Biocombustíveis

Etanol cai na usina, mas ainda resiste na bomba

Valor Econômico
13/04/2011 09:46
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O avanço da colheita da cana-de-açúcar e dos trabalhos de moagem nas usinas têm feito com que os preços do etanol hidratado recuem no mercado interno. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o valor médio do combustível utilizado diretamente nos motores dos automóveis atingiu R$ 1,4217 por litro nas usinas de São Paulo nas duas primeiras semanas de abril, 2,7% a menos que o valor médio de R$ 1,4606 registrado em março.
 
 
Apesar de a entrada da safra estar diminuindo a pressão sobre o mercado - e de o viés ser de baixa -, o valor médio da primeira metade de abril ainda é 76,9% superior ao observado no mesmo período do ano passado.
 

A queda nos preços apontada pelo Cepea, no entanto, vale para o combustível vendido pelas usinas às distribuidoras. Ao consumidor, os efeitos da entrada da safra ainda não foram sentidos. Segundo o Cepea, na bomba o preço médio do etanol na primeira semana de abril ainda subiu 0,36% na comparação com a semana anterior.
 
 
Segundo análise dos pesquisadores do Cepea, dois motivos influenciaram a recente queda dos preços. Com o avanço da colheita e a consequente celeridade no processamento da matéria-prima, a oferta do combustível está maior. Aliado a isso, já houve forte queda na demanda pelo etanol hidratado após os preços terem disparado durante o auge na entressafra. A valorização deixou o derivado da cana menos atraente que a gasolina, estimulando uma migração de um combustível para o outro, no caso de veículos com motor flex.
 

Para o etanol anidro - misturado à gasolina - a trajetória dos preços segue sentido oposto ao do hidratado. "A oferta do produto da nova safra ainda é pequena, enquanto a demanda está aquecida, o que tem dado suporte às cotações nas últimas semanas", afirma o Cepea. Nas duas primeiras semanas de abril, o preço médio do anidro ficou em R$ 2,0653 por litro nas usinas, 30% acima que a média do mês de março.
 

O preço alto do etanol alimenta discussões no governo e polêmica entre as usinas. A situação chegou a tal ponto que, antes de embarcar para a China, a presidente Dilma Rousseff determinou a "transferência compulsória" do controle e da fiscalização da cadeia do etanol à ANP.
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