Clima e Carbono

Estudo Escolhas mostra viabilidade de imposto sobre carbono

Redação/Assessoria
30/11/2015 17:33
Estudo Escolhas mostra viabilidade de imposto sobre carbono Imagem: Divulgação Visualizações: 852

 

A correção das distorções da cobrança do PIS/Cofins permite criar um imposto sobre emissões de carbono sem aumentar a carga tributária, melhorando a competitividade das empesas e facilitando a transição para uma economia de baixo carbono. O PIB cresceria 0,47%, a renda, 0,41%, o emprego, 0,53%, e as emissões seriam reduzidas em 1.6 milhão de toneladas de CO2e. Isso é o que mostra o estudo Impactos Econômicos e Sociais da Tributação de Carbono no Brasil, produzido por uma equipe de economistas do Instituto Escolhas, sob a orientação de Bernard Appy, lançado, no dia 24, para uma plateia lotada no Insper, em São Paulo, com a presença da ex-senadora Marina Silva, economistas, empresários e estudantes. 
O trabalho analisa os impactos econômicos e sociais de um imposto incidente sobre as emissões de CO2 derivadas da queima de combustíveis fósseis, atualmente responsáveis por um terço das emissões brasileiras (32%). Na economia dependente de energia, a cobrança de PIS/Cofins incide "em cascata" ao longo de toda a cadeia de produção. Uma correção que passasse todos os setores produtivos ao regime não-cumulativo, e cobrasse uma mesma alíquota do imposto, poderia transformar o PIS/Cofins em um Imposto Sobre Valor Agregado (IVA), como existente em muitos países. Além disso, poderiam ser adotadas políticas de desoneração das exportações e de taxação sobre o conteúdo de emissões embutido nas importações. 
Mais do "neutralizar" a arrecadação tributária, esse conjunto de políticas aumentaria a competitividade, a renda e o emprego no país, induzindo as empresas a adotarem práticas inovadoras, limpas e mais eficientes, e incentivando as empresas ineficientes e mais poluidoras a evoluir.
Apresentado pelo físico Roberto Kishinami, diretor científico do Escolhas, e pelo economista Bernard Appy, o estudo do Instituto Escolhas avalia dois cenários: 1) aplicação pura e simples de um imposto sobre as emissões com duas alíquotas distintas, U$10,00 por tCO2e (tonelada de CO2 equivalente) e US$ 50,00 por tCO2e. 2) aplicação de um imposto sobre emissões em conjunto com a simplificação do PIS/Cofins, de maneira a "neutralizar" a arrecadação.
No primeiro cenário, com o imposto a US$10,00 por tCO2e, haveria um impacto negativo na economia, com o PIB e a taxa de emprego caindo 0,2% e 0,16%, respectivamente, e a arrecadação de impostos aumentando em R$ 8,9 bilhões. Com a tonelada de CO2 a U$ 50,00, o impacto seria ainda maior: PIB e emprego cairiam 0,94% e 0,8%, respectivamente, e o imposto arrecadado alcançaria R$ 43 bilhões. Os setores mais afetados seriam transporte terrestre, aéreo e hidroviário, siderurgia, produtos minerais não-metálicos e papel e celulose. Se o ressarcimento das exportações fosse adotado, apenas o transporte terrestre poderia obter uma compensação de até 11,11% do valor exportado.
No segundo cenário, a simplificação do PIS/Cofins geraria uma redução na arrecadação do imposto correspondente à eliminação da incidência cumulativa. Com uma taxa calculada em US$ 36,00 por tCO2e, o PIB cresceria 0,47%, os salários 0,41% e o emprego 0,53%. Como a simplificação do PIS/Cofins tem efeitos positivos para a competitividade de toda a produção, a adoção suplementar de medidas compensatórias de desoneração das exportações e oneração das importações produziria impacto positivo em todos os setores da economia.
O Brasil é um dos poucos países do mundo em que a correção das distorções da cobrança cumulativa de impostos, abre perspectivas para a criação de um imposto de carbono "neutralizado", capaz de facilitar a transição para uma economia de baixo carbono. Segundo o diretor do Instituto Escolhas, Sérgio Leitão, "a simples instituição de um novo imposto não é viável no atual contexto político, uma vez que acarretaria mais aumento na já elevada carga tributária".

