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Efacec reforça atuação no Brasil atraída pelo setor de energia

Valor Econômico
23/08/2011 12:25
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Há cerca de seis anos, o grupo de engenharia português Efacec - que atua em projetos de infraestrutura - decidiu reformular seu planejamento estratégico para dar maior foco ao crescimento das operações fora do mercado europeu. No meio do caminho, os eventos que se seguiram à crise financeira de 2008 abalaram a capacidade de crescimento no sul da Europa e a empresa se viu forçada a acelerar o processo de internacionalização, na busca, sobretudo, por mercados emergentes.

É nesse contexto que o Brasil ganhou peso na estratégia global. A América Latina - região na qual o Brasil representa o mercado mais relevante - já responde por cerca de 20% a 25% do faturamento de pouco mais de € 1 bilhão da Efacec em todo o mundo.

O foco no mercado brasileiro são os projetos relacionados à geração, transmissão e distribuição de energia - como subestações elétricas e centrais geradoras, onde os portugueses oferecem serviços de engenharia e automação.

Para aproveitar as oportunidades em torno dos grandes projetos hidrelétricos na região Norte, a companhia está abrindo um escritório em Manaus. Ao todo, 30 profissionais serão contratados para essa operação até o fim do ano.

Já na área industrial, o grupo avalia destinar cerca de R$ 40 milhões para triplicar a capacidade de produção de transformadores em Pernambuco, projeto em fase final de análise. A decisão do investimento não foi tomada, mas a ideia, pelo menos no momento, é substituir a fábrica existente em Recife por uma nova em Suape.

Conforme João Bento, presidente mundial da Efacec, o Brasil representa o maior mercado fora de Portugal. Segundo o executivo, a América Latina, como um todo, é a região que mais cresce entre os oito grandes mercados desenvolvidos pela empresa no mundo.

"Se estivéssemos dependentes desses mercados que estão em grande convulsão neste momento, estaríamos atravessando um período mais difícil", disse Bento, referindo-se às turbulências no sul da Europa, onde sua empresa tem negócios importantes em Portugal e na Espanha.

Dado o crescimento da operação, a Efacec escalou um membro da diretoria global do grupo - o engenheiro Artur Fuchs - para comandar a partir deste ano os negócios no Brasil e na América Latina.

Paranaense, Fuchs é formado em engenharia elétrica pela Universidade Federal do Paraná, mas esteve nos últimos 23 anos na Europa, período em que ingressou na direção da empresa. Voltou ao país para assumir os cargos de presidente da companhia na América Latina e diretor-presidente no Brasil. É a única operação do grupo fora de Portugal liderada por um membro da diretoria executiva.

O seu principal negócio são os serviços de engenharia a empreendimentos de infraestrutura: desde a elaboração do projeto até sua entrega, passando pela execução de obras, instalações e fornecimento de equipamentos e materiais.

Parte da aparelhagem e equipamentos empregados nos projetos vem de instalações próprias da empresa, caso dos transformadores. No Brasil, já atendeu clientes como Eletronorte, Copel e MPX.

O grupo também tem atuação forte na área de transportes, onde já aplicou sistemas de energia, controle de tráfego, sinalização de vias e telecomunicações para linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

As perspectivas positivas são justificadas pelas necessidades de investimentos em infraestrutura no Brasil, que ganharam um caráter de urgência com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016. Além de energia e transporte urbano, a empresa espera crescer em logística de aeroportos e saneamento básico.

Esse cenário está atraindo outros grupos de engenharia ao país, o que torna o ambiente mais competitivo. "Quando a demanda é grande, os preços sobem. Mas aqui tem acontecido o contrário. Há muita procura, muita demanda, mas os preços de mercado estão baixos", diz Fuchs, que chegou a São Paulo em junho para conduzir os negócios da companhia.
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