Investimento

ERB investe no negócio de cogeração de energia

Valor Econômico
02/08/2010 09:22
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A ERB (Energias Renováveis do Brasil) vai investir R$ 450 milhões em projetos de cogeração de energia a partir da biomassa para substituir o gás e óleo industrial. A empresa, que tem como sócios-investidores o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), gerido pela Caixa Econômica Federal (CEF), e a Rioforte Investments, braço não financeiro do Grupo Espírito Santo, recém-concluiu aporte de R$ 120 milhões para dar início à execução dos seus planos.

O objetivo da companhia é desenvolver projetos integrados de cogeração a partir de biomassa (cavacos de madeira, bagaço de cana e capim-elefante) para clientes industriais (entre eles companhias dos setores de alimentos e bebidas, têxteis e petroquímica) que consomem óleo industrial ou gás natural. O Valor apurou que um dos primeiros clientes será a Ajinomoto. O contrato será oficializado nas próximas semanas. A ERB terá a empresa francesa Dalkia como parceira nesse projeto.

Criada em 2008 pelos executivos Paulo de Tarso Vasconcellos, que veio do mercado financeiro, e Emílio Rietmann, com larga experiência em tradings agrícolas, a ERB vai utilizar cavacos de madeira como principal matéria-prima para gerar energia. A empresa já está adquirindo florestas prontas e vai dar início ao plantio próprio de eucaliptos em São Paulo e Minas Gerais e na região Nordeste para ter escala industrial.

A Rioforte e FI-FGTS são os sócios controladores, com participação de 49% cada, e o empresário Jandir Antônio Cantele, investidor inicial, com atuação na área de biodiesel, tem os 2% restantes. O escritório TozziniFreire Advogados foi o responsável pela estruturação da empresa, sob coordenação de Pedro Seraphin, especialista na área de energia, e a a advogada Heloísa Scaramucci. "Começamos a estruturar a empresa antes mesmo dela ser criada", afirmou Seraphin.

A ERB, com sede em São Paulo, nasceu como S.A. e pretende ir à bolsa no futuro, disse Vasconcellos. Os investimentos iniciais estão estimados em R$ 450 milhões, dos quais R$ 120 milhões com recursos próprios dos dois principais acionistas e o restante por meio de financiamento de longo prazo. Segundo Rietmann, a ERB conta com um "pipeline" (projetos em desenvolvimento) acima de R$ 1 bilhão. "Temos seis projetos em fase adiantada de negociação", diz.

Os projetos da ERB incluem a construção, instalação e operação de centrais termelétricas a partir da biomassa para atender seus clientes, garantindo, em contratos de longo prazo, o fornecimento de vapor e energia elétrica ou somente vapor (por meio de caldeiras), dependendo da indústria. A companhia participará de todas as fases do processo, desde estudos de viabilidade até a construção e operação das centrais térmicas e, sobretudo, do fornecimento da matéria-prima (biomassa). Com isso, asseguram, poderão oferecer contratos de fornecimento de longo prazo, com suprimento de combustível garantido.

A aposta da ERB será nos cavacos de madeira - a exemplo do que ocorre nas companhias europeias. "Esse é um tipo de suprimento garantido o ano todo, sem riscos de sazonalidade (como ocorre com o bagaço da cana e o capim-elefante)", disse Rietmann. A substituição do gás e do óleo por energia a partir da biomassa traz economia significante, o que justificam os investimentos. "Em gás, os custos podem ser reduzidos entre 20% e 25%, já com o óleo, caem entre 30% e 35%", afirmou.

Vasconcellos e Rietmann tiveram uma curta passagem pelo grupo sucroalcooleiro Infinity Bio-Energy , que passou seu controle para a Bertin em março, entre o fim de 2006 e 2007. "Pensamos no modelo de cogeração de energia não como os projetos tradicionais (com distribuição para rede). Nosso modelo é voltado para o cliente final", disse Rietmann.
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