação do RenovaBio deverá atrair investidores pela previsibilidade conferida pela política e pela perspectiva de maior receita das usinas, que poderão vender os créditos de descarbonização (CBios). "Já vimos um crescimento de 7% no volume de comercialização na última Fenasucro [feira anual de vendas de máquinas ao setor], e todos os participantes atribuíram às perspectivas trazidas pelo RenovaBio", celebra.

Também na frente política, Gussi comandará o esforço da Unica para convencer o governo Bolsonaro a ter uma postura mais firme com os EUA sobre a importação de etanol, embora o presidente tenha deixado claro seu maior alinhamento com Washington. Criada em 2017, a cota de importação do produto isenta da tarifa do Mercosul vai expirar em setembro. Segundo Gussi, não faz sentido o Brasil garantir tal vantagem ao produto enquanto os EUA mantiverem sua cota para importar açúcar, que dificulta a entrada do adoçante brasileiro. Sem mudança nessa frente, Gussi afirmou que "voltar à tarifa de 20% sobre o etanol americano seria uma possibilidade".

Ainda no comércio internacional, há uma perspectiva de que as negociações bilaterais precisarão ser reforçadas. No ano passado, ante pressão da Unica, o governo decidiu duas vezes que recorreria à Organização Mundial do Comércio (OMC), contra a China e contra a Índia, por barreiras contra o livre-comércio de açúcar. Mas, entre as usinas, avalia-se que os resultados da atuação multilateral vêm apenas "quando o estrago já foi feito".

Para Gussi, é preciso recorrer ao máximo às conversas bilaterais antes de chegar aos órgãos multilaterais, mas uma postura não exclui a outra. "Quando há ofensas ao livre-comércio, aí não tem opção", disse.

Se Brasília ocupará boa parte da atenção da Unica - Gussi diz que deverá passar mais dias por semana na capital do que em São Paulo, onde está a sede da entidade -, debates com a indústria automobilística também deverão ser aprofundados.

O caminho, indicou, será continuar defendendo a adoção no Brasil dos veículos híbridos flex e dos carros com célula de combustível alimentada a etanol. Embora algumas montadoras estejam lançando no país carros 100% elétricos, Gussi disse que a indústria automobilística "está convencida" de que esse é o caminho para eletrificação no Brasil.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
BRAVA Energia marca presença no Bahia Oil & Gas Energy 2...
27/05/26
IBP
Brasil pode ampliar protagonismo como fornecedor global ...
27/05/26
Etanol de milho
Etanol de milho avança no país e muda a dinâmica de merc...
27/05/26
Parceria
Grupo Bravante anuncia associação à Abeemar e reforça co...
27/05/26
Firjan
No Dia da Indústria 2026, Firjan anuncia medidas para im...
27/05/26
Negócio
Vallourec conquista importantes contratos de line pipe c...
25/05/26
Bahia
Desenvolvimento Econômico impulsiona industrialização e ...
25/05/26
BOGE 2026
John Crane lança Performance Plus™ para otimizar manuten...
25/05/26
BOGE 2026
Começa nesta quarta (27) o maior evento de petróleo e gá...
25/05/26
BOGE 2026
Com produção em alta, independentes lideram debates na B...
25/05/26
Combustível
Etanol fecha a semana em recuperação moderada, mas merca...
25/05/26
ANP
Workshop debate dinamização da exploração de petróleo e ...
22/05/26
BOGE 2026
ANP participa do Bahia Oil & Gas Energy 2026, em Salvador
22/05/26
Etanol
Com aumento na oferta, preço do etanol acelera queda e a...
22/05/26
Negócio
NUCLEP celebra 46 anos com a assinatura de novo contrato...
22/05/26
Energia Elétrica
ANEEL homologa leilões de reserva de capacidade na forma...
22/05/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP abre 6º ciclo para concessão e 4º...
22/05/26
Saúde, Segurança e Meio Ambiente
IBP debate impactos da revisão da NR-1 sobre saúde menta...
21/05/26
Energia elétrica
TAESA anuncia a aquisição de cinco concessões de transmi...
21/05/26
Meio Ambiente
WCA completa primeiro ano ampliando debates sobre mercad...
21/05/26
Mato Grosso
Setor elétrico de MT avança e prepara nova fase para ate...
21/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25