Petrobras
Jornal do Commercio
O apetite da China por petróleo transformou o país no terceiro maior mercado no mundo para as exportações da brasileira Petrobras. As vendas para entrega até agosto já atingem US$ 1,2 bilhão, mais que os US$ 840 milhões de todo o ano passado. Quando abriu escritório em Pequim, em 2004, a Petrobrás não vendia nenhum barril de petróleo à China.
"A demanda chinesa superou as expectativas da Petrobras e, neste ano, o valor das exportações já é recorde", afirma Marcelo Castilho, representante da estatal na China.Na avaliação de Castilho, as vendas se manterão em alta nos próximos anos, puxadas pelo crescimento econômico e o aumento da frota de veículo do país. "A China hoje é um cliente premium da Petrobras e tudo indica que a sua demanda continuará subindo."
No ano passado, o país asiático foi o quarto principal mercado para a estatal, atrás dos Estados Unidos, do Chile e de Santa Lúcia. As exportações no valor de US$ 840 milhões foram equivalentes a 9,4% das vendas totais da Petrobras para o exterior, que somaram US$ 8,9 bilhões. Em 2008, segundo informações da estatal, as vendas para a China são inferiores somente às realizadas para os Estados Unidos e as Bahamas, que é um entreposto comercial. Se Bahamas for desconsiderado como um destino único, o país asiático sobe para o segundo lugar. A participação da China nas vendas da estatal deverá aumentar nos próximos anos, com a esperada expansão de suas importações. A demanda de petróleo do país passou de 4,7 milhões de barris por dia em 2000 para 7,1 milhões de barris por dia em 2006, quando representou 8,4% da produção mundial -em 1980, esse porcentual era de 2,9%. No período de 2000 a 2006, a China foi o maior contribuinte individual para o aumento do consumo de petróleo em todo o mundo, respondendo por um terço da expansão da demanda. A previsão da Agência Internacional de Energia (AIE) é que o consumo do país chegue a 16,5 milhões de barris por dia em 2030 -14,2% do total -, inferior apenas ao dos Estados Unidos. Quase todo esse aumento será suprido por importações, que passarão de 50% da demanda total do país atualmente para 80% em 2030. Até 1993, a China era um exportador líquido de petróleo. Hoje, é o segundo maior consumidor e importador do produto.
Segundo a Agência Internacional de Energia, a expansão da frota de veículos será uma das principais razões para a elevação da demanda de petróleo pela China nos próximos anos. A entidade acredita que o consumo de petróleo para transporte vai quadruplicar entre 2005 e 2030 e contribuir com dois terços do aumento da demanda do produto no país.
De acordo com o cenário desenhado pela agência, a frota de veículos na China vai aumentar sete vezes até 2030, quando deverá ser de 270 milhões, a maior do planeta.
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