Petrobras
Jornal do Commercio
A Petrobras está em busca de terminais para estocar petróleo na Ásia e na Europa, mas com a brutal queda do preço do petróleo nos últimos meses enfrenta dificuldade para encontrar espaço disponível. Empresas de todo o mundo decidiram estocar o produto e esperar a reação dos preços no mercado internacional.
A estatal brasileira gostaria de adotar a mesma estratégia, para atravessar um período de vendas fracas e cotações em queda. Com terminais próprios somente no Brasil e nos Estados Unidos, porém, a companhia tem de se valer do aluguel de terceiros em outras regiões, que se beneficiam da demanda recorde por seus serviços.
“Todo o mundo que nós procuramos não tem espaço para estocar. Várias empresas petroleiras estão na mesma situação que a Petrobras”, disse o representante da estatal na China, Marcelo Castilho.
A Petrobras realizou nos últimos anos pesados investimentos para ampliar a produção, que atingiu 2 milhões de barris de petróleo por dia em 2008. Com a retração da economia mundial, a empresa corre o risco de ter mais petróleo do que é capaz de vender a preços que compensem. Se o mercado continuar ruim e não aparecerem terminais, a Petrobras pode ser obrigada a reduzir a produção - a “pior coisa” que pode acontecer, segundo Castilho. “Ainda não chegamos a este ponto.”
O principal estímulo à estocagem do petróleo é a diferença entre os preços para entrega imediata e no mercado futuro, que dá uma indicação de que as cotações vão reagir. Na quinta-feira passada, por exemplo, o petróleo era vendido a US$ 35,40 o barril para entrega em fevereiro, uma queda de 75% em relação ao pico de meados do ano passado. O preço subia para US$ 50,61 nos contratos futuros para entrega em maio - diferença de US$ 15,21. Para janeiro de 2010, os investidores apostam em US$ 59,10.
A diferença explica por que tantas empresas estão evitando vender petróleo. Nos Estados Unidos, os estoques nos terminais que entregam petróleo negociado nos contratos futuros da Bolsa Mercantil de Nova York aumentaram 40% em janeiro e atingiram o maior nível desde 2004, quando o governo começou a registrar este dado
Caso não encontre terminais disponíveis, a Petrobras ainda tem a opção de estocar petróleo em navios, como muitas empresas estão fazendo. Em seu mais recente relatório mensal sobre o mercado, a International Energy Agency destacou a elevação da quantidade de petróleo em alto-mar: “O aumento do estoque flutuante é resultado da abundância de suprimento sem compradores e da redução nos preços dos fretes”.
A Frontline, dona da maior frota de supertanques do mundo, estima que 80 milhões de barris estão estocados em navios, o maior nível em 20 anos, segundo a agência Bloomberg. Castilho afirma que a intenção da Petrobras é ter locais permanentes para estocagem de petróleo na Ásia e na Europa, o que dará à empresa mais flexibilidade para atender aos clientes na região, além de margem de manobra para enfrentar fortes oscilações de preços.
Depois de um começo de ano fraco, as vendas da estatal para a China se recuperaram nos últimos dias e se aproximam da média do ano passado em volume. O país asiático foi em 2008 o segundo maior cliente da Petrobras, atrás apenas dos Estados Unidos. As compras aumentaram 50% em volume, para 21 milhões de barris em todo o ano, e mais que dobraram em valor, de US$ 850 milhões para US$ 1,9 bilhão. A expectativa de Castilho é que o volume seja o mesmo este ano. Os valores terão queda acentuada, por causa do recuo no preço do petróleo.
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