A indústria naval brasileira conta atualmente com 47 estaleiros em funcionamento no país. Segundo o último levantamento do Sindicado Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), realizado no primeiro semestre de 2012, a construção de outros 11 estaleiros já foi iniciada e nesta última semana o Fundo da Marinha Mercante (FMM) liberou cerca de R$ 1,4 bilhão para a construção de mais cinco estaleiros e 104 embarcações para os setores navais e offshore. Os investimentos auxiliarão no atendimento do programa de exploração e abastecimento de petróleo no Brasil e apoiará o transporte de mercadorias no interior e na costa do país.
Para atender à demanda de 730 encomendas até 2020, os estaleiros, principal público comprador do setor, contarão com pavilhão exclusivo na Navalshore 2012 - Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore, que acontece no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro, de 1 a 3 de agosto. Segundo o gerente da feira, Michael Fine, o objetivo do Pavilhão Estaleiros do Brasil "é valorizar o trabalho e o desenvolvimento da indústria nacional e oferecer um ponto de encontro para todos os profissionais dos estaleiros do Brasil que visitam a feira", explica o executivo. "Na edição de 2011, 80% dos estaleiros nacionais estiveram no evento e, este ano, acreditamos que aumentaremos essa adesão", acrescenta.
Com o apoio da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav) e do Sinaval, o pavilhão Estaleiros do Brasil tem a participação do Estaleiro Mauá, que recentemente entregou à Transpetro o novo navio Sérgio Buarque de Holanda, o terceiro do Programa de Expansão e Modernização da Frota.
Segundo a assessora de marketing, Milena Barcelos Soares, entre outros projetos em curso no estaleiro está a construção de outros navios-tanques para a Transpetro e a construção dos módulos topside, em parceria com a empresa SBM, além da integração do FPSO Cidade de Ilhabela. "Com relação ao Plano de Expansão, o estaleiro prevê um investimento de US$ 114,1 milhões em suas instalações, dos quais US$ 102,7 milhões foram financiados pelo FMM. Os galpões onde se faz o trabalho de solda de painéis serão ampliados e também será construindo um dique flutuante, orçado em US$ 12 milhões", explica.
Pertencentes ao mesmo grupo, os estaleiros Eisa e Eisa Alagoas - atualmente em fase de construção - também estarão no pavilhão. Segundo Milena, a expectativa do grupo é de que o atual volume de encomendas em todos os estaleiros se prolongue por mais cinco anos.
Também no evento, o estaleiro Top Boats, especializado em embarcações do tipo workboat, oferecerá soluções para o lançamento de barreiras de contenção de óleo, transporte de carga e passageiros. Todos os seus modelos de embarcações destina-se ao apoio de embarcações maiores.
Participam ainda os estaleiros de grande representatividade, como TCE e Sea Port. O primeiro, presente no país desde 2004, está voltado para reparos navais e industriais; já o segundo tem intensa atuação no Ceará, onde inaugurou, recentemente, suas operações em mais uma cidade do estado, desta vez em Camocim. O novo estaleiro fará reparos em rebocadores de médio porte e, em breve, passará também a construir balsas oceânicas de grande porte, do casco duplo, usadas para transporte de óleo diesel.
Feira
Este ano, a Navalshore terá 11 mil m² de área de exposição reunindo as últimas novidades em produtos e serviços para construção e reparo naval, equipamentos e suprimentos para estaleiros, além de soluções para o setor de petróleo e gás.
Ao todo serão 350 expositores nacionais e internacionais, sendo que 50 estão participando pela primeira vez, de 17 delegações estrangeiras oferecendo oportunidades de negócios e networking para profissionais vindos de mais de 40 países. A expectativa é que, ao longo dos três dias, mais de 15 mil pessoas passem pelos pavilhões.