Petrobras

Estatal espera plano estratégico para definir captações

Valor Econômico
12/01/2009 02:00
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A Petrobras só vai iniciar seu programa de captações de 2009 depois que for decidido e divulgado o plano estratégico da companhia para o período 2009-2013, informou o diretor financeiro e de relações com investidores, Almir Barbassa. Enquanto analisa que projetos vão entrar no plano de investimentos, a Petrobras decidiu antecipar pagamentos para pequenos e médios fornecedores de equipamentos e serviços para evitar que tenham problemas no fluxo de caixa. A iniciativa já era adotada pela empresa, diz Barbassa, mas os volumes antecipados aumentaram de cerca de R$ 200 milhões para R$ 300 milhões por mês no último trimestre, quando a crise se agravou. "Demos essa opção (da antecipação) para as empresas e elas têm optado pelo pagamento antecipado. Assim, podem receber cerca de cinco a 10 dias após emitir a fatura, quando a Petrobras costuma pagar 30 dias depois", disse o diretor, explicando que em caso de adiantamentos para construção de equipamentos a obra está 70% paga quando é concluída.

 

Sobre o plano de investimentos para 2009, Barbassa explicou que dependendo do volume de projetos aprovados e do preço do petróleo, a companhia pode precisar captar mais que os US$ 8,5 bilhões do ano passado. Os valores exatos, segundo ele, serão conhecidos apenas depois da aprovação do plano estratégico pelo conselho de administração. A próxima reunião está marcada para o dia 23 deste mês. Segundo o diretor, a Petrobras já está buscando formas de financiar seus investimentos e segundo Barbassa existem "não uma nem duas, mas várias" alternativas em estudo. "Isso é que é o bonito da Petrobras, as alternativas são várias e dependendo do volume de investimentos necessário vamos saber quais prevalecerão", afirmou.

 

Quando for divulgado o plano estratégico a Petrobras vai informar a quantidade de recursos que vai buscar no mercado de capitais ao longo do ano, explicou Barbassa, desmentindo analistas que esperam um lançamento de bônus nos próximos dias. "Estamos acompanhando o mercado mas o momento não é adequado. Temos que mostrar aos investidores o nosso plano. A emissão da República foi um 'benchmark' importante", frisou Barbassa.

 

Analistas ouvidos pela "Bloomberg" avaliam que os custos de captação da companhia estão crescendo depois que o petróleo despencou 71% em relação ao seu recorde de julho do ano passado e de a crise do crédito ter reduzido a demanda por títulos dos mercados emergentes. Os bônus da Petrobras de 5,875% com vencimento em 2018 dão retorno de 4,92 pontos percentuais a mais que os títulos do Tesouro dos EUA, diferença (ou spread) maior do que qualquer bônus comercializado pela empresa desde junho de 2003. Barbassa diz que a Petrobras não é a única companhia a pagar taxas maiores. E discorda da comparação entre "spreads" dizendo preferir comparar rendimentos, já que os títulos do Tesouro americano estão rendendo cerca de 2,7% ao ano, estando muito baixos.

 

Os rendimentos dos bônus de 5,875% da Petrobras estão 1,02 ponto percentual acima dos títulos do governo brasileiro de vencimento semelhante, segundo dados reunidos pelo JPMorgan Chase & Co. e pela Bloomberg. Barbassa lembra que o governo brasileiro emitiu títulos na semana passada pagando prêmio de 6,2%. Segundo os cálculos do diretor, se o título da Petrobras paga 1,02 a mais, isso significa um prêmio de 7,29% que, segundo Barbassa, "não é o maior rendimento (yield) que a companhia pagou nos últimos anos".

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