Hidrelétricas

Energia de usinas antigas poderia gerar bilhões em licitação, dizem comercializadores

Reuters, 11/05/2017
11/05/2017 08:18
Visualizações: 1424

Uma ideia em estudo no governo de licitar a energia de hidrelétricas antigas, atualmente negociada a preços abaixo de mercado com as distribuidoras, pode atrair forte interesse de comercializadores e geradores e possibilitar uma arrecadação bilionária, disseram especialistas.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, disse à Reuters na semana passada que a proposta consta de um pacote de medidas em estudo na pasta para rever a regulamentação do setor elétrico.

Essas hidrelétricas, a maioria delas da estatal Eletrobras, operam desde 2013 no chamado "regime de cotas", em que vendem a produção às distribuidoras por valores regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que cobrem apenas custos de operação e manutenção.

O sócio da comercializadora de energia Compass, Marcelo Parodi, disse que a negociação dessa energia a preços de mercado poderia gerar um excedente financeiro de 11,8 bilhões de reais por ano apenas entre 2018 e 2019.

No cálculo, ele considerou a venda de 9 gigawatts médios em energia a 200 reais por megawatt-hora, contra os cerca de 50 reais que essas usinas recebem atualmente. A venda a preço de custo, aliás, é um dos fatores por trás dos fortes prejuízos da Eletrobras entre o final de 2012 e 2016.

A arrecadação poderia acontecer de uma única vez, com a cobrança de um bônus de outorga pelo governo na licitação. Em troca, os vencedores teriam liberdade para negociar a energia a preços mais altos no mercado.

Outra opção seria o governo criar algum mecanismo para colocar essa energia no mercado e arrecadar os recursos gradualmente, de acordo com a realização das vendas.

"Você poderia fazer uma operação, por exemplo, em que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) controlaria essa energia e colocaria via leilão no mercado... ou fazer isso como se fosse uma relicitação da usina, para algum empreendedor pegar e colocar essa energia no mercado", resume o presidente da comercializadora Comerc, Cristopher Vlavianos.

Ao comentar a possibilidade da licitação, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia não disse qual seria o modelo, mas adiantou que o objetivo da pasta com a medida seria gerar recursos para abater custos dos consumidores com subsídios e outros passivos do setor elétrico.

A operação é viável, e a arrecadação poderia ser utilizada de uma vez ou aos poucos para abater os encargos embutidos no custo da energia, como se fosse um "encargo do bem", avalia o presidente da comercializadora Copel Energia, Franklin Kelly Miguel.

Os subsídios respondem por parte importante do custo da energia no Brasil, e governo já disse que a situação é insustentável para o consumidor.

O executivo acredita que haveria grande interesse de geradores ou de comercializadoras por essa energia, principalmente em um momento de preços da eletricidade em alta devido a chuvas fracas neste ano, que não recuperaram o nível dos reservatórios das hidrelétricas.

Os especialistas disseram que a renegociação desses contratos também poderia ajudar a reduzir ou mesmo acabar com as sobras de energia atualmente detidas pelas distribuidoras, que viram a demanda de seus clientes cair fortemente desde o início da recessão brasileira, em meados de 2014.

"Ao colocar essa energia no mercado, de uma certa forma o que você está fazendo é resolver o problema da sobrecontratação e aumentar a liquidez no mercado", apontou Vlavianos, da Comerc.

O regime de cotas foi criado em 2013, na gestão da então presidente Dilma Rousseff, que defendia que hidrelétricas antigas já tiveram os investimentos remunerados e poderiam vender a energia a preço de custo para o consumidor.

Apesar da energia barata, no entanto, os novos contratos em regime de cotas jogaram o risco hidrológico das usinas para os consumidores, o que gerou enormes custos nos últimos anos, diante de chuvas fracas.

A avaliação do governo é que a retirada do risco hídrico e a arrecadação com a eventual licitação da usina poderiam compensar os consumidores pela perda da energia barata dessas usinas.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
Combustível
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP divulga empresas aptas a particip...
26/06/26
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.