Internacional

Em resposta à Unica, Joaquim Leite diz que promoverá etanol brasileiro na COP26

Redação TN Petróleo/Agência Estado
18/10/2021 10:46
Em resposta à Unica, Joaquim Leite diz que promoverá etanol brasileiro na COP26 Imagem: Divulgação Agência Brasil Visualizações: 1872

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite (foto), afirmou que vai defender o uso do etanol durante a Conferência das Partes (COP26), em Glasgow, na Escócia. O maior evento do mundo sobre meio ambiente é organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e começa no próximo dia 31, devendo se estender até 12 de novembro.
"Reafirmo o compromisso do governo federal na promoção do etanol brasileiro como parte de uma nova economia verde durante a Conferência das Partes, a COP26, em Glasgow", disse o ministro. Leite fez a afirmação em um vídeo publicado na rede social Linkedin depois que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) enviou uma carta a ele anteontem pedindo o reconhecimento e a defesa do potencial da bioenergiacomo instrumento de descarbonização na Conferência do Clima.
"Gostaria de manifestar todo meu apoio ao setor de biocombustíveis. Setor esse que gera emprego verde e reaproveita 90% dos recursos, promovendo uma economia circular e garantindo hoje um transporte verde em todo o território nacional, como veículos elétricos que usam etanol para recarregar suas baterias", disse o ministro. Na carta, a Unica lembra que representa usinas e destilarias responsáveis por mais de 50% da produção brasileira de etanol e outros energéticos renováveis e sugere que as políticas públicas implementadas no Brasil e o sucesso no uso do etanol e da bioenergia como instrumentos de descarbonização sejam incorporados ao posicionamento brasileiro no evento.
"Enquanto os maiores líderes globais continuarão a debater alternativas para transformar seus compromissos de reduções de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em ações ativas, o Brasil tem a oportunidade de oferecer soluções eficientes e imediatas para essa agenda, especialmente no setor de transportes, que responde por quase 25% de todas as emissões globais", argumentou o setor.
A Unica ressaltou que o uso de etanol combustível na frota de veículos leves e o emprego dos Créditos de Descarbonização (CBios) para compensação de emissões em outros setores da economia se posicionam como opções efetivas para o combate ao aquecimento global. "O país possui o maior programa de substituição de combustíveis fósseis por renováveis do planeta, iniciado com o Proálcool e agora consolidado na Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio", enfatizou.
O programa estabelece metas de redução da intensidade de carbono para a matriz brasileira de combustíveis, criando diretrizes para ampliar a participação e a eficiência energéticoambiental dos biocombustíveis no mercado nacional. Os produtores ressaltaram que o etanol já substitui quase metade do consumo de gasolina no mercado nacional e, para isso, utiliza apenas 0,8% do território para produção de matériaprima energética. "Importante destacar que área com cana-de-açúcar está localizada a mais de dois mil quilômetros da Amazônia", escreveram. A região amazônica é um dos principais pontos de interesse do mundo em relação ao Brasil.
A carta também traz que o RenovaBio impõe política de desmatamento zero, excluindo qualquer propriedade com supressão de vegetação nativa. Pelos cálculos da Unica, desde o lançamento dos veículos flex-fuel no Brasil, em 2003, o uso do etanol combustível evitou quase 600 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, ou o equivalente à totalidade das emissões anuais somadas de países como França e Polônia. "Isso porque, o etanol reduz em até 90% a emissão de gases de efeito estufa quando comparado ao concorrente fóssil", compararam.

Exemplo
Os produtores salientaram também que a política brasileira já é exemplo para outros países, como Índia e até mesmo o Reino Unido, que anunciou que a partir de setembro deste ano passaria a ampliar a mistura de etanol à gasolina de 5% para 10%. Na Índia, conforme a Unica, foi anunciada a meta de misturar 20% de etanol à gasolina até 2025, cinco anos antes do planejado. O país também divulgou recentemente que irá incentivar os carros flex, modelo, segundo a associação, que foi fortemente inspirado no Brasil.
"A frota flex-fuel com o uso de etanol hidratado já se compara às tecnologias mais eficientes mundialmente em termos de emissões de GEE. A redução na pegada de carbono do etanol e os ganhos de eficiência na tecnologia veicular podem colocar o País em uma posição ainda mais privilegiada, com níveis de descarbonização muito além daqueles observados na maior parte das nações do globo", escreveram os usineiros. O ministro leu na carta que o potencial da cadeia sucroenergética na oferta de energia de baixo carbono é enfatizada com a introdução e consolidação de novos produtos, como a bioeletricidade, o biogás, o biometano e o etanol de segunda geração.
O documento, que tem quatro páginas, aborda ainda as inovações do setor automotivo, como a eletrificação dos carros, e o primeiro ativo regulado no Brasil para compensar emissões de GEE, os CBios. "Trata-se de um crédito de carbono com integridade e lastro ambiental, além de sólida estrutura de governança nas etapas de emissão e comercialização". Por fim, a Unica destacou que o setor sucroenergético emprega direta ou indiretamente 2,3 milhões de pessoas e tem relação com cerca de 70 mil produtores rurais. "De todo o exposto, fica evidente que temos resultados efetivos e ações concretas para pautar o debate na Conferência de Clima", conclui o documento, que é assinado pelo diretor-presidente da instituição, Evandro Gussi.

 

 

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 antecipa grandes debates e inicia cont...
27/01/26
Gás Natural
Firjan: Rio de Janeiro consolida papel de "hub do gás" e...
27/01/26
Combustíveis
Petrobras reduz preços de gasolina em 5,2% para distribu...
26/01/26
Brasil-Alemanha
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos com f...
26/01/26
Etanol
Hidratado registra valorização no mercado semanal e diário
26/01/26
Logística
Terminais Ageo captam R$ 450 milhões em debêntures incen...
23/01/26
Petrobras
Alta eficiência amplia refino e aumenta produção de comb...
22/01/26
Combustíveis
IBP: Decisão da ANP garante segurança de abastecimento e...
22/01/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 174 mil barris por ...
21/01/26
Apoio Offshore
Fundo da Marinha Mercante destina R$ 2,3 bilhões à const...
21/01/26
Drilling
Navio-sonda Norbe IX, da Foresea, passa por manutenção p...
21/01/26
Biocombustíveis
Sifaeg destaca novo ciclo de investimentos e consolidaçã...
20/01/26
Navegação Marítima
Descarbonização: a nova rota do setor marítimo brasileiro
20/01/26
PD&I
CEPETRO e Universidade Tecnológica da PETRONAS desenvolv...
19/01/26
Pessoas
Zilor anuncia novo Diretor de Pessoas
19/01/26
Navegação
Petrobras e Transpetro assinam contratos do Programa Mar...
19/01/26
Etanol
Indicadores Cepea mostram etanol hidratado em alta no me...
19/01/26
Posicionamento IBP
Importação de biodiesel
16/01/26
Bacia de Campos
Brava Energia anuncia aquisição de 50% de participação n...
16/01/26
Biocombustíveis
Com R$ 6,4 bi em 2025, BNDES faz aprovação recorde de cr...
16/01/26
Créditos de Carbono
Edital ProFloresta+ supera expectativas e recebe 16 prop...
16/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.