Energia elétrica

Elétricas enfrentam cenário adverso no 2º trimestre

Expectativas de resultados mais fracos.

Valor Econômico
06/08/2014 09:42
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Os analistas de investimentos esperam um segundo trimestre complicado para as companhias do setor elétrico. Os relatórios de grandes bancos trazem, de forma geral, expectativas de resultados mais fracos tanto para as empresas de distribuição como para as geradoras. Os dois negócios foram afetados neste ano.
As distribuidoras foram prejudicadas pelo atraso na liberação, pelo governo federal, de um auxílio-ponte para cobrir os déficits tarifários, que só aumentam a cada mês. Não foram ainda liberados recursos para pagar as despesas do setor em maio e junho. Sem dinheiro, as distribuidoras precisam arcar com os pesados custos com aquisição de energia, o que vem sugando o caixa todos os meses, já que as tarifas só são corrigidas uma vez por ano.
Já as geradoras foram afetadas pelo déficit em torno de 6% no volume entregue pelas hidrelétricas para o sistema elétrico durante o segundo trimestre. A geração hídrica sofre com a grave seca na região Sudeste. Quando as usinas não entregam 100% da energia que venderam, as geradoras precisam comprar o volume que falta no mercado de curto prazo.
Na avaliação de alguns analistas, as ações das elétricas ainda podem cair. "Acreditamos que o setor de 'utilities' [serviços de utilidade pública] está, de forma geral, caro [para os investidores]", escreve Miguel Rodrigues, do Morgan Stanley, para quem as ações das elétricas acompanhadas pelo banco ainda podem sofrer uma correção para baixo de 7% em média. Esse cenário leva em consideração as expectativas de um déficit na geração de energia hídrica durante o segundo semestre, bem como os baixos níveis esperados para os reservatórios no início do ano que vem.
"Acreditamos que os resultados vão se deteriorar", escreveu o analista Marcos Severine, do J.P. Morgan. "Uma questão chave é o reconhecimento de um empréstimo adicional para as distribuidoras: sem um segundo socorro, acreditamos que o segmento vai registrar prejuízos."
Na avaliação de Severine, os dividendos intermediários distribuídos pelas companhias estão em risco. "Mesmo se um plano for anunciado, os recursos só vão entrar no caixa das distribuidoras em agosto, na melhor das hipóteses. Com o capital de giro pressionado no segundo trimestre, companhias que pagam dividendos bianuais, como a Copel, podem reduzir as distribuições", escreveu o analista. Ainda no caso da Copel, segundo ele, o calendário político pode empurrar os dividendos para depois das eleições em outubro.
No caso das geradoras, além do déficit na geração das hidrelétricas, as empresas também podem ganhar menos com a venda de energia no mercado de curto prazo (spot). No segundo trimestre, os preços na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) ficaram abaixo do esperado por alguns analistas, embora continuem em níveis estratosféricos.
Já divulgaram seus resultados para o segundo trimestre a Tractebel e a Energias do Brasil, e ambas mostraram desempenhos operacionais mais fracos. Hoje, após o fechamento da bolsa, a AES Eletropaulo, AES Tietê e Alupar devem enviar suas demonstrações financeiras à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na sexta-feira, será a vez da Equatorial. Na semana que vem, divulgam seus números a Light, CPFL, Copel, Cemig e Cesp.
Os analistas estimam que a Eletropaulo, maior companhia do setor no Brasil, registre fortes prejuízos. A distribuidora só recebeu subsídios de R$ 196 milhões para cobrir os custos referentes a abril. O mercado espera que ela receba outros R$ 265 milhões para cobrir os gastos em maio e junho.
De acordo com Paula Kovarsky, do Itaú BBA, sem o auxílio adicional, a distribuidora poderia apresentar um prejuízo de R$ 464 milhões no segundo trimestre. Com o reembolso, a perda seria de R$ 199 milhões. Severine, do J.P. Morgan, prevê que, sem um segundo socorro, o prejuízo da distribuidora poderia alcançar R$ 525 milhões.
Para a Light, os analistas projetam que a distribuidora carioca poderá estampar um prejuízo de até R$ 58 milhões caso não receba recursos. No caso da Equatorial, a distribuidora poderá ter uma perda superior a R$ 100 milhões.

