Investimentos

Estado de SC mira na indústria naval

Na década de 1990, SC ficou de fora do boom das montadoras, enquanto os vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul tiveram saltos de desenvolvimento em regiões inteiras com a implantação de complexos automotivos. Agora, o Estado corre o risco de perder a próxima

Diário Catarinense
19/07/2010 06:37
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Para não deixar passar mais um ciclo de investimentos, Estado mira na indústria naval voltada ao setor petrolífero, que promete gerar 700 mil empregos no país até 2013
 
 
Na década de 1990, SC ficou de fora do boom das montadoras, enquanto os vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul tiveram saltos de desenvolvimento em regiões inteiras com a implantação de complexos automotivos. Agora, o Estado corre o risco de perder a próxima onda de investimentos: a indústria naval voltada para o setor petrolífero.
 
 
Com a descoberta do pré-sal, que começou a ser explorado comercialmente na semana passada, o país entrou num novo ciclo econômico. Antes mesmo de funcionar com todo o seu potencial, o que deve ocorrer a partir de 2014, o setor já se destaca como grande gerador de empregos no Brasil. Até 2013, a previsão é de criação de quase 700 mil novas vagas no mercado de trabalho, com investimentos de US$ 190 bilhões.
 
 
Nos anos 1980, o petróleo participava com 4,3% do PIB nacional, índice que passou de 10% em 2010. Com a exploração do pré-sal, as projeções são de que, em 2020, a participação supere os 20%.
 
 
Para isso, o país está se preparando com a criação de portos, estaleiros, plataformas marítimas e todos os serviços logísticos para atender a cadeia do petróleo. Biguaçu, na Grande Florianópolis, está na rota destes investimentos e na mira do homem mais rico do Brasil. Eike Batista pretende implantar na cidade um estaleiro para a construção de plataformas marítimas, com investimento de R$ 2,5 bilhões e geração de 3,5 mil empregos diretos durante as obras e outros 4 mil na fase de operação, fora os indiretos.
– Biguaçu precisa deste investimento para dar um salto de desenvolvimento. É muito mais do que a implantação do estaleiro. Queremos nos tornar o centro de referência na área de tecnologia naval – diz o secretário de Desenvolvimento do município, João Braz da Silva.
 
 
A estimativa de Silva, com a implantação do estaleiro, é de que a população de Biguaçu dobre, o PIB salte de R$ 1 bilhão para R$ 5 bilhões e a renda per capita praticamente triplique em uma década. Um fenômeno que já é percebido nas cidades que abrigam complexos automotivos há mais de 10 anos e nos municípios que desenvolvem polos navais.
 
 
Setor atrai dinheiro público e privado
 
 
A região da Baía de Sepetiba, no Sul do Rio de Janeiro, se transformou num dos maiores canteiros de obras do Brasil. Investimentos públicos e privados de pelo menos R$ 38 bilhões em terminais portuários, estaleiros, siderúrgicas, rodovias e centros de distribuição aceleram o crescimento. A perspectiva de instalação de uma das bases da Petrobras para o pré-sal e projetos de novas usinas da CSN e da Usiminas irão somar mais alguns bilhões de reais ao polo.
 
 
O investimento mais vultoso previsto para Itaguaí (RJ) é a construção do estaleiro da Marinha do Brasil. São cerca de R$ 15 bilhões só para o estaleiro, mas o empreendimento já atrai projetos de outras companhias. A Nuclep, braço industrial do complexo nuclear do Brasil, vai investir R$ 47 milhões para construir nas imediações uma fábrica de motores para propulsão naval.
 
 
O Porto de Suape, em Ipojuca (PE), recebe investimentos do setor naval cada vez mais relevantes. Entre 1995 e 1998, foram R$ 155 milhões. Entre 2007 e 2010, a estimativa é de um aporte de R$ 1,4 bilhão. Até 2006, o porto tinha 81 empresas instaladas, com investimentos de US$ 2,2 bilhões. De 2007 a 2010, 35 novas empresas estão em implantação, injetando US$ 18,6 bilhões na região.
 
 
Se, até 2006, o complexo gerou 6,6 mil empregos, entre 2007 e 2010 foram 13 mil vagas diretas. De 1999 a 2005, o PIB do município saltou de R$ 1 bilhão para R$ 3,5 bilhões.
 
 
SC poderá ter desenvolvimento semelhante na próxima década, mas entraves ambientais ameaçam deixar o Estado à margem da onda de desenvolvimento do Brasil. De novo.
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