Os fundos da administradora de recursos Dynamo reduziram de forma expressiva a participação no capital da Lupatech, empresa fornecedora de equipamentos para o setor de petróleo. A fatia dos fundos na empresa, que era de 5% em janeiro do ano passado, está agora em 0,15%, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A venda das ações acontece num momento de preços baixos, tendo em vista o histórico da companhia na bolsa. A Lupatech tem hoje cerca de um terço do valor de mercado que possuía em maio de 2008, antes da crise global, que derrubou as bolsas.
As ações da companhia chegaram a valer R$ 63,65 em 30 de maio de 2008 e hoje estão em R$ 21,61. Mas o valor atual já representa recuperação em relação ao piso, de R$ 14,15, registrado em outubro de 2008.
De acordo com a Lupatech, a Dynamo alcançou participação relevante no capital da empresa, de 5%, que tem de ser divulgada ao mercado, em dezembro de 2008, ou seja após a queda dos papéis, embora não no piso deles. Procurada, a Dynamo não se manifestou.
O analista Artur Delorme, da Ativa Corretora, explicou que grande parte da receita da Lupatech está relacionada à Petrobras e, com a crise, alguns investimentos da estatal foram postergados, prejudicando a empresa. Além disso, muitos dos investimentos realizados foram em exploração, área em que a Lupatech não está inserida. Os produtos da companhia são destinados, principalmente, à fase de produção, quando começam a ser extraídos os barris para comercialização.
Para ele, após o período de dificuldades, o cenário para a companhia é positivo. "Depois dos investimentos em exploração, a Petrobras deve iniciar uma série de licitações voltadas à produção, das quais a Lupatech deve participar." Ainda há o potencial do pré-sal, que é de longo prazo. Embora a capacidade ociosa da empresa esteja hoje ainda no alto nível de 60%, o analista acredita que a carteira de pedidos de R$ 2,8 bilhões logo deve ter impacto positivo.
No início deste mês, a agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou a Lupatech em observação negativa, como reflexo do ritmo de recuperação mais lento do que o esperado. O endividamento da companhia é elevado, mas, após a reestruturação do passivo, grande parte vence no longo prazo, sendo que quase 50% dos débitos referem-se a um bônus perpétuo e cerca de 30% a debêntures conversíveis em ações que estão com o BNDES.