Os analistas de investimentos esperam um segundo trimestre complicado para as companhias do setor elétrico. Os relatórios de grandes bancos trazem, de forma geral, expectativas de resultados mais fracos tanto para as empresas de distribuição como para as geradoras. Os dois negócios foram afetados neste ano.

As distribuidoras foram prejudicadas pelo atraso na liberação, pelo governo federal, de um auxílio-ponte para cobrir os déficits tarifários, que só aumentam a cada mês. Não foram ainda liberados recursos para pagar as despesas do setor em maio e junho. Sem dinheiro, as distribuidoras precisam arcar com os pesados custos com aquisição de energia, o que vem sugando o caixa todos os meses, já que as tarifas só são corrigidas uma vez por ano.

Já as geradoras foram afetadas pelo déficit em torno de 6% no volume entregue pelas hidrelétricas para o sistema elétrico durante o segundo trimestre. A geração hídrica sofre com a grave seca na região Sudeste. Quando as usinas não entregam 100% da energia que venderam, as geradoras precisam comprar o volume que falta no mercado de curto prazo.

Na avaliação de alguns analistas, as ações das elétricas ainda podem cair. "Acreditamos que o setor de 'utilities' [serviços de utilidade pública] está, de forma geral, caro [para os investidores]", escreve Miguel Rodrigues, do Morgan Stanley, para quem as ações das elétricas acompanhadas pelo banco ainda podem sofrer uma correção para baixo de 7% em média. Esse cenário leva em consideração as expectativas de um déficit na geração de energia hídrica durante o segundo semestre, bem como os baixos níveis esperados para os reservatórios no início do ano que vem.

"Acreditamos que os resultados vão se deteriorar", escreveu o analista Marcos Severine, do J.P. Morgan. "Uma questão chave é o reconhecimento de um empréstimo adicional para as distribuidoras: sem um segundo socorro, acreditamos que o segmento vai registrar prejuízos."

Na avaliação de Severine, os dividendos intermediários distribuídos pelas companhias estão em risco. "Mesmo se um plano for anunciado, os recursos só vão entrar no caixa das distribuidoras em agosto, na melhor das hipóteses. Com o capital de giro pressionado no segundo trimestre, companhias que pagam dividendos bianuais, como a Copel, podem reduzir as distribuições", escreveu o analista. Ainda no caso da Copel, segundo ele, o calendário político pode empurrar os dividendos para depois das eleições em outubro.

No caso das geradoras, além do déficit na geração das hidrelétricas, as empresas também podem ganhar menos com a venda de energia no mercado de curto prazo (spot). No segundo trimestre, os preços na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) ficaram abaixo do esperado por alguns analistas, embora continuem em níveis estratosféricos.

Já divulgaram seus resultados para o segundo trimestre a Tractebel e a Energias do Brasil, e ambas mostraram desempenhos operacionais mais fracos. Hoje, após o fechamento da bolsa, a AES Eletropaulo, AES Tietê e Alupar devem enviar suas demonstrações financeiras à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na sexta-feira, será a vez da Equatorial. Na semana que vem, divulgam seus números a Light, CPFL, Copel, Cemig e Cesp.

Os analistas estimam que a Eletropaulo, maior companhia do setor no Brasil, registre fortes prejuízos. A distribuidora só recebeu subsídios de R$ 196 milhões para cobrir os custos referentes a abril. O mercado espera que ela receba outros R$ 265 milhões para cobrir os gastos em maio e junho.

De acordo com Paula Kovarsky, do Itaú BBA, sem o auxílio adicional, a distribuidora poderia apresentar um prejuízo de R$ 464 milhões no segundo trimestre. Com o reembolso, a perda seria de R$ 199 milhões. Severine, do J.P. Morgan, prevê que, sem um segundo socorro, o prejuízo da distribuidora poderia alcançar R$ 525 milhões.

Para a Light, os analistas projetam que a distribuidora carioca poderá estampar um prejuízo de até R$ 58 milhões caso não receba recursos. No caso da Equatorial, a distribuidora poderá ter uma perda superior a R$ 100 milhões.

 

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