Petrobras
Jornal do Commercio - RS
Apesar da crise econômica internacional, a Petrobras pretende manter neste ano seu elevado patamar de gastos na aquisição de bens e serviços. Segundo o coordenador de Avaliação Técnica dos Prestadores de Serviços da estatal, Carlos Alves, o aporte nesta área deverá exceder os US$ 40 bilhões.
Alves destaca o interesse da Petrobras em incrementar o conteúdo nacional em suas encomendas. “Mas, para isso, é preciso aumentar a capacidade instalada e ter novos fornecedores para ter menores preços e mais opções”, disse. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) é uma das entidades que defende a maior participação das empresas brasileiras nos negócios da Petrobras.
O diretor-executivo da área de Petróleo, Gás, Bioenergia e Petroquímica da Abimaq, Alberto Machado Neto, acredita que várias companhias nacionais apresentem hoje condições de atender a uma boa parte das necessidades da Petrobras. Ele argumenta que é fundamental demonstrar a capacidade de geração de empregos da cadeia produtiva do setor do petróleo. Outro ponto salientado por Neto é que quando a Petrobras realiza compras no País, ela gera demanda para si própria. Isso porque a estatal também atua como fornecedora da cadeia produtiva abastecendo-a com insumos como óleo e gás natural, entre outros.
Atualmente, a Petrobras representa entre 75% e 80% dos investimentos do setor do petróleo no Brasil. E as empresas gaúchas estão demonstrando interesse neste mercado. O vice-presidente da Abimaq/RS, Marcus Coester, lembra que um dos empecilhos para entrar neste segmento é que ainda existe uma certa burocracia no processo de cadastramento de fornecedores da Petrobras. Para facilitar o cadastramento, a estatal costuma instalar escritórios regionais temporários em diversas cidades.
A companhia desloca um grupo de profissionais para tratar com empresas que querem se tornar fornecedoras. Coester revela que uma dessas unidades deve ser implantada no Rio Grande do Sul nos próximos 60 dias. O grupo, possivelmente, fará suas reuniões na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Coester, Alves e Neto participaram nesta quinta-feira da 7ª edição do Almoço de Negócios, realizada pela Abimaq, no Complexo Fiergs, em Porto Alegre. Também esteve no evento o economista da Fiergs Igor Morais. Ele comentou sobre algumas projeções para este ano. Entre elas, a expectativa de que a taxa de crescimento de PIB no mundo será negativa de 0,6%, enquanto para o Brasil espera-se um crescimento de 0,59%.
Um fato negativo ressaltado por Moraes é que as consultas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) têm diminuído fortemente desde setembro do ano passado. Em fevereiro deste ano, em relação ao mesmo mês de 2008, houve uma queda de 62%. Para Morais, um dos primeiros sinais de recuperação será emitido a partir da confiança dos consumidores. Este indicador revela aspectos importantes relacionados ao comportamento do mercado de trabalho, de crédito e de consumo.
Fale Conosco