Combustíveis

Dutra diz que quem decidirá reajuste de gasolina será Petrobras

Diretor financeiro da companhia diz que não-alinhamento dos preços internos às cotações internacionais não ameaça investimentos até 2010.


18/05/2004 00:00
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Um dia após o governo ter vazado em Brasília que a decisão por novos reajustes de combustíveis caberá pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, voltou a afirmar que caberá à diretoria da empresa tal responsabilidade. "Quem decide isso é a Petrobras", afirmou o executivo, durante a coletiva em que anunciou detalhes do novo planejamento estratégico da empresa.
Dutra confirmou, na ocasião, que a empresa deverá aumentar os preços dos combustíveis, caso as cotações do barril de petróleo permaneçam no atual patamar. Ele justificou que "o compromisso da companhia é ter os preços (dos combustíveis) alinhados até o fim do ano", mas ressaltou que "isso não quer dizer que vamos passar para o mercado nacional qualquer volatilidade do mercado externo".
O diretor da Área Financeira da empresa, José Sérgio Gabrielli, afirmou que o fato de a empresa não ter ajustado os preços internos às cotações internacionais não torna inviável o cumprimento dos investimentos previstos pelo novo planejamento estratégico, de US$ 53,6 bilhões até 2010. Segundo Gabrielli, os estudos que resultaram nos valores divulgados nesta terça-feira (17/05) levaram em consideração uma cotação internacional de US$ 16 o barril de petróleo, o que representa uma estimativa conservadora, do ponto de vista financeiro. Dessa forma, justificou, a empresa estaria protegida dos solavancos do mercado internacional.
"Quando nós vamos analisar um projeto individualmente, esse projeto é analisado a US$ 16, de modo a viabilizar a sua robustez", acrescentou o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra.
A partir da cotação internacional do barril de petróleo, são calculadas diversas variáveis, tais como receitas, despesas e investimentos. Uma vez que as receitas da empresa têm como referência os preços internacionais, a diretoria projeta para baixo os ganhos que a companhia terá nos próximos anos. A partir dessa variável, são calculadas as despesas e os investimentos no mesmo período. Se a cotação do barril, nesse período, flutuar em um patamar superior a US$ 16, a companhia auferirá receitas maiores do que as projetadas no planejamento.
Gabrielli anunciou, no entanto, que a companhia reduzirá sua alavancagem nos próximos anos, em função da alta volatilidade dos preços internacionais.
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