Petrobras

Estatal programa investimentos de R$ 30 bilhões, 38% acima de 2004

Valor Econômico
01/03/2005 00:00
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No dia seguinte ao anúncio de um lucro recorde de R$ 17,861 bilhões em 2004, a Petrobras divulgou investimentos recorde de R$ 30 bilhões em 2005, volume 38,2% maior que os R$ 21,7 bilhões investidos em 2004. Apesar de as ações da estatal terem fechado ontem em queda - 2,27% as ações ordinárias (ON) e 1,61% as ações preferenciais -, analistas não se mostraram desapontados com a companhia. O banco Pactual ressaltou que a companhia teve "sólidos resultados" no último trimestre. Emerson Leite, do CSFB, disse que o resultado operacional foi melhor do que ele esperava.
José Sérgio Gabrielli, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, ressaltou ontem que as perspectivas da estatal em relação às perdas com as cláusulas de contingência das usinas Macaé Merchant, da El Paso, e TermoCerá, da MPX - cujo processo de arbitragem internacional já teve início - , são "extremamente positivas". Por isso, Gabrielli informou que a companhia vai deixar de provisionar perdas com essas térmicas, ao contrário do que fez em 2003, quando provisionou R$ 2,123 bilhões. "Estamos assumindo que as perdas (com as térmicas merchant) serão correntes e não há necessidade de provisionar".
O diretor atribuiu grande parte do resultado no ano passado, que ficou apenas 0,37% acima do lucro registrado em 2003, à valorização do real frente ao dólar (que foi de 8,1% em 2003 e de 18,2% em 2004), o que gerou impacto negativo sobre o caixa da companhia aplicado em fundos cambiais. Isso somado à correção das dívidas em dólar pela taxa de juros americana, houve aumento do custo da companhia, que registrou perda financeira de R$ 1,7 bilhão, contra um resultado positivo de R$ 1,4 bilhão em 2003, entre outras despesas. Essa valorização do real também impacta negativamente os ativos da Petrobras no exterior, consolidados no balanço da controladora por meio da equivalência patrimonial.
As vendas da Petrobras no mercado brasileiro mostram uma retomada do crescimento em ritmo maior do que o previsto na média anual até 2010 pelo plano estratégico da companhia. O mercado brasileiro de derivados cresceu 5% em 2004 (contra previsão de 2,4% médio ao ano até 2010), com vendas de 1,879 milhão de barris/dia.
Esse aumento do consumo - que segundo a Petrobras teve queda no quarto trimestre devido à redução da demanda do setor agrícola por diesel - durante um ano de queda da produção de petróleo no Brasil justificou o aumento em US$ 3 bilhões com as importações de petróleo leve, o mais utilizado nas refinarias nacionais, que cresceram 62%.
Gabrielli explicou que o aumento das importações, que inverteu tendência de reversão dos déficits na balança comercial de petróleo e derivados, foi uma política adotada para reverter, em parte, os efeitos do aumento do preço do petróleo leve ao mesmo tempo em que registrou altas margens no segmento de refino, o que permitiu ainda reduzir importações de derivados.
Outro insumo que registrou aumento de 16% na receita de vendas foi o gás natural. Esse número também ficou acima da previsão da companhia no plano estratégico, que prevê crescimento médio anual de 12,4% . As receitas com comercialização de energia também cresceram 26%. 

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