Saúde e Bem - Estar
Redação TN/ Assessoria Infojobs
A saúde mental ganhou espaço definitivo na agenda das empresas e passou a ocupar um lugar mais estruturado nas discussões sobre gestão de pessoas, qualidade das relações de trabalho e prevenção de riscos. Nesse cenário, a atuação de psicólogos também ganha relevância, tanto dentro quanto fora das organizações, em um momento de maior atenção ao bem-estar e à necessidade de suporte especializado.
Dados do Infojobs mostram a dimensão desse mercado. A plataforma reúne 4.517 vagas para psicólogos, com salário médio de R$ 3.210. Somente em São Paulo, são 2.316 oportunidades, mais da metade do volume identificado no levantamento.
Mais do que indicar a presença da profissão no mercado, os números ajudam a mostrar como a Psicologia se insere em uma discussão que deixou de ser pontual. Para Hosana Azevedo, gerente de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o principal desafio está em transformar a atenção ao tema em uma prática contínua.
“Saúde mental não pode aparecer apenas em momentos específicos do calendário. Dentro das empresas, ela precisa estar relacionada à forma como as pessoas trabalham, se comunicam, recebem apoio e encontram espaço para falar sobre dificuldades antes que elas se transformem em situações mais graves”, afirma.
A mudança também altera o papel do RH. Em vez de concentrar a atuação apenas em campanhas de conscientização ou benefícios pontuais, cresce a necessidade de olhar para fatores que fazem parte da rotina das equipes, como carga de trabalho, clareza de responsabilidades, qualidade da liderança, relações interpessoais e acesso a canais de apoio.
Ao mesmo tempo, é importante estabelecer limites claros sobre a responsabilidade das empresas. Lideranças e áreas de Recursos Humanos não ocupam o lugar de profissionais especializados, mas podem contribuir para criar ambientes em que sinais de desgaste sejam percebidos com mais antecedência e encaminhados de forma adequada.
“RH e liderança não devem assumir uma função clínica, mas precisam estar preparados para reconhecer quando existe uma situação que exige atenção e para orientar o colaborador sobre os caminhos disponíveis. Também cabe à empresa observar aquilo que está sob sua responsabilidade, principalmente quando problemas recorrentes estão ligados à própria organização do trabalho”, explica Hosana.
Essa visão ganha força à medida que temas como segurança psicológica, prevenção de afastamentos, sobrecarga e qualidade das relações profissionais entram com mais frequência nas discussões corporativas. A tendência é que o cuidado deixe de ser tratado como uma iniciativa paralela e passe a fazer parte das decisões sobre gestão e cultura.
Nesse contexto, a demanda por psicólogos também reflete a diversidade de possibilidades de atuação da profissão. Embora o levantamento do Infojobs não detalhe, neste recorte, os diferentes campos das oportunidades disponíveis, o volume de mais de 4,5 mil vagas mostra a presença relevante desses profissionais no mercado.
O Setembro Amarelo amplia a visibilidade do debate, mas o desafio para empresas e profissionais está em manter o tema presente ao longo do ano. Para Hosana, a consistência está justamente em transformar a conscientização em práticas capazes de gerar continuidade.
“Campanhas têm um papel importante porque abrem espaço para conversas que muitas vezes são difíceis, mas elas precisam ser acompanhadas por ações permanentes. O cuidado se fortalece quando a empresa consegue incorporar esse olhar à rotina, às relações de liderança e aos processos de gestão de pessoas”, finaliza Hosana.
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