Internacional

Efeitos de preços do petróleo sobre a economia brasileira

Redação TN Petróleo/Assessoria Mapfre Investimentos
09/03/2026 14:01
Efeitos de preços do petróleo sobre a economia brasileira Imagem: Divulgação Visualizações: 2598

O tensionamento das relações entre países do Oriente Médio já perdura por mais de uma semana, sem sinais de uma solução pacífica até onde a vista alcança. À medida que um número crescente de países se vê de alguma forma envolvido no conflito, diminui a visibilidade em relação ao seu desfecho. A escalada das tensões parece confirmar a percepção usual de que estas costumam ter início conhecido, mas conclusão não antecipável. Como se não bastasse, ativos financeiros tidos antes como refúgio de segurança são agora questionados. E relações entre variáveis econômicas no exterior, antes previsíveis, deixam agora de ser uma certeza.

Nesse contexto de dúvidas, o pouco que se sabe é que os preços do petróleo, expostos abaixo, ganham condição de termômetro da crise instalada. Isso não é neutro do ponto de vista da economia brasileira. O Banco Central se vê diante de novas complexidades em sua equação de controle da inflação, com um cenário menos benigno do que o anterior ao conflito. Mas esse choque de oferta nos preços do petróleo deve ter resposta da política monetária apenas quando e se houver efeitos secundários. Ou seja, o torniquete da política monetária será apertado ainda mais somente se maiores preços dos combustíveis contagiarem outros preços ao consumidor.

Os preços do petróleo também não são neutros para as finanças públicas brasileiras. Quanto maior o valor pago por cada barril de petróleo, maior tende a ser o resultado financeiro de empresas brasileiras produtoras do setor. Isso favorece a arrecadação tributária. A União também se beneficia do aumento de royalties e dividendos distribuídos, em benefício do resultado fiscal primário. Por outro lado, essa melhora do resultado primário poderá ser compensada por maiores gastos com juros sobre a dívida pública em caso de reação da política monetária frente a efeitos secundários da inflação de combustíveis.

Por último mas não menos importante, maiores preços do petróleo também têm reflexos nas exportações brasileiras. Óleos brutos estão entre os nossos principais produtos exportados, superando importações de combustíveis, óleos minerais e petroquímicos. Isso significa impacto positivo imediato em nosso saldo comercial. Mas essa vantagem pode ser parcialmente neutralizada por menores exportações brasileiras destinadas ao Oriente Médio, com destaque para as vendas externas de carnes de aves, milho e açúcar. Em resumo, o conflito no Oriente Médio, com maiores preços de petróleo, favorece liquidamente o nosso saldo comercial. Por outro lado, aumenta a probabilidade de menor afrouxamento da política monetária e maiores gastos com juros sobre a dívida pública.

Guerra eclode no Oriente Médio e barril de petróleo ultrapassa $100

Na última semana os principais índices acionários operaram em queda, reagindo à disparada nos preços de petróleo e derivados e da aversão ao risco nos mercados internacionais.

O índice Nasdaq recuou 0,7% e o S&P 500 1,7%, enquanto o Ibovespa recuou 4,7% aos ~180 mil pontos, com ganhos acumulados de 11,7% em 2026. O dólar avançou 2,6% frente ao Real, cotado a R$ 5,26 / US$ 1,00.

Nos EUA, foram conhecidos os dados do Payroll referentes a fevereiro, que registraram perda de 92 mil postos de trabalho (abaixo da expectativa de criação de 58 mil postos), com variação de 0,4% nos rendimentos por hora trabalhada (0,3% esperados) e taxa de participação estável em 62%, o que contribuiu para a devolução de prêmios na curva de juros americana e aumento das chances de corte dos juros pelo Fed. Ainda assim, a curva de juros americana incorporou prêmios na semana em todos os vértices, com o de 10 anos fechando a 4,12% (contra 3,95% a.a. na semana anterior).

Já o índice DXY avançou 1,3% a 98,93, enquanto o petróleo avançou 36% na semana anterior, acompanhando a eclosão da guerra entre Irã versus Estados Unidos e Israel, a interrupção quase total da navegação pelo estreito de Ormuz e a paralisação crescente de operações de petróleo e gás na região. O barril do WTI fechou a semana cotado a US$ 91.

No Brasil foi conhecido o IGP-DI de fevereiro que apresentou deflação de 0,84%, enquanto a Produção Industrial de janeiro avançou 1,8% sobre o mês anterior e 0,2% em 12 meses. Na B3 os contratos de juros futuros DI incorporaram prêmios em todos os vértices, acompanhando o aumento da aversão ao risco.

 

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