A correção das distorções da cobrança do PIS/Cofins permite criar um imposto sobre emissões de carbono sem aumentar a carga tributária, melhorando a competitividade das empesas e facilitando a transição para uma economia de baixo carbono. O PIB cresceria 0,47%, a renda, 0,41%, o emprego, 0,53%, e as emissões seriam reduzidas em 1.6 milhão de toneladas de CO2e. Isso é o que mostra o estudo Impactos Econômicos e Sociais da Tributação de Carbono no Brasil, produzido por uma equipe de economistas do Instituto Escolhas, sob a orientação de Bernard Appy, lançado, no dia 24, para uma plateia lotada no Insper, em São Paulo, com a presença da ex-senadora Marina Silva, economistas, empresários e estudantes. 

O trabalho analisa os impactos econômicos e sociais de um imposto incidente sobre as emissões de CO2 derivadas da queima de combustíveis fósseis, atualmente responsáveis por um terço das emissões brasileiras (32%). Na economia dependente de energia, a cobrança de PIS/Cofins incide "em cascata" ao longo de toda a cadeia de produção. Uma correção que passasse todos os setores produtivos ao regime não-cumulativo, e cobrasse uma mesma alíquota do imposto, poderia transformar o PIS/Cofins em um Imposto Sobre Valor Agregado (IVA), como existente em muitos países. Além disso, poderiam ser adotadas políticas de desoneração das exportações e de taxação sobre o conteúdo de emissões embutido nas importações. 

Mais do "neutralizar" a arrecadação tributária, esse conjunto de políticas aumentaria a competitividade, a renda e o emprego no país, induzindo as empresas a adotarem práticas inovadoras, limpas e mais eficientes, e incentivando as empresas ineficientes e mais poluidoras a evoluir.

Apresentado pelo físico Roberto Kishinami, diretor científico do Escolhas, e pelo economista Bernard Appy, o estudo do Instituto Escolhas avalia dois cenários: 1) aplicação pura e simples de um imposto sobre as emissões com duas alíquotas distintas, U$10,00 por tCO2e (tonelada de CO2 equivalente) e US$ 50,00 por tCO2e. 2) aplicação de um imposto sobre emissões em conjunto com a simplificação do PIS/Cofins, de maneira a "neutralizar" a arrecadação.
No primeiro cenário, com o imposto a US$10,00 por tCO2e, haveria um impacto negativo na economia, com o PIB e a taxa de emprego caindo 0,2% e 0,16%, respectivamente, e a arrecadação de impostos aumentando em R$ 8,9 bilhões. Com a tonelada de CO2 a U$ 50,00, o impacto seria ainda maior: PIB e emprego cairiam 0,94% e 0,8%, respectivamente, e o imposto arrecadado alcançaria R$ 43 bilhões. Os setores mais afetados seriam transporte terrestre, aéreo e hidroviário, siderurgia, produtos minerais não-metálicos e papel e celulose. Se o ressarcimento das exportações fosse adotado, apenas o transporte terrestre poderia obter uma compensação de até 11,11% do valor exportado.

No segundo cenário, a simplificação do PIS/Cofins geraria uma redução na arrecadação do imposto correspondente à eliminação da incidência cumulativa. Com uma taxa calculada em US$ 36,00 por tCO2e, o PIB cresceria 0,47%, os salários 0,41% e o emprego 0,53%. Como a simplificação do PIS/Cofins tem efeitos positivos para a competitividade de toda a produção, a adoção suplementar de medidas compensatórias de desoneração das exportações e oneração das importações produziria impacto positivo em todos os setores da economia.

O Brasil é um dos poucos países do mundo em que a correção das distorções da cobrança cumulativa de impostos, abre perspectivas para a criação de um imposto de carbono "neutralizado", capaz de facilitar a transição para uma economia de baixo carbono. Segundo o diretor do Instituto Escolhas, Sérgio Leitão, "a simples instituição de um novo imposto não é viável no atual contexto político, uma vez que acarretaria mais aumento na já elevada carga tributária".

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
Combustível
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP divulga empresas aptas a particip...
26/06/26
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
Energy Summit
Lemon Energia recebe Ouro em Sustentabilidade no Energy ...
25/06/26
Pré-Sal
Campo de Búzios supera próprio recorde e produz 1 milhão...
25/06/26
Energy Summit
ABDI destaca redução no tempo de contratação em compras ...
24/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.